A história monetária do Brasil é rica e diversificada, traçando um panorama que abrange desde a nossa descoberta, passando pelo período colonial, pela fase imperial, pela República e chegando aos dias atuais. Ao longo desses períodos, muitas foram as moedas cunhadas e algumas delas se tornaram raras e valiosas, devido a eventos históricos ou peculiaridades na produção.

Período Colonial: Réis

Durante o período colonial, a moeda vigente era o real (plural réis). No entanto, até 1694, quando a Casa da Moeda foi fundada em Salvador, a economia brasileira era baseada em trocas, e as moedas utilizadas vinham de diversas partes do mundo. Nessa época, moedas de ouro, prata e cobre circulavam no país.

Entre as moedas raras desse período, destacam-se as “Peças da Coroa”, moedas de ouro cunhadas em comemoração ao casamento de D. Pedro II, rei de Portugal, com Maria Sofia de Neuburg, em 1687. Essas peças, hoje, são extremamente raras e valiosas.

Período Imperial: Réis e o advento do Cruzeiro

Com a independência do Brasil em 1822, o país passou a cunhar suas próprias moedas, ainda denominadas em réis, mas com a efígie do imperador. No segundo reinado, uma moeda que chama atenção é o “Dobrão de 20 mil réis”, de 1855, cunhado em comemoração à Coroação de D. Pedro II. Por sua raridade, esta moeda tem alto valor no mercado numismático.

Período Republicano: Cruzeiro e suas variantes

Moeda de 50 cruzeiros - Imagem: Canva
Moeda de 50 cruzeiros – Imagem: Canva

A fase republicana da história brasileira é marcada pela grande quantidade de mudanças monetárias. O Cruzeiro foi instituído em 1942, durante o governo Getúlio Vargas, substituindo os réis à taxa de 1 cruzeiro para cada mil-réis. O Cruzeiro sofreu diversas alterações ao longo do tempo, sendo substituído pelo Cruzeiro Novo, Cruzado, Cruzado Novo, novamente Cruzeiro, Cruzeiro Real, até finalmente chegar ao Real em 1994.

Dentre as moedas raras desse período, está o Centavo de 1994, conhecido como “cabeça de cavalo”, por causa da imagem de um cavalo-marinho que aparece nele. Esta moeda é muito rara, pois, devido a um erro, apenas algumas entraram em circulação.

Era do Real

A partir de 1994, com o Plano Real, a moeda brasileira finalmente se estabilizou. A moeda de Real é subdividida em 100 centavos e apresenta moedas de 1, 5, 10, 25, 50 centavos e 1 Real.

Algumas moedas de Real são consideradas raras e valiosas. Entre elas, a moeda de 1 Real lançada em 1998 em comemoração aos 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Outro exemplo é a moeda de 1 Real lançada em 2005, em comemoração ao Projeto Tamar, que é bastante procurada por colecionadores.

No entanto, a moeda de 1 Real mais rara e valiosa é a que foi cunhada em 1999 para homenagear os 500 anos do descobrimento do Brasil. Ela possui uma tiragem de apenas 600 unidades e pode valer milhares de reais no mercado numismático.

A história das moedas no Brasil é um verdadeiro espelho dos acontecimentos e transformações que o país viveu ao longo dos séculos. E, para quem se interessa por numismática, as moedas raras são verdadeiros tesouros que contam uma parte dessa história, e que, além do valor monetário, possuem um valor histórico e cultural inestimável.

Leilões de Moedas Raras: Um Mercado Lucrativo no Brasil e no Mundo

Imagem ilustrativa de leilão
Imagem ilustrativa de leilão

Leilões de moedas raras têm sido um palco de grandes negócios para colecionadores e investidores em todo o mundo, inclusive no Brasil. Moedas raras, devido à sua história, raridade e valor intrínseco, atraem o interesse de muitos, tornando-se verdadeiras peças de desejo.

No Brasil, o mercado de leilões de moedas raras tem se expandido cada vez mais. Leilões acontecem frequentemente, tanto em casas de leilão tradicionais quanto online. Entre os itens mais procurados estão as moedas de ouro e prata do período colonial, as comemorativas da era do Real, e também moedas estrangeiras raras.

Por exemplo, em 2019, a Casa de Leilões Numismática Brasileira promoveu um leilão que teve como destaque uma moeda de ouro de 20 mil réis, cunhada em 1727 durante o reinado de D. João V de Portugal. Essa peça é considerada extremamente rara, especialmente por seu excelente estado de conservação, e alcançou o valor de mais de R$ 40 mil.

No cenário internacional, os leilões de moedas raras movimentam milhões de dólares todos os anos. Entre as moedas mais valorizadas estão as antigas moedas de ouro e prata da Grécia e Roma antigas, as moedas medievais europeias e as moedas de ouro americanas.

Um exemplo marcante foi o leilão da moeda “Flowing Hair Dollar” de 1794, considerada a primeira moeda de dólar produzida pela recém-formada Casa da Moeda dos Estados Unidos. Em 2013, essa moeda foi vendida por mais de 10 milhões de dólares em um leilão nos Estados Unidos, tornando-se a moeda mais cara já vendida em um leilão.

Outro exemplo é o “Double Eagle” de 1933, uma moeda de ouro de 20 dólares americanos. Apesar de mais de 400 mil moedas terem sido cunhadas naquele ano, quase todas foram derretidas pelo governo americano quando o país saiu do padrão-ouro. Apenas algumas poucas escaparam, tornando-se extremamente raras e valiosas. Em 2002, uma dessas moedas foi vendida em um leilão por mais de 7 milhões de dólares.

É importante ressaltar que o mercado de moedas raras, como qualquer outro mercado de colecionáveis, é regido por uma série de fatores, como raridade, demanda, condição da moeda e valor intrínseco (como o valor do metal precioso na moeda). Portanto, para aqueles interessados em entrar nesse mercado, seja como colecionador ou investidor, é importante fazer uma pesquisa cuidadosa e, se possível, buscar aconselhamento de especialistas.

Os leilões de moedas raras são, sem dúvida, um aspecto fascinante da numismática, e um testemunho de como essas pequenas peças de metal podem carregar tanto história quanto valor.

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Sócio proprietário e fundador do Mais Minas e jornalista em formação pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Redator de cidades, tecnologia e política, além de link builder.