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Quinze videoclipes nacionais que marcaram a década de 2010

Na década de 2010, a pirataria parecia vencer a indústria fonográfica. Alguns já decretavam a “morte” da indústria da música. Mesmo com diversas operações policiais, a pirataria parecia não ter fim. Contudo, a música brasileira conseguiu dar a volta por cima e superar tudo isso. Claro, ela contou com a ajuda das plataformas de streaming e das redes sociais que proporcionaram uma maior proximidade e cumplicidade entre artista e fã.

No começo da década passada, as principais fontes de informações e divulgações de videoclipes eram as emissoras MTV Brasil e Mix TV, mas as duas encerraram suas atividades e foi aí que as redes sociais tiveram papel fundamental para suprir essa perda. Os artistas começaram a divulgar seus clipes nas redes de forma mais próxima do fã, podendo direcioná-los para o YouTube que conseguiu se fortalecer.

De lá para cá, o público se tornou mais exigente e os videoclipes começaram a surgir com mais qualidade, ainda que de uma certa forma simples. Também é importante ressaltar o expressivo crescimento de artistas drag queens no meio musical da última década. Lia Clark surge como a primeira drag queen cantora e compositora de funk; Pabllo Vittar foi a primeira drag queen a fazer sucesso a nível nacional e internacional; Gloria Groove foi a primeira drag queen a percorrer o rap, majoritariamente dominado pelo meio masculino.

Para relembrar, separei 15 videoclipes brasileiros que marcaram a década de 2010. Confira:

 

15 – Michel Teló: “Ai se eu te pego”

Recentemente, a Billboard classificou “Ai se eu te pego” como uma das cinquenta melhores músicas latinas da década. A música foi lançada em 2012 como o primeiro single do álbum “Na Balada” e tornou-se um sucesso nacional e internacional, tendo sido regravada por artistas da Polônia e Romênia. O próprio Teló gravou versões da música em inglês e espanhol.

O videoclipe da música é simples: o cantor está em cima de um palco cantando a música e o público o acompanha do chão, mas o que chama a atenção no clipe é justamente a interação das pessoas com a letra da música e a retribuição de Teló fazendo caras, bocas e acenos.

Atualmente, o vídeo da música está caminhando paras os 900 milhões de visualizações no YouTube. Foi dirigido por Fernando Hiro e Junior Jacques. Assista:

 

14 – Tulipa Ruiz: “Só sei dançar com você”

Tulipa é um dos nomes promissores da década passada, ao lado de Tiê e Céu, por exemplo. As três tem um potencial enorme. O álbum “Efêmera” foi lançado em 2010 e foi produzido pelo seu irmão, Gustavo Ruiz, que também assina três canções: a faixa-título “Efêmera”, “Do amor” e “Brocal dourado”.

“Só sei dançar com você” é a última música do álbum e fez parte da trilha sonora da novela “Cheias de Charme” (2012). A música, infelizmente, não tem clipe oficial, mas a Unha de Gato Produções, produtora audiovisual de São Paulo, gravou um vídeo inspirado na ação “Escuto histórias de amor” de Ana Teixeira, realizada entre 2003 e 2013, em diversos países, e eles utilizaram essa canção da Tulipa como trilha. Resultado? As cenas e as músicas se encaixaram tão bem que o vídeo já tem mais de 15 milhões de visualizações no YouTube.

 

13 – Gaby Amarantos: “Xirley”

Gaby Amarantos tornou-se conhecida em 2012 com seu single “Xirley”, que faz parte do álbum “Treme”.

O clipe da música tem certa semelhança com o clipe de “Come Into My World” da australiana Kylie Minogue, lançado em 2002, onde ela vai andando por um quarteirão da cidade no subúrbio de Boulogne-Billancourt, em Paris, França. Cada vez que o circuito da área é concluído, uma nova Kylie sai de uma loja e cada uma delas vai repetindo o percurso e gestos da primeira Kylie.

Em “Xirley”, não há clones de Gaby Amarantos, ela surge como Xirley Xarque, uma mulher pobre que faz da pirataria um degrau para sucesso. A personagem dá voltas no mesmo ambiente e cada vez que o circuito da área é concluído, tudo  se modifica e evolui, assim como Xirley, que sai do anonimato para o estrelato com sua própria gravadora.

O clipe começa com um destaque na frase “Caminhada contra a corrupção, pela vida, pela paz.”, estampada na camisa de uma mulher, e termina com uma mensagem contra a pirataria com letras subindo bem ao estilo “Star Wars”.

O clipe foi roteirizado e dirigido por Priscilla Brasil.

 

12 – Preta Gil: “Só o amor”

Quatro mulheres trans protagonizam o clipe de “Só o amor”: Paola Valentina, produtora cultural; Paula Beatriz, diretora de escola; Emanuelle Bernardo, enfermeira; Marcela Bosa, gerente de banco. Cenas do cotidiano delas são apresentados em preto e branco. Numa verdadeira celebração pela diversidade, as cores do arco-íris se fazem presente como símbolo e sinônimo de luta.

O clipe ainda tem as presenças de Glamour Garcia, atriz trans que interpretou a Britney na novela “A Dona do Pedaço”, e Gloria Groove que canta com Preta.

Há um documentário no YouTube que apresenta cada uma das trans que aparecem no clipe.

O roteiro e a direção do clipe é de Rodrigo Pitta.

 

11 – Jaloo: “Chuva”

Jaime Melo Maciel Júnior, mais conhecido como Jaloo, vem de Castanhal, no estado do Pará, é um dos nomes promissores da música brasileira atual. “Chuva” faz parte do seu primeiro álbum, o “#1”, lançado em 2015. O clipe foi dirigido pelo próprio cantor e foi gravado na cidade paulista de Campos do Jordão.

Simples e grandioso são adjetivos que definem bem o clipe que possui uma fotografia impecável e de magnetismo avassalador. Jaloo aparece fazendo “uma performance com uma delicada coreografia em looks exuberantes na paisagem serrana de Campos do Jordão”, como bem diz a legenda do vídeo no YouTube.

Atuando como se fosse uma entidade da natureza, ele “cresce” e se transforma numa divindade que traz a chuva como se estivesse purificando a natureza.

 

10 – Rubel: “Quando bate aquela saudade”

Esse é o primeiro single do cantor e compositor carioca Rubel, lançado em 2013 e relançado em 2015. A faixa faz parte do álbum “Pearl” e, se você ainda não ouviu, ouça, porque é incrível e muito bem produzido com sete belas canções.

O  clipe começa com um homem (Bráulio Giordano) correndo e uma criança (Otávio Martins) subindo escadas e parando à beira de um trampolim bem alto, prestes a pular em uma piscina. Em seguida, outros personagens vão surgindo, cada um deles parece estar com saudades de algo ou alguém, alguns parecem aflitos.

Em entrevista ao site Rockimpress, Rubel disse que o vídeo é “sobre não poder estar com a pessoa que você quer e como isso se traduz de milhares de formas diferentes. Aí o roteiro foi uma busca de traduzir esse sentimento de falta de uma forma que fosse interessante”

A direção do clipe ficou a cargo do próprio músico.

 

09 – Karol Conka: “Maracutaia”

Muitos, provavelmente, vão me criticar por não incluir aqui “É o Poder”, “Tombei” ou o recente “Cabeça de Nego”, da curitibana Karol Conka, mas permitam-me dar um ênfase ao que, talvez, seja o clipe menos conhecido da artista: “Maracutaia”.

O clipe da música foi lançado em 2016, tem produção de Tropkillaz e David Marroquino, roteiro de Luciana Cardoso e Danilo Janjacomo e direção de Brendo Garcia e Adriano Gonfiantini. E tem participação do casal de atores Lázaro Ramos e Taís Araújo.

O clipe, leve e animado, de certa forma, contrasta com a letra forte da música e a percussão do Pretinho da Serrinha, o que torna o conjunto da obra totalmente agradável. A produção conta a história de malandro que é submisso à mulher que ama e que faz dele gato e sapato.

 

08 – MC Tha: “Valente”

Thaís da Silva, mais conhecida como MC Tha, é uma funkeira paulistana que consegue unir Funk, MPB e Umbanda de uma maneira ímpar. Ela começou a carreira cantando em bailes funks do bairro Cidade Tiradentes, zona leste da capital paulista. Aliás, esse foi o primeiro bairro a receber o Funk carioca no começo dos anos 2000.

O clipe foi dirigido pelo cantor Jaloo, que vimos acima, e lançado em 2018. A produção mostra a cantora em plano sequência com seu cabelo cobrindo o rosto e duas mãos que surgem detrás dela e faz uma coreografia elaborada por Yorrana Soares, que também faz a performance. A música fala sobre coragem, luta e liberdade.

 

07 – Inquérito: “Eu só peço a Deus”

Para quem não conhece, “Inquérito” é um banda de rap que surgiu em 1999 na cidade paulista de Nova Odessa. Em 2015, o grupo lançou o clipe de “Eu só peço a Deus”, dirigido por Levi Riera. A música faz parte do álbum “Corpo e Alma” e tem sample de “Malandragem” de Cássia Eller.

O clipe se passa no período da escravidão, em 1850, no estado de Minas Gerais e começa com um escravo fugindo do seu capataz. Capturado, ele aparece usando uma Máscara de Flandres, instrumento usado no período da escravidão para impedir que os escravos ingerissem alimentos ou bebidas. O clipe segue com escravos trabalhando e sendo torturados e humilhados.

Esse é um dos melhores clipes de rap da década.

 

06 – Edi Rock: “That’s my way”

Edivaldo Pereira Alves, vulgo Edi Rock, é um rapper brasileiro conhecido por fazer parte do grupo de rap Racionais Mc’s. Em 2012, ele lançou a música “That’s my way” com participação de Seu Jorge e Leon Mobley. A faixa faz parte do álbum “Contra nós ninguém será”.

O clipe foi filmado no Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro, e é protagonizado pelo ator Darlan Cunha (“Cidade de Deus”) mostrando a batalha diária que um jovem negro e favelado tem que enfrentar para se agraciar da beleza do Rio de Janeiro, supostamente destinada à elite.

A direção ficou a cargo de Rabu Gonzales.

 

05 – Fresno: “Hoje sou trovão”

Com participações do rapper Rashid e do cantor Caetano Veloso, o clipe de “Hoje sou trovão” é protagonizado pelo ator Ícaro Silva (“Malhação”). Originalmente, a música faz parte do álbum “A sinfonia de tudo que há”, lançado em 2016, e com a participação de Caetano Veloso. Em 2018, ela ganhou nova versão, a participação do Rashid e um clipe.

No clipe, Ícaro Silva aparece pintado e maquiado fazendo uma performance num ar psicodélico ao ritmo da música. A direção é de Rafael Rocha.

 

04 – Priscilla Alcantara: “Empatia”

Em 2018, a cantora, compositora e atriz Priscilla Alcântara lançou o álbum “Gente” com uma pegada pop-eletrônica. À época do lançamento, ele foi o mais comentado nas redes sociais. Do álbum, a cantora lançou quatro videoclipes incríveis: “Tanto faz”, “Liberdade”, “Me refez” e “Empatia”.

O clipe de “Empatia” é de arrepiar! Dirigido por Gil Morais e roteirizado também por Gil e Alyne Morais, ele retrata questões atuais como a homofobia, racismo e suicídio mesclando com histórias bíblicas, como é o caso da Santa Ceia, o Lava-Pés e o apedrejamento, o arrependimento e o perdão que proporcionam uma reflexão impactante.

 

03 – Johnny Hooker: “Amor marginal”

Johnny Hooker tem uma voz poderosa. Oscilando entre o POP e o Rock, ele foi eleito Melhor Cantor na categoria Canção Popular do Prêmio da Música Brasileira em 2015. Pernambucano e neto de Irlandês, suas referências vão de Madonna a David Bowie. Do seu álbum de estreia, o aclamado “Eu Vou Fazer uma Macumba pra Te Amarrar, Maldito!”, lançado em 2015, vem a música “Amor marginal”, escrita pelo próprio cantor.

O clipe da música tem direção de Matheus Senra e mostra a história de um casal problemático que briga e ao mesmo tempo se ama numa praia. Participam do clipe Carol Macedo, Ariclenes Barroso e Luis Miranda. A música fez parte da trilha sonora da novela “Babilônia” (2015), na Globo.

 

02 – Elza Soares: “Mulher do fim do mundo”

Esse não é um clipe qualquer, ele é o primeiro videoclipe da carreira da grande Elza Soares. O título “Mulher do fim do mundo” é também o nome do álbum, lançado em 2015, e que conquistou o prêmio de Melhor Álbum de Música Brasileira no Grammy Latino.

O clipe foi dirigido pela cineasta Paula Gaitán e mostra imagens da cantora em plano fechado e cenas dos atores Rene Castillo e Daniel Passie e das atrizes Grace Passô, Mariana Nunes e Mafalda Pequenino que se intercalam.

Na música, Elza canta sobre si mesma, sobre sua superação e sobre a alegria do Carnaval que superou as dores da vida. É a conversão do sofrimento em alegria: “Meu choro não é nada além de carnaval, é lágrima de samba na ponta do pé…”.

A música também faz parte da série brasileira “3%” na Netflix.

 

01 – Emicida: “Crisântemo”

Crisântemo não é música, é poesia. Crisântemo é uma flor muito comum em velórios e no clipe ela simboliza a perda do pai do cantor. Já para a tradição chinesa, a flor tem o poder de proporcionar longa vida e força. Os acontecimentos posteriores à morte do seu pai são narradas de forma tocante no clipe, que foi dirigido por Fred Ouro Preto e gravado numa ocupação, em São Paulo. Curiosamente, não há flores no clipe, as cenas, todas em preto e branco, apresentam a saga de sua família na periferia de São Paulo.

Dona Jacira, mãe do rapper, faz uma participação no clipe lendo um texto autobiográfico sobre a morte do marido.

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