Rima em Prosa #18: WC no Beat apresenta o disco “GRIFF”

Faltam sete dias para o lançamento de GRIFF, o novo disco de WC no Beat. Previsto para chegar às plataformas digitais no dia 20/08, o álbum tem mais de trinta participações confirmadas e é o segundo trabalho da carreira do beatmaker, que também é o autor de 18K, lançado em 2018. Até aqui, já tivemos o lançamento de três singles que compõem esta nova obra: Sem Limites (com Ludmilla e Vitão), Balança (com Pedro Sampaio e FP do Trem Bala) e Festinha do WC (com Kevin O Chris, Felp 22 e MC TH).

Na semana passada, em uma publicação no seu Instagram, o produtor revelou todas as participações do álbum. Veja os artistas confirmados: Anitta, Buchecha, Dfideliz, Dilsinho, Felp 22, Djonga, FP do Trem Bala, Karol Conka, Jovem Dex, Kevin O Chris, Ludmilla, Luccas Carlos, MC Don Juan, MC Cabelinho, MC GW, MC G15, MC Hariel, MC Kekel, MC Lan, MC Maneirinho, MC Mirella, MC Rebecca, MC TH, MC Zaac, Meno Tody, PK, Nog, Pocah, Pedro Sampaio, Preto Show, Vitão, Reik e Xamã.

+ Em entrevista, Alt Niss fala sobre A Linha Tênue, Imensidão, Rimas & Melodias e o impacto da pandemia no meio musical

Convidado desta semana na Rima em Prosa, WC nos contou sobre o processo de produção de GRIFF, as suas estratégias para emplacar o disco mesmo sem a ajuda de shows, sua percepção quanto ao mercado musical no pós-pandemia e mais. Confira a entrevista:

GRIFF

MM: Você prepara, para os próximos dias, o lançamento de GRIFF, o seu novo disco. Como foi feita a seleção de artistas para o projeto? Quanto tempo levou a produção total do álbum?

WC: O disco vem com 33 participações e a seleção foi feita por musicalidade. O que combinava com o que, com quem. Foi tudo pensado desde o primeiro momento que a gente decidiu fazer o álbum. E o disco levou dois anos para ser concluído. Entre gravações, sessões de estúdio e viagens gravando vozes pelo brasil, e logo menos vai estar disponível pra geral.

MM: De que forma a pandemia afetou a produção e o lançamento deste trabalho?

WC: O disco era pra ter sido lançado no começo do ano, mas como a gente não sabia que essa pandemia toda ia chegar, e que ia durar esse tempo todo, acabamos tendo o planejamento um pouco atrapalhado. Mas tudo vem por um propósito, né? Tudo vem por um sentido. A pandemia nos atrapalhou, mas também deu tempo de eu lapidar mais o projeto e pensar mais um pouco. Eu pude lapidar mais a joia. Porque um álbum com 33 participações precisa ser uma joia bem lapidada.

MM: Você pode nos revelar quantas faixas terá o álbum? Dentro dele, todas as músicas são voltadas para o trapfunk de pista ou teremos outros estilos também?

+ Em entrevista exclusiva, Don L fala sobre Costa a Costa, quarentena, novo single e protestos antifascistas

WC: Vão ser 13 faixas, com 33 participações. Todas tem seu estilo diferente do trapfunk, depende do tipo de artista. Vários artistas que cantam outros estilos musicais dentro de um trapfunk. E eu trouxe todos eles pra esse meu mundo, sabe? Trouxe a galera que canta funk pro trapfunk. Que canta rap pro trapfunk. Quem é do pop pro trapfunk. Eu quero disseminar o trapfunk como um gênero musical.

MM: Lançar o álbum durante a pandemia não te preocupa? Quais estratégias você pretende aplicar para manter o disco em alta até o fim desta situação toda?

WC: Nós, em conjunto com a Sony e a Medellin Records, estamos trabalhando o marketing do disco de uma forma diferente. Quem observou ultimamente meu Instagram, percebeu que eu arquivei todas as minhas fotos e comecei a fazer uma contagem regressiva, causando atenção e curiosidade no público. De primeiro momento, a galera achou que eu tinha sido hackeado, mas, eu e o meu parceiro Gui Araújo estávamos lá depois explicando sobre tudo que estava acontecendo com esse marketing totalmente novo. E eu acredito que a galera tá em casa e quer consumir ainda mais música. Por um lado, atrapalhou, mas por outro ajudou o nosso marketing. A galera tá ansiosa por novos lançamentos, por novas informações e eu tô aí pra suprir toda essa necessidade com um álbum gigantesco.

MM: Falando para os ouvintes, o que você diria que eles vão encontrar em GRIFF que não conseguem achar em nenhum outro disco?

WC: Falando para todo mundo que vai ouvir GRIFF no dia 20 de agosto: pode ter certeza que tá diversificado. E a primeira impressão é: como o WC conseguiu juntar todos esses nomes em um projeto só? Eu quero muito que esta seja a primeira percepção. E acredito que vai ser com músicas boas, com trapfunk de qualidade e vai ser um modo renovado do WC no Beat.

Percepções sobre o mercado musical

MM: Você acredita que após o fim da pandemia teremos um aumento na demanda de shows e eventos musicais? Seus contratos e vínculos foram afetados ou você conseguiu manter tudo certo?

WC: Olha, eu acredito que no fim deste período muita coisa vai mudar em relação ao entretenimento e shows. E lógico que a demanda vai aumentar de primeiro momento. Acabou a quarentena, todo mundo quer fazer festa, né? Até pra comemorar o fim da pandemia. O que acho justo. Também para seguir a vida, né? Todos nós precisamos trabalhar. Não só os artistas, como produção e todo mundo que tá no backstage. E sobre os meus contratos, assim… Todos os meus shows, para 2020, até então, não tem previsão, sabe? Mas, acredito que até o ano que vem teremos uma vacina e que a gente vai poder fazer todos esses shows que ficaram de 2020.

MM: Durante este período, você conseguiu descansar ou foi só correria por conta do disco? Já deu pra sentir saudades da rotina de shows?

WC: Nessa vida que a gente leva, nós nunca descansamos de fato. Sempre muita correria pro disco, pros videoclipes… Antes dessa pandemia gente já tava trabalhando em todos os clipes e eu tô sim com muita saudade de fazer show. De sentir a energia do público. De sentir a conectividade. Até porque, nos meus shows eu gosto de botar a galera pra ferver mesmo. E acredito que quem já foi nas minhas apresentações sabe. Sentir a energia do público tocando as suas próprias músicas é algo avassalador. E eu tô muita saudade disso.

MM: Como produtor, você busca ficar de olho em todas as novas tendências musicais que têm surgido? Você acompanha alguma cena diferente, fora da brasileira e da americana?

WC: Eu sou um cara muito eclético. Eu gosto de ouvir muita coisa. Eu tenho fontes que, sinceramente, poucas pessoas no Brasil conhecem. De música. De ouvir. De procurar. E eu sou um cara que tá atento ao mercado musical. Nós, DJ’s e produtores musicais, precisamos estar ligados ao público e por dentro do que eles consomem. Por dentro de quais são as novas tendências. E eu tô sempre aí, ligado e sintonizado em tudo que vem de novo e também estudando tudo que é antigo. Porque eu acho que é uma obrigação você estudar o que é o antigo para poder entender o que é o novo, né? E eu acompanhado a cena.

Ela mudou muito desses tempos pra cá. Pela influência da internet, muitas pessoas com uma câmera na mão e pouco dinheiro conseguem fazer um estúdio em casa e gravar clipes. E hoje isso tá sendo muito importante. E sim, eu ouço outras coisas fora da cena americana. Eu ouço rap da europa, eu ouço rap de outros lugares. Fora isso, eu tenho que fazer minhas músicas, né? Caço batidas, samples. Tudo isto a gente tem que estar atento.

MM: Dentro do meio do rap, novos estilos têm surgido. Alguns destes movimentos, como grime e drill, tem até mesmo cenas próprias. Você conhece essas vertentes? Tem vontade de utilizar estas e outras novas musicalidades em futuros trabalhos?

WC: A cena do rap vem se inovando, né? A gente já ouviu grime, já ouviu drill e tem tempo que esses dois estilos tão na rua. Mas agora que eles tão realmente recebendo seu devido reconhecimento. Eu sempre ouvi, sempre tive ligado e eu tenho sim muita vontade de utilizar essas vertentes no meu mundo, no meu universo. Acredito que é só questão de tempo de ter uma ideia de misturar o funk e o trapfunk com estas duas cenas.

Origens e parceria com Karol Conka

MM: Muitos fãs têm dúvidas quanto à sua origem na música. Quem entrou primeiro na sua vida: o rap ou o funk?

WC: Eu comecei, a partir dos nove anos de idade, fazendo funk. A galera que me conhece sabe, que eu já tive canais no YouTube. Depois, quando eu tava com meus 14 pra 15 anos, eu comecei a fazer rap e dali eu nunca mais parei. Neste período eu obtive todo o meu conhecimento de produção e conheci pessoas que me fizeram evoluir mais nesse estilo musical, que é o rap. De lá eu nunca mais parei. Depois dos meus 15 anos e de conhecer o rap, eu nunca mais parei, até em 2018 lançar o meu primeiro disco de trapfunk.

MM: Um dos seus trabalhos mais recentes é a faixa Tempos Insanos, feat que você fez com a Karol Conka. Como foi voltar a trabalhar com ela? Como se desenvolveu a produção dessa música?

WC: Bom, a Karol Conka me conhece desde que eu era menor de idade. Eu tenho 25 e ela me conheceu quando eu tinha 17 anos. Pelos caminhos mesmo, a gente não conseguiu fazer um trabalho desde lá. Mas como a gente tem essa amizade de longa data, em um momento surgiu uma oportunidade dela trabalhar comigo numa música com Djonga e Rebecca. A Nossa Que Isso. Agora eu tive esse prazer imenso de trabalhar com ela nessa faixa que conta a colaboração de dois produtores gringos. Inclusive, um trabalha com a Ariana Grande. Neste exato momento ele tá produzindo o disco dela. E foi muito maneiro fazer essa ligação de amizade. Eu queria muito fazer um som com a Karol Conka e a gente fez dois. Isto que é muito maneiro. Acredito que vai ter aí uma parceria de vida por muitos anos.

A cena do Espírito Santo

MM: Além do WC no Beat, outros grandes artistas capixabas têm estourado no meio do rap. Você tem uma relação próxima com alguns deles?

WC: O WC no Beat foi muito importante pra cena capixaba. Até para expandir e disseminar novos artistas no estado do Espírito Santo. Eu sou muito amigo do Dudu, do VK Mac também. Dos produtores de lá. Eu tenho muitos alunos lá que eu ensinei e deixei tudo antes de vir pro Rio de Janeiro. Deixei todo o meu conhecimento de produção. O Moyz no Beat, o Tibery. Tem o Cesar também, que é brother e que eu acompanho desde lá nos primórdios. Cara, tem uma galera que tá surgindo no Espírito Santo, entre produtores e MC’s, que tá despontando muito na cena. No funk também e no rap. E acredito que é só questão de tempo pra gente ser destaque dentro do cenário brasileiro.

MM: No futuro, você pretende desenvolver algum projeto ou mais colaborações com artistas do Espírito Santo?

WC: Eu tenho muita vontade, sim, de fazer um projeto colaborativo com muita gente do ES. Eu penso nisto para o futuro. É só questão de tempo. É só questão de eu fincar a bandeira do trapfunk e mostrar que ele é um gênero musical.

Rima em Prosa é a coluna especializada em rap do Mais Minas. Nela, são publicadas notícias, matérias e entrevistas relacionadas à tudo de principal que tem ocorrido no rap nacional. Caso tenha gostado da entrevista com o WC no Beat, recomendamos a leitura de nossas matérias com Ecologyk, Aka Rasta e Budah.

Comentários