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Cadê a água que estava aqui? ³

Este é o terceiro e último dos nossos artigos sobre a falta de água no município de Ouro Preto, um especial que reuniu três textos. No primeiro, falamos sobre a importância da educação ambiental e de uma ideia simples de adaptar a TBO proporcional ao consumo para os grandes empresários. Já no segundo mostramos como o problema hídrico da cidade não é de hoje e como os distritos, em especial, ficam abandonados quando este bem natural não está em abundância.

Na resenha desta quinzena queremos discutir medidas práticas para sanar (ou minimizar) este verdadeiro problema que aflige tanta gente. A primeira das medidas, a meu ver, seria socializar a falta d´água.

Não é segredo para ninguém que todo inverno as torneiras secam na cidade patrimônio mundial, mas curiosamente somente nos mesmos bairros. Estranhamente os aglomerados urbanos mais humildes são os mais atingidos. Seria coincidência? Claro que não!

Esta é uma ação típica em todo lugar, se vai faltar algum recurso, que falte para quem menos tem, pois quem mais tem irá criar caso antes. Isto é um enorme desrespeito e absurdo com a população menos favorecida economicamente!

Uma medida simples que poderia minimizar esta vexatória situação seria um calendário de distribuição e interrupção do fornecimento público de água, amplamente democrático e, principalmente democrático, ou seja: dividir a escassez entre todos, não somente com alguns. O que temos hoje é exatamente o contrário, pois além de faltar água com mais frequência nos mesmos bairros, alguns dificilmente ficam sem este bem natural. Além disso, não é publicizado de maneira adequada o horário de distribuição hídrica, deixando muitos moradores na espera eterna da chegada de água para realizar seus afazeres domésticos, isto é um grande desrespeito.

Outra ideia simples seria levar para os grandes grupos empresariais o prejuízo coletivo. As grandes mineradoras e empresas de Ouro Preto, até onde sei, não sofrem (nem nunca sofreram) com a interrupção do abastecimento de água. Tendo em vista a ideia de socializar o prejuízo, nada mais justo que todos (literalmente) dividam este ônus até que se resolva de fato este problema.

Além destas duas ações emergenciais, é preciso se pensar em uma solução real para esta situação calamitosa. E isso não é tão simples, pois perpassa por uma política pública de saneamento ambiental que envolva dois fatores:

  1. Visita e combate ao desperdício de água ao longo da captação de água nos aquíferos, nascentes ou poços artesianos: Neste caso, seria importante que houvesse uma equipe do SEMAE responsável por vistoriar todas as captações apresentando relatórios mensais da situação de cada local, reparando obras mal feitas, consertando penas d´água rompidas e refazendo ligações antigas. O que existe hoje são ações pontuais e mal organizadas desta ideia.
  2. Legislação municipal de uso responsável dos recursos hídricos. Atualmente não temos uma lei específica sobre o uso de água em Ouro Preto. Assim, uns desperdiçam e todos pagam o pato, obrigando, inclusive, o município a situações curiosas, como o decreto n°. 4.921 de 18 de setembro de 2017, que declara o estado de emergência local ao penalizar os abusos cometidos pelos cidadãos menos conscientes, como por exemplo, ficar jogando água para varrer a calçada. Será que legislar não seria mais fácil que promulgar decretos emergenciais?

Assim, com uma série de diferentes propostas ao longo destes três artigos, encerro este especial sobre água, torcendo que todos e todas, gestores ou leitores, lembrem-se que sem este bem natural não existe vida! Ou entendemos que estamos todos no mesmo barco, ou nos ferraremos juntos.

Até a próxima.

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