Pedro Peixe | Capina? Qual capina?

Sem dúvida alguma a preguiça é um dos maiores defeitos que alguém pode ter. Este “pecado capital” pode se manifestar de diversas formas, como por exemplo, ter preguiça de se ler.

Não ler faz com que as pessoas se sintam suscetíveis daqueles que leem, ou que minimamente, fingem ler. Neste caso, o mais comum é reproduzir algo que alguém diz que leu, gerando uma troca de informações que ninguém questiona ser verdade, tornando-se verdadeiras lendas urbanas.

No meio político isso é muito comum. Fofoqueiros de plantão que vivem de disseminar mentiras e inverdades estão espalhados aos montes, inclusive em Ouro Preto.

A fofoca do momento é atribuir ao Conselho de Meio Ambiente (CODEMA) do município a aprovação do que chamam popularmente de “capina química”, algo proibido por lei municipal desde 2007 por conter produtos tóxicos para os seres humanos.

Como os propagadores de mentiras, seja por preguiça, seja por má fé, não gostam de ler, espalham algo que não é verdadeiro. A verdade é que testes com o uso de extrato natural pirolenhoso, foram aprovados por três meses no município.

Este extrato é um líquido obtido pela condensação da fumaça no processo da carbonização da madeira, portanto é um produto agroecológico desde sua fabricação. Realizar um experimento para verificar a qualidade de seu uso como capina natural é importante, até porque é assim que se desenvolve ciência, como foi este caso, onde houve apoio técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (EMATER-MG) para a realização do experimento.

Após os testes, que se encerraram no mês de Setembro, o assunto voltou para a pauta do CODEMA e foi aprovado por unanimidade que este extrato só será pautado novamente na reunião do Conselho caso haja parecer favorável da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), ou seja: caso haja garantias expressas que não existe risco algum para a sociedade ouro-pretana. Ou seja: pesquisar pode, usar de forma irresponsável não.

Causa espanto que pessoas de índole duvidosa propaguem mentiras deslavadas acusando uma das ferramentas mais democráticas da sociedade de responsabilidade de algo que não o cabe, uma vez que o aval para capina, de qualquer tipo que não seja a forma convencional, não foi dado pelo referido Conselho. Isso significa, portanto, que qualquer acusação do uso de herbicidas no combate a pragas urbanas no município de Ouro Preto é de inteira responsabilidade do poder público haja vista não existir autorização para tal nas atas deliberativas do CODEMA.

Evidentemente, que acusações precisam ser provadas, seja contra o Conselho de Meio Ambiente, a Prefeitura Municipal ou qualquer um, mas no país onde parte significativa do poder judiciário transformou a máxima de que “todos são inocentes até que se prove o contrário” em “todos são culpados até que se prove o contrário”, nunca é demais mostrar como fofocas podem trazer prejuízos para a sociedade civil organizada.

Preguiça de ler precisa ser combatida com estudo, aliás, estudar é a melhor forma de combater não só a preguiça, mas principalmente os fofoqueiros e os abutres de plantão.

Até a próxima.

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