O cantor e percussionista Carlinhos Brown se apresenta neste domingo, 17 de maio, ao lado da Orquestra Ouro Preto em um concerto gratuito na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. O espetáculo “Afrosinfonicidade” está marcado para as 18h e leva ao espaço público releituras sinfônicas de músicas da carreira do artista baiano.
O projeto reúne canções conhecidas do repertório de Brown em arranjos orquestrais desenvolvidos em parceria com a orquestra mineira. A apresentação integra a circulação do álbum gravado pelo grupo e pelo músico na Concha Acústica de Salvador.
Segundo o maestro Rodrigo Toffolo, a proposta da parceria foi destacar a dimensão autoral do trabalho de Carlinhos Brown além da associação tradicional do artista ao carnaval e aos trios elétricos.
Como nasceu o projeto “Afrosinfonicidade”?
A parceria entre Brown e a Orquestra Ouro Preto começou há cerca de dois anos e passou por apresentações em cidades como São Paulo, Salvador e Belo Horizonte.
De acordo com Brown, o amadurecimento do projeto aconteceu ao longo da convivência artística entre os músicos.
“A gente se amarrou mais. Esses dois anos serviram como uma maturação enorme para gerar um resultado. Agora vamos registrar”, afirmou o artista.
O concerto reúne músicas como “Segue o Seco”, “Maria de Verdade”, “Quixabeira”, “Já Sei Namorar” e “Amor I Love You” em versões que aproximam elementos da percussão afro-brasileira da formação sinfônica.
Para Rodrigo Toffolo, um dos principais elementos da apresentação está no encontro entre os músicos da orquestra e os percussionistas que acompanham Brown desde a época da Timbalada.
“É quando você coloca essa percussão genuína para funcionar junto da orquestra. Esse é o grande tempero do encontro”, afirmou o maestro.
Música, memória e espaço público
Durante entrevista ao Estado de Minas, Brown relembrou a origem da canção “Frases Ventiais”, lançada originalmente no álbum “Alfagamabetizado”, de 1996.
Segundo o músico, a composição nasceu após uma visita a um assentamento no interior da Bahia. Ao comentar sobre panelas cuidadosamente organizadas em uma casa, ouviu de uma moradora a frase: “Quem dera ter o que botar dentro”. A lembrança acabou transformada em música.
A nova versão da canção passou por adaptações para o formato sinfônico e integra o repertório do concerto.
A apresentação na Praça da Liberdade marca também a chegada do projeto ao espaço aberto após temporadas em teatros e salas de espetáculo.
“A contemporaneidade está pedindo encontros. Encontros, não separações”, afirmou Rodrigo Toffolo ao comentar a escolha do local para o concerto.







