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Como o tridimensional ajuda a ciência

Elis Bohrer 30 de agosto de 2021 às 13:33
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3 min
Imagens: Nanographics GmbH
Imagens: Nanographics GmbH

Pesquisadores da China, da Áustria e da Arábia Saudita uniram-se em um feito histórico para a humanidade: a realização da primeira imagem real e tridimensional do Sars-CoV-2, o coronavírus responsável pela transmissão da Covid-19. A partir dela é possível uma representação fiel da forma e das partes que integram o vírus, o que facilita os estudos sobre o combate à pandemia.

A obtenção da imagem ocorreu em janeiro deste ano, por meio da técnica de tomografia crioeletrônica. Essa tecnologia escaneia uma mostra congelada com o auxílio de um microscópio eletrônico e converte os dados em imagens 3D por meio de algoritmos.

O trabalho foi desenvolvido pela Universidade de Tsinghua, na China, em parceria com a Universidade de Ciência e Tecnologia Rei Abdullah, na Arábia Saudita, e com a participação Nanographics, empresa fundada por cientistas da Universidade de Viena, na Áustria.

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Este é um dos exemplos que mostram como o tridimensional tem aplicações importantes. A compreensão das três dimensões: altura, largura e profundidade sai dos livros de matemática e de física para estar presente em situações corriqueiras do dia a dia e, também, em tecnologias que possibilitam os avanços na ciência.

Durante a realização do Congresso Internacional de Matemáticos (ICM), em 2018, no Rio de Janeiro, o matemático português Rogério Martins afirmou que o ser humano usa o espaço tridimensional para descrever a realidade física. “Em um elevador, só podemos ir para um lado e para o outro, para cima e para baixo”, exemplificou.

Compreender a tridimensão é explorar o mundo ao redor, com o auxílio das fórmulas matemáticas, como o Teorema de Stokes, que relaciona a integral de superfície do rotacional de um campo vetorial à integral de linha desse mesmo campo vetorial em torno da fronteira da superfície.

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A bioimpressão 3D e o futuro da ciência

A possibilidade de aplicar as três dimensões em tecnologias utilizadas pela medicina tem permitido avanços significativos na área da saúde. Os exames de imagem em 3D oferecem diagnósticos mais precisos, o que possibilita o tratamento no estágio inicial de doenças, assegurando maiores chances de cura e qualidade de vida ao paciente.

Por meio da ultrassonografia 3D, é possível que as mulheres identifiquem um problema de má formação no útero, por exemplo. Já a tomografia computadorizada de crânio com reconstrução tridimensional pode ser solicitada previamente a uma cirurgia para auxiliar no planejamento do procedimento.

Agora uma nova fase é aguardada pela ciência: o avanço dos estudos que utilizam a bioimpressão 3D, que como o próprio nome já diz é a impressão 3D dos materiais biológicos.

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Em dezembro do ano passado, o médico e pesquisador do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Gabriel Liguori, foi listado como um dos 35 jovens do mundo mais inovadores, na Innovators Under 35 LATAM I 2020, edição em espanhol da revista do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (IMT).

Ele é um dos fundadores da startup TissueLabs, responsável pelo desenvolvimento de materiais para a criação de órgãos e tecidos artificiais em laboratório. A ambição da empresa é desenvolver o primeiro coração bioartificial do mundo com a tecnologia da bioimpressão 3D.