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Conmebol, você é uma vergonha!

Em duelo contra o Boca Juniors, pela Copa Libertadores, Cruzeiro é prejudicado com uma das expulsões mais absurdas da história do futebol

Mais uma vez sou obrigado a adotar uma prática que me causa muito desgosto, que é ter de escrever sobre um assunto que excede o futebol jogado dentro das quatro linhas. Apesar da partida ter acontecido, com um final não tão feliz para o Cruzeiro, o que tomou conta dos noticiários nacionais e internacionais foi a bizarra expulsão do zagueiro Dedé. O defensor cruzeirense se chocou involuntariamente com o goleiro Andrada, do Boca Juniors. Após o fim da partida, várias teorias e movimentos surgiram na internet, inclusive com a hashtag “#VerguenzaConmebol” alcançando os trending topics mundiais (ranking de assuntos mais comentados da rede social Twitter).

O clássico sul-americano entre Cruzeiro e Boca Juniors tinha tudo para ser uma grande partida de futebol. Dois times tradicionais e com elencos recheados de bons jogadores; treinadores já experientes e com longos trabalhos a frente das equipes; um estádio místico e lotado; e a disputa de uma vaga para as semifinais da competição mais importante das Américas. Mas a bizarra atuação da equipe de arbitragem conseguiu roubar a cena.

O jogo corria normalmente até os 24 minutos da segunda etapa. A essa altura o Boca Juniors já tinha 1 a 0 no placar, com gol anotado por Zárate, aos 35 do primeiro tempo, e o Cruzeiro vinha em crescente na partida, na busca pelo empate. Até que, em disputa aérea na área, após cruzamento de Egídio, o zagueiro Dedé e o goleiro Andrada se chocaram, involuntariamente. O choque, violentíssimo, deixou o goleiro adversário “grogue” no chão e causou muita preocupação, inclusive no camisa 26 celeste, que foi o primeiro a pedir socorro ao colega de profissão.

Passados cerca de cinco minutos de atendimento médico, o árbitro da partida, o paraguaio Éber Aquino se dirigiu ao monitor de vídeo posicionado para conferência de lances polêmicos, alertado pelo VAR (árbitro de vídeo). Vendo as diferentes transmissões da partida no Brasil, foi unânime por parte dos narradores, comentaristas e repórteres a falta de entendimento do que poderia ter levado o juiz da partida a consultar a tecnologia. Nas rádios argentinas, inclusive, os narradores chegaram a temer a possibilidade de Éber Aquino estar considerando marcar um pênalti para o Cruzeiro.

Mas a decisão tomada pelo árbitro paraguaio, com o auxílio do VAR, foi a mais inesperada possível. O juiz puniu o zagueiro Dedé com cartão vermelho direto. O jogador que não era expulso desde 2010 e que não havia cometido uma falta sequer na partida foi expulso por um lance totalmente comum no futebol. Um acidente de trabalho. Não bastasse a inferioridade numérica, o camisa 26, melhor defensor do Brasil e talvez da América, na atualidade, ainda ficaria suspenso da partida de volta, a ser realizada no Mineirão, no dia 04 de outubro.

Um prejuízo imensurável ao Cruzeiro, que ainda desestabilizado pela expulsão bizarra e fragilizada por estar com um a menos em campo, levou o segundo gol seis minutos depois.

O sentimento nas transmissões, na saída de campo dos jogadores e comissão técnica, e pelas casas de Minas Gerais e do Brasil, era de simples e pura incredulidade. Torcedores de muitos times, brasileiros e sul-americanos, inclusive do maior rival, Atlético-MG foram as redes sociais demonstrar apoio ao time celeste. Afinal, a lista de absurdos da Conmebol contra os times brasileiros é extensa.

O Santos, foi o primeiro clube a se manifestar oficial e institucionalmente em apoio ao Cruzeiro. Lembrando que a equipe paulista foi punida, tendo um placar de 0 a 0 sendo revertido para 3 a 0 negativos, por escalação irregular de um jogador nas oitavas desta mesma edição da Libertadores, contra o Independiente, o que decretou a precoce eliminação da equipe.

Apesar de a escalação irregular ter acontecido de fato, a confusão pela possibilidade ou não do jogador poder ser escalado começou com um erro no aplicativo da própria Conmebol desenvolvido para avisar aos clubes de eventuais suspensões. Além da falha técnica, outro fato que causou a ira dos dirigentes santistas foi a situação do River Plate e do próprio Boca Juniors, que atuaram em diversos jogos da competição com jogadores irregulares, mas que, por brechas bizarras no regulamento da competição, não foram punidos.

Que as equipes brasileiras são sistematicamente prejudicadas na Libertadores, todos sabemos, mas a crise política e administrativa em que se encontra a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deixa os clubes ainda menos resguardados. Recentemente o presidente da CBF, Coronel Nunes, anunciou que não iria comparecer à reunião da Conmebol sobre a Copa América 2019, que acreditem ou não, será realizada no nosso país. Há também o conhecido desejo da expulsão de Nunes do conselho da associação que gere o futebol do continente.

Todas essas atitudes provém da quebra do acordo firmado entre as Confederações Americanas, para o voto nos Estados Unidos, Canadá e México como sedes da Copa do Mundo de 2016, pelo presidente da CBF. Num ato tão bizarro quanto a expulsão de Dedé, o mandatário do futebol brasileiro esqueceu que o voto não era secreto e votou no Marrocos para sediar o torneio mundial, fato que gerou grande revolta nas entidades aliadas e enfraqueceu ainda mais a Confederação Brasileira, internacionalmente.

Agora, o Cruzeiro prepara um pedido de recurso para anulação do cartão de Dedé, para que este possa atuar no jogo da volta, em BH, no dia 04/10. E, mesmo que o improvável aconteça e o cartão seja revogado, os danos já são grandes demais e as consequências do erro, como foi o segundo gol do Boca, irreparáveis.

O que aconteceu em Buenos Aires na noite de ontem (19) foi um escândalo e mancha ainda mais essa edição da Libertadores.

Posteriormente farei um texto falando exclusivamente do futebol das duas equipes e das chances do Cruzeiro de obter a classificação no jogo da volta.

#VerguenzaConmebol

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