Três torcedores do Cruzeiro foram condenados pelo Tribunal do Júri de Belo Horizonte pela participação em um ataque contra um ônibus coletivo que terminou com a morte de um torcedor do Atlético Mineiro, em novembro de 2021. A decisão foi obtida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e divulgada na quinta-feira (30).

As penas aplicadas aos réus foram de 48 anos e seis meses, 24 anos e 20 anos de prisão. Um dos condenados também recebeu sentença por cinco tentativas de homicídio envolvendo passageiros que estavam no coletivo durante a ação.
O caso aconteceu no bairro Novo das Indústrias, na região do Barreiro, após uma partida entre Atlético Mineiro e Fluminense, no Estádio Mineirão. Conforme a denúncia apresentada pelo MPMG, os acusados organizaram uma emboscada contra integrantes de uma torcida organizada rival que retornavam para casa pela linha de ônibus 6350 (Vilarinho/Barreiro).
Segundo o processo, o grupo utilizou um veículo para interceptar o coletivo e, na sequência, iniciou o ataque com pedras, barras de ferro, pedaços de madeira, bolas de sinuca e artefatos explosivos. Passageiros que tentavam deixar o ônibus pelas janelas também teriam sido atingidos pelos agressores.
Entre as vítimas, estava um jovem de 20 anos que não fazia parte de torcida organizada e não utilizava camisa de clube. Ele foi gravemente agredido durante a ação, chegou a ser levado para atendimento médico, mas morreu em consequência dos ferimentos.
Durante o julgamento, os jurados aceitaram as qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público, incluindo motivo torpe, emboscada e uso de meio cruel. A acusação também apontou que o ataque colocou em risco outros passageiros que estavam no transporte coletivo, incluindo pessoas sem relação com a rivalidade entre torcidas.
Após o crime, a Polícia Militar localizou e prendeu os envolvidos. No veículo utilizado pelos suspeitos foram encontrados materiais como bastões de madeira, artefatos explosivos de fabricação caseira, um soco inglês e fogos de artifício.
O julgamento dos réus havia sido realizado anteriormente, mas as decisões foram anuladas pela Justiça após o reconhecimento de irregularidades processuais. Com a realização de um novo júri, os acusados foram novamente submetidos à avaliação dos jurados e condenados.
Um quarto homem denunciado no processo teve o caso separado e ainda será julgado. Após a nova sentença, os mandados de prisão dos três condenados foram expedidos, e eles foram encaminhados ao sistema prisional.






