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Renê da Silva Nogueira Júnior, de 48 anos, preso pelo assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44, recebeu autorização judicial para iniciar um curso superior de Gestão Financeira na modalidade de Ensino a Distância (EAD). A decisão foi tomada em 29 de maio e estabelece que as atividades sejam acompanhadas de perto pela administração do Presídio de Caeté, onde o empresário está detido.

A autorização foi concedida pelo juiz Matheus Moura Miranda após um pedido apresentado pela defesa de Renê. Segundo a solicitação, o detento teve a matrícula aceita por uma instituição de ensino sem a necessidade de prestar vestibular, em razão de já possuir uma graduação. O procedimento de matrícula teria sido realizado por familiares, mediante procuração.

Apesar da autorização para estudar, a decisão impõe restrições ao uso da internet. O acesso deverá ocorrer exclusivamente para as atividades acadêmicas, sob “rígida supervisão” da unidade prisional. Caso Renê utilize a conexão para outras finalidades, o benefício poderá ser suspenso imediatamente e a conduta poderá ser considerada uma falta disciplinar.

Ao analisar o pedido, o magistrado considerou o direito à educação previsto na Constituição Federal e destacou a importância de atividades educacionais durante o cumprimento da prisão. Segundo a decisão, a participação em estudos e atividades de trabalho pode contribuir para a disciplina no ambiente prisional e para os objetivos de prevenção e ressocialização.

Histórico acadêmico voltou ao centro das atenções

A autorização para o novo curso ocorre em meio às controvérsias envolvendo o currículo acadêmico apresentado por Renê antes da prisão. Em seu perfil no LinkedIn, o empresário afirmava ter estudado em instituições como a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

As três instituições, porém, negaram vínculo com Renê, conforme informações divulgadas durante a repercussão do caso. A questão contribuiu para aumentar a exposição do empresário na imprensa.

Réu trocou de advogado

Renê também deixou recentemente a defesa comandada pelo advogado Bruno Rodrigues, que o acompanhou durante grande parte do processo. A saída ocorreu na sexta-feira (7), e posteriormente o escritório do profissional entrou com uma ação judicial para cobrar R$ 240 mil em honorários.

O processo foi protocolado nesta segunda-feira (10) na 3ª Vara Cível da Regional da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Segundo a ação, o valor estaria relacionado ao contrato firmado entre o advogado e o empresário, que previa pagamentos adicionais vinculados a determinados resultados no processo.

Um ano da morte de Laudemir, relembre o caso

A morte do gari Laudemir completa um ano nesta terça-feira (11). O crime ocorreu na manhã de 11 de agosto de 2025, durante uma discussão no trânsito em Belo Horizonte.

Na ocasião, o caminhão de coleta de lixo estava parado quando um veículo BYD cinza se aproximou pela direção contrária. Segundo as informações do caso, o motorista teria sacado uma arma e ameaçado a condutora do caminhão. Durante a ocorrência, um disparo atingiu Laudemir, que não resistiu aos ferimentos.

A data também marca a previsão de votação em segundo turno do Projeto de Lei 479/2025 na Câmara Municipal de Belo Horizonte. A proposta cria o Programa Municipal de Proteção e Valorização dos Profissionais de Limpeza Urbana (Progari), com medidas voltadas à segurança e à valorização dos trabalhadores do setor.

A proposta tramita no Legislativo municipal e tem votação prevista para esta terça-feira (11), justamente na data em que se completa um ano da morte do gari.

Carlos Daniel

Natural de Mariana (MG), jornalista formado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e apaixonado por futebol. Atua com reportagem, produção audiovisual e criação de conteúdo.