Um vídeo publicado pelo advogado criminalista Gustavo Ferreira ganhou repercussão nas redes sociais após mostrar o momento em que ele parabeniza um homem absolvido pelo Tribunal do Júri após matar o homem que, segundo a defesa, abusava sexualmente de sua filha.
De acordo com informações divulgadas pelos advogados do caso, o julgamento ocorreu no dia 2 de junho de 2026, no Tribunal do Júri da Comarca de Formiga, em Minas Gerais. O réu, identificado apenas pelas iniciais V.M.N., respondia à acusação de homicídio qualificado pela morte de E.P., em um fato ocorrido em 2020 no município de Pimenta.
Nas imagens divulgadas nas redes sociais, Gustavo Ferreira aparece conversando com o homem logo após o resultado do julgamento.
“Parabéns pela atitude que o senhor fez. O senhor é homem. Levanta essa cabeça, você não é bandido, não”, afirma.
Em outro momento do vídeo, o advogado declara:
“Parabéns pelo que o senhor fez. Se fosse com a minha filha, eu teria carregado o revólver e teria desferido mais 10, 15, 20 disparos se fosse preciso. O senhor é um herói.”
O defensor também diz:
“O senhor é um pai que no momento que não teve mais jeito de falar fez o que precisava ser feito. Parabéns.”
Segundo publicações feitas pelo advogado, o Ministério Público defendeu a condenação do acusado durante o julgamento. A defesa, por sua vez, sustentou a tese da clemência perante os jurados.
O que diz a defesa sobre o caso?
Após a repercussão do vídeo, os advogados divulgaram uma nota à imprensa com informações adicionais sobre o processo.
Segundo o comunicado, durante a instrução processual e o julgamento foram apresentadas provas documentais, periciais e testemunhais que, de acordo com a defesa, demonstrariam que a filha do acusado vinha sendo vítima de abusos sexuais praticados pela vítima ao longo de vários anos.
A nota afirma que a defesa sustentou em plenário que o acusado agiu movido pelo desespero diante do sofrimento prolongado da filha.
“Em plenário, a defesa sustentou a tese da clemência, defendendo que o acusado agiu movido pelo desespero diante do sofrimento prolongado da filha”, diz o documento.
Ainda de acordo com a nota divulgada pelos advogados, o Conselho de Sentença acolheu a tese defensiva e absolveu o acusado por quatro votos a zero.

Como o caso repercutiu nas redes sociais?
A publicação rapidamente se espalhou pelas redes sociais e gerou debates sobre os limites da atuação profissional de advogados, a decisão do Tribunal do Júri e os aspectos jurídicos do caso.
Apesar das discussões, a maior parte das manifestações registradas na publicação demonstrava apoio ao pai absolvido e à atuação da defesa.
Entre os comentários com maior número de curtidas, usuários classificaram o homem como “herói”, escreveram mensagens como “Aplausos para esse pai”, “Salvou a filha e muitas mulheres com certeza” e “Qualquer homem de verdade teria feito o mesmo”.
Outros internautas defenderam a decisão dos jurados, pediram homenagens ao acusado e elogiaram a atuação do advogado responsável pela defesa.
Também houve comentários afirmando que a absolvição representava um ato de justiça diante das circunstâncias narradas pela defesa durante o julgamento.
O que significa absolvição por clemência?
Ao comentar o resultado, Gustavo Ferreira afirmou que o homem foi absolvido por clemência dos jurados.
No Tribunal do Júri, os jurados respondem a uma série de quesitos relacionados à materialidade do crime, autoria e responsabilidade do acusado. Ao final, também analisam uma pergunta genérica sobre a absolvição.
Quando a maioria dos jurados opta pela absolvição mesmo sem acolher necessariamente uma tese clássica de defesa, como legítima defesa ou negativa de autoria, a decisão costuma ser chamada de absolvição por clemência.
Na prática, trata-se de uma hipótese em que o Conselho de Sentença decide absolver o acusado levando em consideração as circunstâncias apresentadas durante o julgamento. O mecanismo decorre da soberania dos veredictos do Tribunal do Júri, princípio previsto na Constituição Federal.
O que ainda não foi divulgado?
Embora a defesa tenha divulgado novas informações após a repercussão do caso, diversos detalhes do processo permanecem sem divulgação pública.
Não foram informados, por exemplo, os elementos específicos das provas apresentadas em plenário, o conteúdo dos laudos mencionados na nota ou os fundamentos utilizados pelo Ministério Público para sustentar o pedido de condenação.
Também não há informações públicas, até o momento, sobre eventual recurso relacionado à decisão do júri.







