França campeã do mundo: nessa hora ninguém é contra a imigração

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Após um mês de muito debate esportivo, chega ao fim o maior evento futebolístico do planeta. Com algumas zebras e muitas histórias curiosas, a Copa do Mundo da Rússia vai deixar saudades, mas também lições.

Um destes aprendizados é o de nunca subestimar, em teoria, o mais fraco. Talvez o ápice disso tenha sido a eliminação precoce da Alemanha, campeã mundial no Brasil, ainda na primeira fase, com direito a uma humilhante derrota para a Coreia do Sul.

Apesar de se aprender deste pequeno a nunca menosprezar o outro, quando se vê na prática uma situação tão desconcertante como esta, observa-se que realmente os mais velhos estavam certos neste velho ditado.

O segundo ensinamento observado é o de nunca desistir. A seleção croata, vice-campeã do mundo saiu atrás em todos os jogos eliminatórios, buscando o empate em todos e perdendo somente na final. O nível de doação da seleção da Croácia foi tão grande, que para se ter uma ideia, somente de tempos extras referentes a prorrogações, o time jogou uma partida a mais que todos os outros semifinalistas, mostrando como a força de vontade, somada à competência, pode nos levar além do que imaginamos.

Modric, craque e camisa dez da principal seleção dos Balcãs, foi eleito melhor jogador do torneio, também por sua dedicação em campo. Foi o atleta que mais correu ao longo de toda a Copa! Se alguns jogadores brasileiros tivessem se espelhado nele, talvez nossa sorte tivesse sido diferente…

Ainda a seleção croata, nos mostrou também a força da união. Após se recusar a entrar em campo nos minutos finais da estreia do time, o atacante Kalinic foi cortado não só da equipe, mas excluído, pelos próprios atletas, até mesmo dos grupos de whatsapp do time, mostrando como a vontade uma pessoa não pode estar acima dos demais, ou seja, quando os objetivos são claros, não existe espaço para a vaidade.

Apesar de todos estes exemplos, talvez a maior lição que observamos venha da França recém campeã. Em tempos de intolerância e com o discurso de ódio em alta, é extremamente simbólico que um país historicamente racista e xenofóbico (como quase toda a Europa) vença o maior torneio de futebol do mundo. Com 16 dos 23 atletas inscritos sendo imigrantes ou filho de imigrantes, a multiétnica seleção francesa bicampeã mundial tem raízes em 17 países diferentes, sendo estes: Espanha (Catalunha), Filipinas, Mali, Mauritânia, Senegal, Argélia, Itália, República Democrática do Congo, Haiti, Angola, Camarões, Guiné, Marrocos, Togo, Martinica e Guadalupe.

A vitória deste país é um tapa na cara dos que propagam a perseguição ao diferente, mostrando como não existe supremacia racial, um discurso de cunho nazista extremamente em voga não só na Europa (Áustria, Suíça e a própria França – família Le Pen – têm travado um forte debate acerca da questão da entrada de refugiados por suas fronteiras), mas também, infelizmente, no Brasil.

Para os que preferem arbitrar ideias que carreguem cunho racista ou xenofóbico, fica o exemplo do novo campeão mundial: não existem fronteiras para qualquer tipo de preconceito. Pense nisso, inclusive na hora de votar.

Até a próxima.

Leia também: Não dá pra não falar da Copa!

Postado em 16 de julho de 2018

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