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A covid-19 mostrou-nos o quanto somos ignorantes e frágeis

Rodolpho Bohrer 20 de outubro de 2020 às 21:21
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Foto: rawpixel.com
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A época em que vivemos colocou a humanidade em alerta. De um momento para o outro tudo o que tomávamos por certo se alterou. Segundo o filósofo e neurocientista Fabiano de Abreu vivemos uma época fora do normal que trará (como já acontece) variadas consequências.

“Os governantes não sabem o que fazem, a imprensa não sabe a quem cobra, as informações divergem, o ministério da saúde contradiz e a OMS contraria. E nós, necessariamente entramos numa espiral confusa e desencadeamos o maior número de casos de saúde mental da história. É a maior disfunção nos nossos mensageiros químicos da história da humanidade.”, relata Abreu.

Contudo, segundo o especialista, esta pandemia revelou outros dados importantes. 

Para Abreu, o surto da covid-19 foi importante para fazer compreender “a importância de um profissional como psicólogos e psicanalistas. Revelou a necessidade dos médicos se preocuparem cada vez mais com o cérebro humano e com o seu estudo, revelou o quanto somos frágeis e o quanto nosso lobo pré frontal nos fantasiou de um ego proveniente de uma capacidade ainda limitada.” 

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As situações inesperadas e que nos fogem do controle têm também a capacidade de nos colocar a pensar, de rever perspectivas.

“Não somos tão sábios como pensávamos, somos limitados, nossa região cerebral do raciocínio lógico ainda não evoluiu o suficiente e/ou nosso cérebro reptiliano nos mostrou que é mais forte e sempre será, pois nosso instinto de sobrevivência prevalece, mas está afetado pela evolução. Um vírus mata, derruba, um micro organismo desfaz uma sociedade. Nós, de civilizados não temos nada, ainda nos mostramos primatas que não consegue permanecer em um metro quadrado e nem obedecer regras. As ruas estão cheias, ninguém se cuida, ninguém liga, ninguém acredita, não há credibilidade.”, Analisa o filósofo.

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As consequências revelam-se em vários campos. E mesmo a nível social e político crescem as tensões.

“Falando em credibilidade, o governo está enfraquecido em qualquer país do mundo e é preciso uma pandemia para sentirem o quanto são incapazes de controlar uma sociedade. Mostram o quanto são limitados de conhecimento, o dinheiro não inventa vacina, não educa, não cria respeito. A terra, a quantidade de hectares, é o bem maior em um país já que a fome é algo em que devemos pensar, já que estamos neste mundo para sobreviver. “., frisa.

Analisando o percurso do ser humano, o filósofo crê que “Ainda estamos longe de sermos civilizados como um todo, sofremos dos mesmos problemas da era medieval só que com trajes mais bem elaborados e tecnologia que ao invés de resolver só nos adoece. Isso é porque não sabemos nos adaptar e somos tão frágeis que adoecemos por qualquer mudança.”.

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Infelizmente a incerteza impera. Ninguém mais sabe onde mora a verdade e a razão. 

“No final, quem tinha razão? A Suécia liberou tudo no início e hoje tem menos caso, Portugal trancou seu povo no início e agora deslanchou de casos e o Brasil? Este é uma confusão só, pois a política predomina acima da saúde e de qualquer razão. E quem disse que alguém conseguiria controlar um povo como o brasileiro que sempre pensa ter razão na sua própria razão? 

A covid-19 só nos provou o quanto somos imaturos, limitados e se serviu de lição para melhorarmos? Não. Vai ser tudo igual. Precisaria um vírus zumbi para dar impacto e acreditarmos que temos que, acima de tudo, sermos humanos e civilizados.”, concluí Abreu.

Texto de Jennifer da Silva / Suporte MF Press Global