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Em Minas Gerais, 54,9% dos casos confirmados de coronavírus são de pessoas de cor não identificada

Rômulo Soares 26 de junho de 2020 às 16:39
Tempo de leitura
3 min

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) divulgou o Boletim Epidemiológico do coronavírus nesta sexta-feira (26), mostrando 27 óbitos tendo o coronavírus (COVID-19) como causa em 24 horas, além de 6.122 confirmações da doença. Com isso, Minas Gerais tem 38.891 casos confirmados. Estão em acompanhamento 17.938 casos e são 20.120 casos recuperados. Até o momento, foram confirmados 833 óbitos.

Com isso, fazendo uma análise mais profunda no Boletim Epidemiológico é possível ver que, do total, 54,9% dos casos confirmados de coronavírus, em Minas Gerais, são de pessoas de cor não identificada. Outros 18,7% são de pessoas brancas, 18,2% da cor parda, 5,3% da cor amarela e 2,9% são pessoas pretas.


Em Minas Gerais, 54,9% dos casos confirmados de coronavírus são de pessoas de cor não identificada
Foto: SES-MG

Agora, sobre o número de óbitos por coronavírus, 36,9% são de pessoas brancas, 33% da cor parda, 21,1% da cor preta, 8% não identificado e 1% de pessoas amarelas.

Em Minas Gerais, 54,9% dos casos confirmados de coronavírus são de pessoas de cor não identificada
Foto: SES-MG

Esses dados mostram a dificuldade de identificação da cor de pele da população brasileira. Em censos e questionários que analisam e relatam sobre a identidade racial do brasileiro, cinco são as categorias apresentadas: branco, preto, pardo, amarelo ou indígena. Porém, existem três modos de classificação racial: o modo oficial (usado pelo IBGE), o popular (que se trata de uma grande quantidade de termos que descrevem raças e cores) e o binário (que é um sistema de classificação com apenas dois termos – negro e branco).

Na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio de 1976 do IBGE, não foram dadas opções de classificação de cor quando perguntaram aos participantes sobre sua raça, usando então o modo popular. Das 136 opções dadas na época, nenhuma parecia cientificamente concreta. Além disso, há, de fato, uma diversidade de cores, que vão desde o negro mais “retinto” vindo da região da linha do Equador, Sudão do Sul, Nigéria e entre outros, até ao povo mais claro.

Entretanto, contexto e sociedade também podem interferir na decisão, essa questão de “se identificar como uma pessoa negra” envolve mais do que uma simples identificação em um censo. O reconhecimento do negro no Brasil está ligado diretamente ao senso de sobrevivência, de consciência e de resistência.

Identificação de gênero

Dentre os casos confirmados de coronavírus, em Minas Gerais, 54% são do sexo masculino, representando 54%, e 46% são do sexo feminino. Além disso, 11% dos casos apresentam comorbidade, ou seja, possuem duas ou mais doenças relacionadas ao mesmo paciente simultaneamente, enquanto 21% não possuem, e 68% não foram identificados.

Já o número de municípios com óbitos confirmados chegou a 205, tendo o coronavírus uma taxa de letalidade de 2,1% no estado, até então. São 435 mortes do gênero masculino (55%) e 378 do feminino (45%).

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