O que era para ser o ‘ano da afirmação’ do Cruzeiro com a chegada de um dos técnicos mais vitoriosos do país transformou-se em um laboratório de frustrações. Com investimentos que ultrapassam os R$ 200 milhões, a Raposa de Tite não apenas perde jogos; ela quebra tabus históricos da forma mais dolorosa possível: contra o seu próprio torcedor.
Tabus
A derrota de virada para o Coritiba não foi apenas mais um resultado negativo na conta do Cruzeiro em 2026; foi o capítulo final de uma paciência que parecia infinita. Sob o comando de Tite, o time que deveria ser sinônimo de equilíbrio e segurança atingiu o seu ponto mais baixo, quebrando dois tabus que machucam profundamente o orgulho do torcedor celeste.
O primeiro deles é estatístico e histórico. O Cruzeiro ostentava uma invencibilidade de quase uma década contra o Coritiba, mantendo uma hegemonia que parecia inabalável independentemente da fase das equipes.
Outro tabu quebrado, foi na primeira rodada do Campeonato Brasileiro, a Raposa nunca havia sofrido uma derrota com quatro gols de diferença em uma estreia de Brasileirão na era dos pontos corridos (desde 2003). Até então, o pior revés do clube mineiro em aberturas de campeonato havia sido o 3 a 1 sofrido diante do Flamengo, no Maracanã, em 2019.
Torcida magoada
O clima na saída do Mineirão após a derrota para o Coritiba não era apenas de fúria; era de uma profunda mágoa. Para o cruzeirense, a contratação de Tite foi vista como o selo definitivo de que os anos de sofrimento haviam ficado para trás. O torcedor abriu o coração para o projeto, abraçou a ideia de ter um “técnico de Seleção” e acreditou que a solidez seria a nova identidade do clube. O que recebeu em troca, no entanto, foi a quebra de tabus históricos e uma passividade que dói mais que o placar.
A mágoa da torcida nasce do contraste entre a promessa e a entrega. Ver o Cruzeiro ser nocauteado em casa, sofrendo uma virada para um adversário que não vencia a Raposa há uma década, feriu o brio de quem lotou o estádio esperando o início de uma nova era. A sensação é de que a confiança foi traída por um futebol previsível, que desmorona ao primeiro sinal de pressão e que parece ignorar a urgência que o manto celeste exige.







