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Eleições 2020: Ouro Preto entre a cruz, a espada e um machado

Para quem é um pouco mais cético como quem aqui humildemente lhes escreve – alguns dirão que sou pessimista – o cenário político em Ouro Preto (MG) para 2020 não é nada animador e/ou motivador. Enquanto cidades vizinhas conseguiram nos últimos anos se livrar de antigas e viscosas amarras dos veteranos grupos políticos (diga-se Ramos, Cotas, Salvadores, Motas), e mesmo que eles ainda persistam, hoje possuem muito menos poder de influência do que tinham antes, na cidade patrimônio mundial mais uma vez a população pode ter que ir às urnas e olhar a mesma foto de 20, 30, 40 anos atrás, e escolher entre o “bigode suntuoso” ou a “careca erudita”. E não, não é o aspecto físico que importa nessa fotografia, e sim o peso da constatação de que há décadas parece que a cidade é “viciada” em dois grupos, os “angelistas” e os “leandristas”, e um governo pouco bem avaliado como o atual ainda faz renascer na sociedade a “saudade” ou a volta dessas antigas nomenclaturas frente aos comentários nos corredores da política.

Ouvimos que nesse ano “fulano vem forte porque ciclano tá mal avaliado”, ou que o “governo atual está tão ruim que o povo acabou que esqueceu o de fulano no passado”.  E o mais angustiante disso é que é verdade. Ainda há, e muitos, que mantêm a mesma expectativa (ilusão) política de 3, 4 décadas atrás. É uma ironia, mas parece que em um intervalo de a cada doze anos, concedemos uma curta chance de algum nome de “primeira  viagem” no executivo “provar a nossa tese” de que a cidade só funciona se tiver o carimbo “angelo” ou “jose” ao final do ofício. Parece que fazemos de propósito, por nostalgia, sadomasoquismo, ou sabe se lá o porquê. É o que aconteceu com “marisa” e “wilson”, e é o que acontece com “julio”. E isso não é uma defesa às gestões desses últimos, e sim à forma como alguns nomes parecem ter “carta branca” para terminarem seus mandatos na boca do povo como “o pior governo de todos os tempos”, e logo alguns anos retornarem como a “salvação”,  em uma cidade que coincidentemente vivenciou poucas mudanças estruturais nos últimos anos, em comparação com suas coirmãs.

Você se lembra quando em Ouro Preto houve dois mandatos seguidos no executivo em que o segundo não envolvesse “angelo” ou “josé”? Até quando em Ouro Preto será preciso recorrer ao passado pouco conceptivo quando as coisas não estão dando certo? Por que uns têm direitos a tantas chances em detrimento de outros que mal “sujaram a sola de lama” e já são “expurgados” e enviados à “quarentena” ou até mesmo ao “isolamento eterno”? E não estamos falando aqui nem de segunda chance, por exemplo, que acredito que seja até algo plausível, mas de também tentar algo novo por mais uma vez, ir no campo do desconhecido, ou do menos pragmático, e quem sabe assim a sorte dessa vez nos sorria e até nos conceda à leveza do orgulho da ousadia?

Muitos dirão que sim, principalmente os “viciados políticos”, mas a eleição 2020 em Ouro Preto não precisa ser binária. Parafraseando Quintana, nosso passado precisa ser muito bem refletido para que não seja repetido, podemos e merecemos mais do que “o certo”, podemos ir além. Tenho um fio de esperança em decorrência de alguns bons acontecidos de 2018, em que antigos nomes da política, muitos envolvidos em corrupção, finalmente tiveram o dia D do susto do fim da acomodação do “foro eterno”. Em Ouro Preto, nem espero tanto e nem acho que a situação chegue nesse tanto. “Pelas bandas de cá” eu só gostaria de, com o poder do meu e que você com o poder do seu voto, concretizar aposentadorias políticas para que, assim como a mulher de Ló, conforme relatado no livro sagrado,  não nos ousemos mais a olharmos para trás, e então poderemos enfim cobrar resultados diferentes de pessoas diferentes, afinal, “insanidade é fazer sempre a mesma coisa várias e várias vezes esperando obter um resultado diferente”.

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