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Nivelando Por Cima

Nos dias 5 e 12 de novembro ocorreram as duas etapas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Para alguns, – inclusive para este que lhes fala – as mudanças propostas pelo Ministério da Educação (MEC) na gestão de Michel Temer após consulta popular foram positivas, para outros, nem tanto ou se tornaram piores. Todavia, vivemos em um país democrático de direto, onde o desejo da maioria é a pedra angular de uma sociedade que define a direção pela qual quer seguir, assim como nesse caso e, sobretudo, na escolha de seus representantes políticos.

Pela primeira vez desde sua criação, as provas do Exame Nacional do Ensino Médio foram realizadas em dois domingos consecutivos, sendo que anteriormente ocorria em um final de semana – sábado e domingo. No entanto, a maior polêmica antes das aplicações das provas girava em torno das mudanças que dizem respeito a maneira como ocorreu a distribuição das competências. Anteriormente: sábado, primeira prova – Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Ciências Humanas e suas Tecnologias; domingo, segunda prova – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Matemática e suas Tecnologias e Redação. Atualmente: primeiro domingo (5) – Linguagens, Ciências Humanas e Redação; segundo domingo (12) – Matemática e Ciências da Natureza.

Passadas as etapas do ENEM desse ano, houveram diversas reclamações principalmente após o segundo dia, pois, segundo relatos, as questões estavam extremamente complicadas além do nível exigido pelo exame ao longo dos anos. A proposta de criação desse método seria para nivelar o índice educacional brasileiro com o dos países emergentes e desenvolvidos ao ponto de apresentar dados inverídicos da realidade da educação do país. O que se tratava de uma avaliação dos alunos de ensino médio para construir dados oficiais de uma educação básica cada vez mais falida, vem se tornando a principal porta de entrada das universidades públicas e consequentemente fazendo com que os formadores das tais bancas sejam cada vez mais rigorosos e revolucionários.

As provas estão se tornando vestibulares com margens de erro cada vez menores.  As questões são mais abrangentes e as opções mais específicas. Interpretação já não é mais o ponto chave e mais do que nunca tem que saber conteúdo, principalmente em exatas e natureza. Além de estudar, os concorrentes precisam estar psicologicamente bem preparados, porque o ENEM vem se transformando em uma enorme prova de resistência.

A proposta das bancas de querer a cada ano nivelar por cima é excelente, sobretudo porque deixa claro a necessidade do estudo na busca de um futuro melhor. Porém, de nada adiantará esse esforço se o Estado não enxergar a precariedade do investimento em ensino básico que infelizmente condiz com a realidade da educação pública do Brasil, mas não condiz com aquilo que em sua ampla maioria foi cobrado nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio de 2017.

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