A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser ficção científica para se tornar infraestrutura invisível da vida moderna. No livro “Inteligência Artificial: entre o fascínio e o medo”, lançado em 2025, pela editora Contexto, o autor Paulo Roberto Córdova propõe uma análise que foge tanto do entusiasmo quanto do alarmismo. A obra convida o leitor a pensar a IA como fenômeno social, político e ético.
Grande parte do discurso público sobre inteligência artificial oscila entre promessa e ameaça. Córdova escolhe um caminho mais denso: examina como algoritmos moldam decisões cotidianas, do consumo à informação, e como essa automação altera a percepção de autonomia.
A IA aparece como ferramenta de eficiência, mas também como mecanismo de poder. Ao organizar dados e prever comportamentos, ela redefine relações entre indivíduos, empresas e instituições.
O livro destaca que os riscos da inteligência artificial não estão em máquinas conscientes, mas em sistemas opacos. Decisões automatizadas podem afetar crédito, oportunidades de trabalho, visibilidade digital e até políticas públicas, se não houver transparência, supervisão humana e critérios éticos claros.
O ponto central da obra é simples e inquietante: a tecnologia não é neutra. Ela carrega os valores, limitações e vieses de quem a desenvolve. Ao discutir ética na inteligência artificial, o autor demonstra que o debate não é apenas técnico, mas que também é (e precisa ser) profundamente humano.
Quem responde quando um algoritmo erra? Quem fiscaliza sistemas automatizados? Quem se beneficia e quem é prejudicado? A obra articula essas perguntas, conectando inteligência artificial, democracia e regulação. O leitor percebe que compreender IA é compreender também as estruturas de poder que a sustentam.
Se estamos vivendo um momento em que a inteligência artificial influencia a educação, comunicação, mercado de trabalho e produção cultural, ignorar esse debate é abrir mão de participação crítica no presente.
“Inteligência Artificial: entre o fascínio e o medo” é uma leitura necessária para quem deseja entender os impactos da inteligência artificial na sociedade. Informativo, provocador e equilibrado, o livro transforma o debate tecnológico em reflexão ética.
Se o futuro está sendo programado, a pergunta que fica é: quem está escrevendo o código, e com quais valores?







