Levantamento mapeia depressão e ansiedade em estudantes de cursos da saúde

UFMG e mais cinco universidades realizam uma pesquisa com estudantes da área da saúde e mapeia depressão e ansiedade entre eles

Ansiedade e depressão são problemas que vem crescendo entre os jovens atualmente. Um estudo observou que estes sintomas aparecem frequentemente entre estudantes da área da saúde, principalmente da medicina.

Os sintomas, além do diagnóstico tardio deles, podem levar um impacto negativo muito grande na vida pessoal e profissional do estudante. Muitos podem apresentar queda de rendimento, o risco de desistência do curso aumenta, além do aumento agravante do risco de suicídios.

Alguns casos de suicídios de jovens nos campus do estado do Rio Grande do Sul, acendeu um alarme: a deterioração expressiva da saúde mental dos alunos. As estatísticas sugerem um fenômeno grave, o que moveu as instituições a criarem e multiplicarem programas de auxílio aos alunos.

Pesquisa mapeia os casos nas faculdades

Em Minas, estudantes da saúde em seis universidades participaram do PADu, o Projeto sobre Ansiedade e Depressão em Universitários, que tem como objetivo coletar dados e informar as universidades para que possam criar políticas de auxílio e acolhimento, além da prevenção desses sintomas.

O programa abrange estudantes de Medicina, Fonoaudiologia, tecnologia em Radiologia, Piscologia, Fisioterapia, Odontologia, Nutrição, Farmácia e Enfermagem. Os alunos responderão um questionário on-line, informando sobre as condições socioeconômicas, vida acadêmica, qualidade de vida, além de questões sobre os próprios sintomas de ansiedade, estresse e depressão. As faculdades manterão as informações em sigilo.

O professor Helian Nunes de Oliveira, que conduz a pesquisa na UFMG, aponta que os estudantes possuem, muitas vezes, sobrecarga de horários, além de outros fatores que impactam diretamente o bem-estar. “É necessário cuidar de quem está aprendendo a cuidar”, afirma Nunes.

Projetos de suporte aos estudantes nas universidades do RS

Várias instituições criaram programas de suporte aos estudantes, não somente das áreas da saúde, para a prevenção e tratamento da depressão e ansiedade. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), por exemplo, lançou um website orientando sobre o tema, além de criar um grupo de trabalho para atuar na promoção da saúde mental do estudante.

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) montou um comitê de alunos para atuar na proteção dos colegas, acolhendo e auxiliando. Esse fenômeno não foi observado apenas no Brasil, várias universidades mundo afora identificaram casos de depressão e ansiedade, criando formas de combater esses sintomas.

As responsabilidades repentinas contribuem para agravar o quadro

Levantamento mapeia depressão e ansiedade em estudantes de cursos da saúde
Imagem ilustrativa – Crédito da foto: Pixabay

O sonho de cursar a área de saúde na universidade foi ampliado e agora alcança grupos que antes eram tradicionalmente excluídos. Com a adoção de política de cotas, a ampliação das vagas, o ingresso à universidade em meio à nota do Enem ou o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o acesso foi democratizado. Porém, pode ter causado um efeito colateral grave e imprevisto.

A falta de recursos de apoio aos estudantes pode ter ajudado a agravar os casos de depressão e ansiedade nas universidades. Os jovens saem de casa e, de repente, tem de encarar responsabilidades diversas. Tendo de enfrentar um ritmo acelerado de aulas e estudos, muitas vezes ficando dias sem dormir para tal, além de se encontrar em uma cidade desconhecida, pode trazer um extremo sentimento de solidão. Isso resulta em ansiedade, depressão e, em casos graves, suicídio.

É recomendável que os estudantes, especialmente que saem de sua cidade, contratar um bom plano de saúde e assim contar com atendimento especializado sempre que precisar, como de um terapeuta. Essa é uma ajuda essencial e que, também para aqueles que contam com atendimento público, pode ter o atendimento direto por um psicólogo.

Por: Andreia Silveira, colaboradora do site Smartia.com.br.

Fonte: UFMG e Revista USP

Crédito da foto: Janeiro Branco – quem ama cuida da mente

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