Maria da Fé: uma noite na cidade mais fria de Minas Gerais

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Todo mineiro já está acostumado a ver na TV que a “mínima do Estado foi em Maria da Fé”. A pequena cidade do Sul de Minas tem menos de 15 mil habitantes e é conhecida por ser a cidade mais fria do Estado. No inverno as temperaturas podem ficar abaixo de 0 graus.

É claro que só esta informação já despertou nosso interesse em conhecê-la!

Entramos em nosso carrinho e lá partimos, rumo ao Sul de Minas. Chegamos em Maria da Fé no início da tarde de uma dia comum de semana, sem qualquer reserva de hospedagem. Leonardo em suas pesquisas tinha lido algo sobre a produção de azeite da região. Logo na entrada da cidade vimos uma placa que indicava a produção de azeites da Fazenda Maria da Fé – o acesso se dá por uma estrada de terra logo na entrada da cidade e para lá tocamos.

Pouco depois de 20 minutos chegamos à Fazenda. Fomos recepcionados por uma jovem que nos levou a uma área da propriedade coberta com um toldo: lá funciona um restaurante que apenas abre aos finais de semana. Em dia de semana há venda e degustação de azeite e outros produtos de produção local, como doce de leite.

Vista do restaurante em Maria da Fé

Vista do restaurante – Crédito da foto: Vanessa Barreto/O Queijo vai na Mala

Crédito da foto: Vanessa Barreto/O Queijo vai na Mala

As Oliveiras

As Oliveiras – Crédito da foto: Vanessa Barreto/O Queijo vai na Mala

Ficamos livres para caminhar pela Fazenda após a degustação (que é gratuita), vimos algumas oliveiras no jardim próximo, elas estão ali justamente para que os visitantes possam vê-las de perto –  as principais plantações ficam mais distante, é possível vê-las no horizonte. Escolhemos um azeite e trouxemos para casa, o produto é realmente muito bom!

Área onde são vendidos os azeites da Fazenda Maria da Fé – é ali também que funciona o restaurante. – Crédito da foto: O Queijo vai na Mala

Foi uma visita rápida, em dia de semana não há muito o que fazer por lá, a não ser degustar, comprar o azeite e dar um passeio no jardim.

Seguimos para a região central de Maria da Fé: uma cidade pequena e simpática, típico interior mineiro.

O cartão postal da cidade é a estação de trem, com a locomotiva ao lado: lá funciona o Centro Cultural de Maria da Fé, que já estava fechado quando chegamos. No Tripa Divisor lemos muitas avaliações dizendo da falta de cuidado com o espaço e pouco investimento em turismo na cidade. Não podemos falar pois não entramos, mas a área externa tá muito bonitinha e vale a clássica foto, diante da estação. Mais mineiro impossível!

Crédito da foto: O Queijo vai na Mala

Encontramos uma pousadinha simples, nos instalamos, demos uma descansada e a noite saímos para comer e “sentir a cidade mais fria de Minas”. Quando chegamos estava até bem quentinho e já ficamos meio desapontados, mas a noite a temperatura caiu bastante! A igreja de São Benedito estava em festa e lá fomos nós “xeretar”: festa típica de comunidade, com direito a bingo e prêmios no estilo tupperware e vinho barato. Comida muito barata também, mas chegamos já no final e não tinha quase nada mais. (Fiquei numa tristeza profunda de ter perdido o bingo, sou destas que não pode ver um bingo, ainda mais valendo tupperware! kkkkkkk).

Igreja Matriz de Nossa Senhora de Lourdes em Maria da Fé

Igreja Matriz de Nossa Senhora de Lourdes – Crédito da foto: Vanessa Barreto/O Queijo vai na Mala

Não tinha quase nada aberto na cidade e achamos que ficaríamos com fome até que encontramos o “Foka II”, o único restaurante aberto, ufa. Lá comemos uma carne com mandioca frita, Leonardo pediu uma cerveja e eu uma caipirinha. E a conta? R$ 34 REAIS. Isto mesmo, você não leu errado TRINTA E QUATRO REAIS! E tava tudo maravilhoso! Interior é outro papo né?

No dia seguinte aproveitamos um pouco da manhã para caminhar pelas ruas e observar a vida das pessoas na praça… o melhor a fazer em cidade de interior! E seguimos viagem para conhecer outras cidades do Sul de Minas.

A tardinha cavaleiros “estacionam” os cavalos perto da praça principal de Maria da Fé

A tardinha cavaleiros “estacionam” os cavalos perto da praça principal e se encontram ou na praça mesmo ou nos bares, para aquela prosa de fim de tarde (Ah, Minas Gerais!) <3 – Crédito da foto: Vanessa Barreto/O Queijo vai na Mala

Cena de Maria da Fé

“Cenas marienses” – Crédito da foto: Vanessa Barreto/O Queijo vai na Mala

Mas e então? Compensou visitar Maria da Fé?

Pra quem gosta de frio e quer ter a experiência de conhecer a cidade mais fria do Estado (nosso caso), vale sim a pena. Mesmo num dia quente, a noite costuma esfriar bastante! Mas é importante saber que:

  1. A maioria das hospedagens são simples e/ou familiares.
  2. A cidade tem uma estrutura turística ainda bem incipiente, são poucos os atrativos turísticos e a sinalização é precária. Há grande potencial, mas parece ainda pouco explorado.
  3. Como todo interior, as coisas fecham cedo, então é importante se programar para as refeições. Nós fomos salvos pelo Foka II, mas a gente rodou, rodou, rodou e ele era o único aberto, tem que ficar esperto!

Quanto tempo ficar por lá?

Em um único dia é possível visitar as fazendas produtoras de azeite (nós visitamos a Fazenda Maria da Fé, mas existem outras na região) e circular pela cidadezinha. É legal dormir ao menos uma noite pela simples experiência de dormir na cidade mais fria de Minas Gerais.

Para quem tem um pouco mais de tempo dá pra dar uma esticada e conhecer Carmo de Minas (produção de café) e São Lourenço (circuito das águas), é tudo relativamente perto!

Pronto: agora toda vez que você ver na TV “a mínima do Estado foi em Maria da Fé” tenho certeza de que vai se lembrar deste post. E se você decidir viver a experiência de dormir uma noite na cidade mais fria de Minas venha cá me contar como foi.

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Postado em 15 de junho de 2019