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O futebol é a paixão que mais machuca

Eliminação na Copa Libertadores adia mais uma vez o maior sonho do cruzeirense

Como dói amar o futebol. Amar um clube. E como é irracional esse amor. Uma noite mal dormida e uma aguardada sexta-feira que fica mais triste que a segunda. Irritação, desânimo e os amigos mais próximos, mesmo que torcedores do rival, nem provocam. Até porque se fanáticos o suficiente, eles conhecem bem essa dor.

Sexta-feira pós Libertadores e eu, quase jornalista formado que sou, não assisti nenhum programa esportivo, não abri os sites de esporte, evitei até as redes sociais. Afinal, antes de jornalista, ou qualquer outra coisa, eu sou Cruzeiro. E como sofri pelo emblema estrelado.

Foi um dia de buscar explicações. Seria culpa das arbitragens claramente mal-intencionadas do confronto? Ou da falta do Árbitro de Vídeo (VAR) avisada às equipes em cima da hora do jogo? A culpa é do treinador Mano Menezes que, apesar do trabalho consistente, peca no trabalho ofensivo da equipe, incapaz de impor uma pressão ao adversário em vantagem? Devemos responsabilizar o atacante Hernan Barcos pela má atuação? Ou o garoto Raniel pelo gol perdido? Há também que culpe Thiago Neves, por além de fazer temporada abaixo da expectativa, não conseguir decidir num jogo como esse.

Eu, por minha vez, prefiro não transferir essa responsabilidade a ninguém. No futebol você mais perde que ganha. Sempre foi e sempre será assim. A menos que você torça para algum dos times do monopólio europeu, aí você pode até conhecer o sabor da vitória além do da derrota. Mas, se não, se você é torcedor de algum time brasileiro, sinto lhe dizer que você irá perder muito mais que ganhar. Que por mais abarrotada que seja sua sala de troféus, ainda assim as decepções serão mais numerosas. Afinal, seguindo a média de quatro competições disputadas por ano, dificilmente uma mesma equipe ganha duas ou três destas.

Mas o torcedor sabe sofrer. É tipo aquele time que toma sufoco o jogo todo, mas segura o empate e vence nos pênaltis. Tão irracional é esse amor que por mais que perca e sofra, uma vitória, um troféu, ou mesmo uma partida de raça e entrega já suprime toda a tristeza que as derrotas colocam sobre nossos ombros.

Hoje já acordei feliz. O Boca é passado e o Cruzeiro é tão maravilhoso que nos faz parar de pensar na eliminação, pois, em poucos dias terá uma final para jogar. E a perspectiva de uma alegria que superará qualquer frustração já me deixa excitado. Que quarta não tarde a chegar. Fui dormir pensando como seria melhor se eu não gostasse de futebol. Acordei amando-o ainda mais. Que venha o Corinthians. Que venha o hexa.

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