Rima em Prosa #22: Sos fala com exclusividade sobre “Eu Nem Gosto Tanto Assim de Trap”

Integrante da Uclã, uma gravadora e coletivo musical com sede no Rio de Janeiro, Sos lançou, em janeiro de 2019, Serpentes & Holofotes, o primeiro álbum de sua carreira. A obra fez bastante sucesso e colocou o artista em uma posição de destaque no rap nacional. Faixas como 32 Andares e Empilhando Corpos chamaram a atenção do público, que pôde conhecer mais do trabalho solo do rapper. Em junho deste ano, quase um ano e meio depois, ele sobe outro patamar e lança Eu Nem Gosto Tanto Assim de Trap. Com opiniões fortes e cheio de participações, o segundo disco do músico confirma sua ascensão e o consolida como um dos principais nomes da nova cena carioca.

Para falar um pouco sobre este lançamento, Sos é o convidado da 22ª edição da Rima em Prosa. Confira a entrevista:

Eu Nem Gosto Tanto Assim de Trap

Lançado no dia 24/06, Eu Nem Gosto Assim de Trap chegou às plataformas digitais trazendo 12 faixas e as participações de Kweller, Baco Exu do Blues, Chris MC, Sueth, VK Mac, Duzz e LEALL. Durante a nossa entrevista, Sos disse que o projeto já estava todo gravado quando a quarentena começou, mas que faltava toda a pós-produção. Contudo, o rapper disse que isso foi bom, pois deu tempo para sua equipe trabalhar melhor no projeto.

“A pandemia começou bem no processo de pós do álbum. No começo, se foi um alvoroço global, não seria diferente com a gente. Pausamos as coisas e tentamos desenvolver uma forma segura de continuarmos trabalhando”, revelou o artista, que também comentou sobre o processo de montagem das faixas e seleção de participações:

“Todos os feats eu já tinha em mente assim que acabava a composição. Aí foi questão de convidar. As únicas exceções foram o Baco, que ouviu algumas guias minhas e chapou no som (amém), e o Sueth, que criou Vaticano comigo em mais uma sessão de estúdio onde ele nos mostrava alguns beats. Foi assim até chegarmos no intrumental de Vaticano. Mas rolou o contrário também. Sempre pensei em Lugar Privado com um feat e acabei lançando solo no final. Isso acontece na música”.

Com mais de 600 mil visualizações, o clipe da faixa PRJ é, até aqui, o maior sucesso do disco. A música, que reflete bastante sobre a origem de Sos e os lugares onde cresceu, caiu no gosto do público, que abraçou o projeto. Para o rapper, levar essas referências de sua vida pessoal para o público é algo que ele sente que deve ser feito e é parte de ser um artista.

“Mais de um milhão de streams em um mês de álbum, isso mostra como a galera abraçou esse projeto e as críticas inseridas nele. O papo é sobre mim cantando para os meus fãs, não tinha como eles não se identificarem ou não entenderem. Se você não entendeu, você não faz parte desse contexto” disse o músico, ao ser perguntado sobre como o público reagiu ao disco e às críticas feitas ao trap dentro dele.

Sobre lançamentos futuros, Sos disse que pretende curtir o disco e sentir os sons na pista quando isso tudo passar. “De certo, para esse ano, são singles solos bem quentes para complementar esse ano especial na minha carreira”, disse ele.

Personalidade

Confiante e dono de uma forte personalidade, Sos falou um pouco sobre o que mudou em si, de Serpentes & Holofotes, para Eu Nem Gosto Tanto Assim de Trap:

“O resgate dos princípios e o resgate da minha família. Mantê-los por perto, mesmo que só via DM, já muda tua cabeça inteira, e para melhor, não tenha dúvidas disto. Me sinto feliz e pronto pra tudo o que quero conquistar, só hoje, aos 25 anos”.

Em seu segundo disco, o rapper mostra algumas visões fortes sobre o trap e a cena, e revela lados que nem todos os artistas se sentem seguros em mostrar. Perguntei a Sos o que o faz ter tanta confiança em falar o que pensa:

“Sou confiante, porra. Eu sou eu (risos). Tenho uma vida, uma chance… Não gostou? O endereço do meu estúdio tá no Google, vem me cobrar. Não tenho o que esconder de ninguém, mano. Por que ia fazer isso sobre o que penso? Pra agradar quem? Com medo de quem? Então eu falo, eu pago minhas contas. Pra mim, é isso”, respondeu o rapper.

“Evito de expor para não estragar a carreira de ninguém com bafafá. Até porque não acho que isso ajuda em nada. Só resolvi em off, e vida que segue. Mas que eu tenho bala pra fazer estrago, eu tenho. Só que o cara tem que ser muito cuzão pra merecer isso (ser exposto). Nunca rolou nada a esse ponto” disse Sos, ao ser perguntado se já houve algo, dentro do meio do rap, que ele quis falar e por conta de possíveis consequências acabou se contendo.

Uclã

Lançada no início do mês de julho, no canal da Uclã, a faixa 2 Minutos conta a participação da rapper Azzy. Se tratando de uma gravadora tão diversa e que busca busca dar oportunidades para artistas fora do usual, perguntei ao Sos o quão importante é, em sua visão, o ato de colocar mais mulheres para rimar em suas faixas. Em sua resposta, o rapper disse que acredita que esse tipo de questionamento nem deveria ser mais feito, já que talento não tem sexo, nem gênero e nem cor. “Nossa cena tem muita gente boa, e se surgir a oportunidade de trabalhar junto, isso vai acontecer. A única regra é ter talento”, complementou o artista.

Projeto de sucesso dentro da gravadora, a série Meus Manos não ganha um episódio novo desde junho do ano passado. Ao ser perguntado se havia uma previsão para o quarto episódio da série, Sos respondeu:

Meus Manos nunca teve previsão, ele só acontece (risos). Mas, se vier, vai ser lindo. Esse projeto é feito com pessoas que admiramos, seja como pessoa ou profissionalmente. Quem sabe num futuro próximo… Vou falar com Peu (risos)”.

Rima em Prosa é a coluna especializada em rap do Mais Minas. Nela, são publicadas notícias, matérias e entrevistas relacionadas à tudo de principal que tem ocorrido no rap nacional. Caso tenha gostado da entrevista com o Sos, recomendamos as nossas matérias com Derek, Duzz, Ebony e Yunk Vino.

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