Só quando prestes a ruir!

por Jessé Oliveira

O futebol brasileiro possui algumas máximas que nunca mudam e mesmo assim continuamos buscando resultados diferentes, embora traçando sempre os mesmos caminhos.
Uma delas é que os nossos clubes sempre investirão pesado em contratações de jogadores renomados de alto custo e altos salários, apostarão em medalhões que já não vêm dando resultados há algum tempo e assim gastarão o que tem e, muitas vezes, o que não tem na esperança de obter bons resultados e chegar ás conquistas, sem ao menos sequer cogitar a possibilidade de apostar na base.
Outra máxima e, esta vem na seqüência e consequência da primeira, é que após investir pesado e de forma muitas vezes irresponsável e não obter resultados, quando o clube se encontrar “quebrado”, em situação ruim no campeonato e em meio a crises internas e externas ou, melhor dizendo: “quando a casa estiver prestes a ruir”. Neste momento recorrerão à base na expectativa de que a mesma possa ajudar o clube a se “salvar”, o que, muitas vezes ou na maioria das vezes até funciona, haja vista o Cruzeiro com Caca e Éderson, e o Galo com Marquinhos e Bruninho, para usarmos exemplos mais recentes.
O que seria preciso para mudarmos essa máxima? Por que só olhar para a base quando a casa já esta prestes a ruir? Por que não apostarmos mais no futuro ao invés de apostarmos tanto no passado? Por que é isso que fazemos quando apostamos em um medalhão em lugar de um garoto da base, apostamos no passado e não no futuro. Sem contar que já esta mais do que provado que a identificação dos que vêm da base com o clube é muito maior, e isto implica sempre em maior empenho, entrega e dedicação.
Infelizmente é difícil mudar este quadro, pois a culpa do mesmo passa por todos nós. Passa pelos dirigentes, que gerem muito mal os nossos clubes, passa pelos treinadores, que querem defender seus cargos a todo custo e, assim arriscam o mínimo possível, passa pelo torcedor e jornalista que cobram contratações de peso e resultados imediatos e que muitas vezes criticam severamente e não têm a paciência que seria necessária e por ai vai.
Enquanto isso essas máximas vão permanecendo, e olhar para a base… Só mesmo quando a casa estiver prestes a ruir, caso o contrário, a gente vai levando do jeito que está e até onde dá.

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