O Campeonato Mineiro de 2026 terminou com a mesma intensidade com que começou, mas, para três clubes, o apito final da 8ª rodada teve um peso emocional muito maior que qualquer briga por semifinal. Entre o alívio ensurdecedor de um lado e o silêncio do descenso de outro, a elite mineira se despediu de camisas tradicionais enquanto testemunhou um renascimento improvável.
O Milagre
Há poucas rodadas, o Itabirito era dado como certo no Módulo II. Com uma defesa vazada e um ataque que pouco produzia, a equipe parecia condenada. No entanto, o futebol reserva caminhos tortuosos. A vitória heróica sobre o Betim e os pontos somados no limite da exaustão permitiram que o time chegasse à rodada final dependendo apenas de si contra o Atlético-MG.
Mesmo sofrendo uma goleada por 7 a 2 para o Galo — um placar que, em outras circunstâncias, seria motivo de crise —, o Itabirito celebrou. A permanência foi garantida não pelo último jogo, mas pelo “sangue nos olhos” demonstrado nas partidas anteriores. O Gato do Mato fica na elite, mas leva para casa a lição de que o planejamento para 2027 precisa começar amanhã.
O choque do Athletic
Se a permanência do Itabirito foi uma surpresa, o rebaixamento do Athletic é um choque para o futebol mineiro. Considerado nos últimos anos um exemplo de gestão, SAF de sucesso e dono de títulos recentes do Interior, o Esquadrão de São João del-Rei sucumbiu.
O que deu errado? A falta de regularidade e a perda de pontos cruciais em casa foram fatais. O time que encantou o estado há poucas temporadas agora se vê diante da dura realidade do Módulo II. A queda do Athletic serve como um alerta: no Campeonato Mineiro, o histórico recente e a gestão organizada não entram em campo sem um elenco que responda à pressão imediata do torneio.
O adeus da Pantera
Junto ao Athletic, o Democrata-GV também se despede da elite. A Pantera, dona de uma das torcidas mais apaixonadas do interior, não conseguiu encontrar o equilíbrio tático necessário. O rebaixamento para Governador Valadares representa uma perda de força regional no mapa do futebol mineiro e força o clube a um processo doloroso de reconstrução financeira e técnica.







