Torcedoras de Atlético e Cruzeiro mostram a importância da representatividade feminina no futebol

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O próximo domingo, dia 8 de março é o Dia Internacional da Mulher, data essa que se tornou algo relacionado à reflexão de combate à cultura machista inserida na sociedade desde seus primórdios. Por coincidência, um dia antes, no sábado (7), acontecerá o clássico Atlético contra Cruzeiro. Com isso, o Mais Minas decidiu abordar sobre a representatividade feminina no futebol.

Cada vez mais as mulheres têm se inserido no ambiente futebolístico. Recentemente, a Copa do Mundo de futebol feminino de 2019 foi transmitida por uma emissora de televisão aberta pela primeira vez. Além disso, por determinação da Conmebol em 2018, os clubes que disputarem a Copa Libertadores, principal competição continental da América, são condicionados a terem uma equipe feminina ativa.

Com a crescente integração feminina no ambiente esportivo, assim como em outros ambientes que antes eram considerados “masculinos”, grupos foram se formando para reforçar cada vez mais a representatividade feminina no futebol. Como é o caso da Grupa, um coletivo feminista que nasceu em fevereiro de 2016, após o desfile de lançamento das camisas do Atlético em que as mulheres aparecem de biquíni ou de camisa e calcinha.

Após o desfile, muitas torcedoras demonstraram, no Twitter, uma profunda indignação em relação ao tratamento dado às mulheres naquele episódio e resolveram escrever uma nota de repúdio que teve grande repercussão nacional. A partir daí, elas perceberam a força que tinham e o coletivo foi criado. Hoje, a Grupa atua não só para cobrar e fiscalizar ações que envolvem o combate ao machismo, racismo e homofobia no clube, mas também para incentivar que mais e mais mulheres possam frequentar o ambiente do estádio sem medo de sofrer assédio.

“Depois da sua criação, a Grupa percebeu como era grande a vontade de várias mulheres de frequentar o estádio. Muitas delas sequer tinham pisado em um estádio de futebol. A Grupa oferece um espaço de acolhimento para mulheres que querem assistir ao Atlético jogar sem ter medo de sofrer assédio, seja dentro ou fora do estádio. O assédio existe, tanto que muitas integrantes começaram a participar do coletivo para ter companhia e poder ir aos jogos com segurança. Toda semana recebemos novas membras e buscamos recebê-las sempre com carinho e amizade”, contam as torcedoras do grupo.

Também há, pelo lado do Cruzeiro, um grupo de mulheres que produzem um podcast chamado “Podcast das Marias“, em alusão ao apelido homofóbico dado aos torcedores cruzeirenses. Nele, as participantes não se conheciam pessoalmente até sua criação em 2018, porém a Luciana Bois e a Izabela Sant’Anna tiveram a ideia de criar uma plataforma para reunir mulheres para falarem de futebol.

Rafaela Freitas, uma das participantes do Podcast das Marias conta que sempre gostou do assunto e fala como é sua experiência nos estádios. “Tenho liberdade de comentar e discutir em qualquer lugar onde o futebol é pauta. Comento futebol no trabalho, em casa, em grupos de whatsapp, com os porteiros do prédio, nas redes sociais… O interesse da mulher pelo futebol sempre existiu. O que faltava era ocupar os espaços que deveriam ser de todos, mas que socialmente e culturalmente são vistos como ambientes masculinos. Os assédios diminuíram, seja pelo amadurecimento do torcedor, seja por medo de punição. Vejo com frequência homens repudiarem comportamentos machistas e misóginos de seus pares, o que é excelente. Uma constatação que parece boba, mas é muito simbólica para mim: hoje eu não tenho medo de ir sozinha ao estádio”, disse a torcedora cruzeirense.

Atitude machista do mascote “Galo Doido”

Torcedoras de Atlético e Cruzeiro mostram a importância da representatividade feminina no futebol
Crédito da foto: Pedro Souza / Atlético

Saiu em todos os canais de comunicação o vídeo do mascote do time atleticano, o Galo Doido, cometendo um ato de machismo durante a apresentação da nova jogadora da equipe feminina do clube, Vitória Calhau, que foi apresentada junto do ídolo Diego Tardelli. O episódio ocorreu no intervalo da partida contra o Uberlândia no Mineirão no dia 6 de fevereiro.

Com uma repercussão bem negativa, o Atlético soltou uma nota de repúdio ao ato e que afastou o funcionário que estava por baixo da roupa do mascote. Dias depois, o setor de comunicação do clube fez um vídeo do Galo Doido se desculpando com Vitória Calhau e todo o time feminino atleticano.

A Grupa comentou sobre o ato do mascote atleticano e lamenta ter seu time envolvido em mais uma polêmica negativa. “Para nós, torcedoras, é decepcionante ver o Atlético protagonizando mais um caso de machismo e ver como o clube, e grande parte da torcida, normatiza esse comportamento, valida e aprova tais condutas. A atitude do mascote é lamentável e simboliza machismo tão recorrente no futebol, visto que a mulher, ali, não é vista como atleta, como uma profissional do clube, mas como um símbolo de beleza, de objetificação e sua valorização, inclusive, está atrelada a isso”, comentam as torcedoras

“Frangas x Marias”

Por muito tempo a rivalidade entre Atlético e Cruzeiro sustentou os apelidos de “Frangas” para os atleticanos e “Marias” para os cruzeirenses. A “graça” desse insulto está justamente na terminação feminina dada ao adversário, lhe atribuindo como uma posição inferior.

“A gente naturalizou essas ofensas como sendo “brincadeiras” ou “provocações do futebol”. Eu já usei “franga” como ofensa, já gritei “piranha” para mulheres do trio de arbitragens. Com o tempo, fui entendendo que esses gritos são desrespeitosos não só com o outro, mas com vários coletivos de minorias sociais”, comentou Rafaela Freitas que participa justamente do Podcast das “Marias”.

Já as torcedoras do Atlético que formam a Grupa, lembram que o teor homofóbico do apelido é válido como crime, sendo dentro ou fora dos estádios. “Estamos em 2020 e ainda escutamos gritos homofóbicos. Dentro ou fora do estádio é um crime, não se pode levar isso como uma questão cultural e continuar. Os torcedores que apoiam esse tipo de grito e que ainda não perceberam que é um crime, precisam entender os prejuízos que esse tipo de atitude pode causar na vida de uma pessoa que sofre esse tipo de preconceito, inclusive, fora do estádio”, comenta a Grupa.

Dia Internacional da Mulher

Torcedoras de Atlético e Cruzeiro mostram a importância da representatividade feminina no futebol
Crédito da foto: Reprodução / Internet

Por muito tempo o Dia Internacional da Mulher foi encarado como um dia para parabenizar e dar presentes ou flores às mulheres. Porém, com a consciência social, o sentido dessa data foi mudando com o tempo, passando para um teor mais ligado à lembrança da luta de uma classe desfavorecida historicamente exclusivamente por serem quem são.

“O Dia Internacional da Mulher deveria valorizar a luta pelos direitos das mulheres. Mas infelizmente se tornou uma celebração que apenas nos estereotipa e reforça os padrões impostos pela sociedade sobre feminilidade. Então, antes de presente e parabéns, queremos respeito e valorização. Que respeitem nosso espaço, nossa liberdade e que lutem conosco por igualdade de gênero”, declara a Grupa sobre “parabenização” às mulheres.

De acordo com Rafaela, o Dia Internacional da Mulher não é uma data de celebração. “Não há motivos para presentes. É uma data para todos e todas nós refletirmos sobre a histórica luta da mulher em busca de igualdade. O “parabéns” é  bem-vindo se for para enaltecer as nossas conquistas e lutas, e não parabenizar uma pessoa simplesmente por ser mulher”, declara Rafaela.

 

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