A Vale anunciou um avanço significativo na produção de minério de ferro circular em 2025, elevando a extração para 26,3 milhões de toneladas, mais que o dobro do registrado em 2024, que foi de 12,7 milhões de toneladas.
O crescimento de 107% na produção circular consolida essa prática não só como uma iniciativa piloto, mas como uma estratégia industrial em larga escala. Projetos como a Areia Sustentável Vale, que já destina mais de 3 milhões de toneladas desde 2023, e a Fábrica de Blocos da Mina do Pico transformam rejeitos em insumos para a construção civil, agregando valor e reduzindo impactos ambientais.
Mineração circular em Ouro Preto e arredores

Nas operações mineiras de Minas Gerais, destacam-se as minas de Capanema e Vargem Grande, que ilustram a eficiência da mineração circular. A mina de Capanema, por exemplo, produz minério de ferro reutilizando materiais depositados em pilhas de estéril, com operações completamente circulares. O método combina segurança operacional, maior produtividade e ganhos socioambientais, além de liberar áreas para novas atividades.
“A expansão da circularidade na produção, alcançando mais de 26 milhões de toneladas, prova que é possível integrar inovação, sustentabilidade e alta produtividade. Queremos acelerar esse processo até 2030, colocando Minas Gerais como protagonista na transformação do setor”, destacou Rafael Bittar, vice-presidente Técnico da Vale.
A Mina Capanema, localizada em Ouro Preto, voltou a operar em 2025 após mais de 20 anos de paralisação. A reabertura, realizada em setembro, contou com cerimônia oficial, presença do governador Romeu Zema e executivos da companhia.
A retomada exigiu cerca de R$ 5,2 bilhões em investimentos, incluindo:
- modernização das instalações
- integração com outras minas da região
- adoção de modelo produtivo sem uso de água, eliminando rejeitos e barragens
- introdução de caminhões autônomos e tecnologias de reaproveitamento de material
Com a nova configuração, Capanema deve acrescentar 15 milhões de toneladas por ano à produção da mineradora.
Impactos ambientais e reconhecimento internacional
Os resultados ambientais da mineração circular são expressivos: o programa evitou a disposição de uma quantidade de rejeitos equivalente a mais de 300 vagões carregados de minério e gerou uma redução nas emissões de gases de efeito estufa comparável às emissões anuais de mais de 40 mil carros. Esses avanços fazem parte da estratégia Mineração do Futuro, que aposta em automação, inteligência artificial e integração tecnológica para tornar a atividade mais limpa e eficiente.
Em 2025, a Vale foi reconhecida internacionalmente pelo Business Action Bank, do WBCSD, por seu programa de mineração circular, entre as cinco melhores práticas globais de descarbonização. A empresa estima que, até 2030, 10% da produção de minério de ferro brasileira venha de fontes circulares, reforçando seu papel de liderança sustentável no setor.







