Desmascarando lendas: a falsa ideia de que comemorar o Carnaval significa ser alienado

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Toda época de Carnaval é a mesma história: diversos cidadãos, revoltados com o descaso que o poder público tem dado, em especial, à saúde, educação e segurança pública, lotam as redes sociais para questionar a importância do Carnaval.

Um dos principais argumentos dos defensores dessa ideia, se dá no fato de que se gasta muito com a festa momesca em detrimento de outras áreas, consideradas por eles mais importantes, fazendo com que o povo não veja os reais problemas da nação.

Eu, apesar de não ser fã de sair em blocos carnavalescos, sou radicalmente contrário a essa opinião e discordo dos que assim se comportam por diversos motivos:

O primeiro deles se dá no fato de que o Carnaval é uma festa popular histórica, um dos poucos momentos onde a classe trabalhadora pode se divertir sem se preocupar com nada, dessa forma, ser contra a diversão do outro só porque você não gosta de sair, é no mínimo, egoísmo.

O segundo motivo é econômico. A movimentação do comércio das cidades históricas, por exemplo, chega a aumentar mais de 15 vezes de acordo com alguns empresários marianenses. Ouro Preto, Itabirito, Mariana e, recentemente, Belo Horizonte (BH), são apenas algumas das localidades da nossa microrregião que tem no Carnaval uma atração não só turística, mas de geração direta de emprego e renda para todas as classes sociais.

O terceiro ponto se dá na ideia de que é possível brincar e protestar. O bloco Vermelho e Branco, em Ouro Preto por exemplo, logo na abertura da festa do povo já mostrou isso com diversos cânticos questionando as políticas sociais do atual presidente. Ação parecida foi observada pelo país afora, merecendo destaque o fato do clássico bloco belo-horizontino “Tchanzinho Zona Norte”, que foi vítima da truculência policial ao querer impedir que os foliões se manifestassem contra Bolsonaro e sua trupe. É realmente muito amadorismo achar que o aparato de segurança pública seja capaz de conter o ímpeto do povo…

O quarto ponto se dá pela lógica da administração pública propriamente dita. Cultura é uma área estratégica em qualquer lugar que queira se desenvolver, ainda mais na nossa região, berço da Inconfidência Mineira e dos ideais de liberdade. Já estamos arrasados pelas tragédias da mineração, achar que é prejuízo investir em algo que gera tanto lucro direto e indireto para a cidade é, no mínimo, burrice.

O quinto ponto também dialoga com a administração pública, mas agora com os planos plurianuais de investimento, ou seja, a verba a ser investida em cada área da prefeitura. Comparando de modo simples os números, é possível ver que essa falácia não se sustenta, pois, a verba repassada para o Carnaval (e a Cultura em geral) é infinitamente inferior à Educação e Saúde, por exemplo. Sendo assim, para que pedir para se investir mais onde já se tem muito investimento?

O que precisamos é de melhores gestores para que não falte o básico, além é claro, de se buscar derrubar a chamada PEC da Morte, que desde 2016 congela o investimento público, explicando, portanto, o caos administrativo que observamos no nosso dia a dia.

Portanto, brincar e protestar não tem nada de antagônico, é apenas discurso falacioso daqueles que se incomodam com a diversão do outro. Ninguém é obrigado a gostar da festa momesca, mas daí a querer atrapalhar a farra de quem gosta é um pouco demais.

Respeitar o gosto alheio é a melhor forma de garantir respeito aos seus próprios gostos.

Até a próxima.

Postado em 4 de março de 2019

1 resposta

  1. Interessante, dá um pouco que pensar, na forma como o Carnaval é visto desse lado do oceano…

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