Dom Quixote: uma luta entre o real e o ideal

Dom Quixote é um romance espanhol de Miguel de Cervantes (1547-1616) publicado em dois volumes, entre 1605 e 1615, considerado não só um dos maiores expoentes do chamado “século de ouro” espanhol (XVI e XVII), mas também é um dos maiores clássicos de literatura mundial que já foi adaptado para o cinema dezenas de vezes.

Alonso Quijano (nome verdadeiro de Dom Quixote) é um fidalgo de vida tranquila, cujo único deleite é ler romances de cavalaria. Sua paixão de repente se transforma em aparente loucura, quando ele decide se tornar um cavaleiro e se propõe a corrigir erros e injustiças apesar da opinião contrária de seus parentes. Assim, uma vez que a investidura tenha sido resolvida, ele está pronto para realizar suas aventuras em desafios cada vez mais imprudentes e absurdos.

Digno companheiro de suas loucuras é Sancho Pança, um simples e pequeno camponês, que contrasta o sonho glorioso de Dom Quixote com sua rude racionalidade, ainda que também ele tenha acabado sendo conquistado pelas aventuras e feitos de seu senhor. Dois amigos feitos no mesmo molde e, portanto, indissociáveis, tanto que um não seria o mesmo sem o outro.

A segunda parte inicialmente não prevista pelo autor nasceu em resposta ao livro apócrifo de Alonso Fernández de Avellaneda de 1614 e para finalmente encerrar as discussões e dar um fim eficaz à errância do fidalgo.

As aventuras do “Cavaleiro da Triste Figura” são aparentemente loucas e cômicas, mas nelas reside a vontade dos protagonistas em acreditar cegamente nos próprios ideais (bondade, justiça, honra, honestidade na luta, lealdade ao ser amado), mas que no mundo real e racional não pode ser compreendido e, portanto, é ridicularizado e combatido por aqueles que se sentem “normal” e “superior”. No final, entender o que é real ou não real se torna cada vez mais difícil, tanto o sonho do fidalgo se torna cada vez mais vívido e fascinante do que a proclamada triste realidade cotidiana.

Alonso Quijano carrega um ideal que na estreita realidade cotidiana é impossível de obter, mas o cavaleiro é aparentemente incapaz de compreender as nuances; na verdade, seu fim parece quase uma resposta a sua incapacidade de continuar sonhando com grandes aventuras. Uma luta entre o real e o ideal, que se move silenciosamente ao longo do romance. Na verdade, Dom Quixote e Sancho Pança saem aparentemente derrotados pelo mundo real, mas são esses dois infelizes heróis no final que conquistam a simpatia dos leitores e a imortalidade.

“Dom Quixote” é uma obra-prima atemporal, que deve ser lida e compreendida, uma batalha eterna entre o real e o fantástico. A principal lição do livro é a de que um homem que não acredita em seus sonhos nada mais é do que um vilão não digno do nobre papel de cavalheirismo.

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