A Casa dos Contos, em Ouro Preto, recebe até o dia 23 de maio a exposição “Fios de Ouro”, dedicada ao trabalho de bordadeiras e rendeiras da cidade. A mostra reúne artistas de diferentes trajetórias e apresenta peças produzidas por alunas do curso de Bordado da Fundação de Arte de Ouro Preto.
A exposição integra a programação do Mês das Rendeiras e Bordadeiras de Ouro Preto, tradição reconhecida como patrimônio cultural e imaterial do município desde 2019. A entrada é gratuita.
Entre os trabalhos expostos estão obras autorais produzidas coletivamente pelas estudantes da Faop, como o vestido bordado “Chagall e paisagens de Ouro Preto” e o painel “Janelas que nos habitam”, inspirado nas fachadas e cenas observadas pelas janelas dos casarões históricos da cidade.

Como o bordado passou a integrar os cursos da Faop?
A professora Ednara Marlise, responsável pelas turmas de bordado da fundação, afirma que as aulas se transformaram em um espaço de convivência e troca de experiências que vai além do aprendizado técnico.
Segundo ela, o curso gratuito vem ampliando o público ao longo dos anos e passou a atrair também homens e jovens interessados na prática artesanal.
“O curso gratuito cada dia amplia mais seu público. Hoje atraindo, também, o público masculino e os jovens”, afirmou.
Ednara explicou que as aulas surgiram dentro do programa 55 + Arte, criado para oferecer cursos livres voltados a pessoas acima de 55 anos.
“Esse projeto pretendia levar arte para um público acima dessa idade. Ele surge por meio do interesse das próprias alunas e já ganhando uma visão autoral e artística”, relatou.
O que as obras revelam sobre memória e pertencimento?
Entre as participantes da exposição está Beth Santos, aluna da Faop há dois anos. Ela apresentou uma camisa bordada com referências à própria infância e à convivência com a região da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Ouro Preto.
Segundo Beth, a peça foi produzida ao longo de seis meses como trabalho final do curso.
“Para mim representa a memória de infância, onde eu cresci, ao lado da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, e me traz muitas recordações. Eu nunca imaginei que o bordado pudesse me trazer até aqui”, contou.
A exposição reúne obras que dialogam com paisagens urbanas, memórias afetivas e elementos do cotidiano ouro-pretano, aproximando a prática do bordado de processos artísticos contemporâneos.
Por que o bordado se tornou patrimônio cultural em Ouro Preto?
A tradição das bordadeiras e rendeiras faz parte da história cultural de Ouro Preto e foi reconhecida oficialmente como patrimônio cultural imaterial do município em 2019.
O reconhecimento busca preservar técnicas transmitidas entre gerações e incentivar a continuidade desse saber artesanal, presente em diferentes comunidades da cidade.
A mostra “Fios de Ouro” também funciona como espaço de valorização dessa prática e de divulgação do trabalho desenvolvido por artistas e alunas ligadas à Faop.







