O fotógrafo Eduardo Tropia, conhecido por registrar paisagens, cenas urbanas e manifestações culturais de Ouro Preto ao longo de décadas, teve sua morte confirmada neste fim de semana. Com mais de 50 anos dedicados à fotografia, ele construiu uma trajetória marcada por produção autoral, fotojornalismo e exposições no Brasil e fora do país.
Nascido em Pedro Leopoldo, Tropia mudou-se ainda criança para Ouro Preto, onde cresceu em contato direto com o ofício da imagem. Filho do fotógrafo Milton Tropia, teve formação prática entre laboratório de revelação, redações, cinema da família e o cotidiano do centro histórico. A convivência com o pai definiu o caminho profissional que seguiria por toda a vida.
Ele iniciou a atuação profissional no começo da década de 1980, em Ouro Preto, e no final dos anos 1980 transferiu-se para Belo Horizonte. Na capital mineira, passou a trabalhar com agências de publicidade e veículos de imprensa. Atuou como repórter fotográfico da revista IstoÉ e do jornal O Tempo, além de colaborar como freelancer para publicações nacionais e internacionais, entre elas Los Angeles Time Magazine, National Geographic e Casa Cláudia.
Ao longo da carreira, desenvolveu séries e projetos autorais voltados à relação entre cidade, patrimônio e linguagem visual. Produziu exposições como “Memória dos Festivais de Inverno Ouro Preto e Mariana”, “Ouro Preto Jazz Tudo é Jazz” e “Ruas de Minha Vida”, esta última também apresentada em Lagos, Portugal, durante o Cineport de 2006. Em Belo Horizonte e São Paulo, assinou a mostra “E nós que nem sabemos”.
Sua produção também integrou eventos e espaços de arte como Casa Cor Minas, Palácio das Artes e galerias de Minas Gerais e São Paulo. Participou do documentário “Profissão Fotógrafo”, lançado em 2016, ao lado de outros profissionais mineiros da imagem.
Entre os destaques internacionais, teve obra selecionada para a 6th Jinan International Photography, bienal realizada na China, com a série “Barroco Liberto”. Parte desse trabalho também foi exibida em Tiradentes. Já a série “Três Movimentos” está em exibição em 2026 na Galeria de Arte José Alberto Pinheiro, no restaurante O Passo Pizzajazz, em Ouro Preto.
Eduardo Tropia integrava há quase duas décadas o coletivo Olho de Vidro, voltado à fotografia autoral e à produção fine art. Mantinha ainda uma galeria permanente na Casa Alphonsus, na rua São José, imóvel histórico ligado ao poeta Alphonsus de Guimarães. O espaço também abriga produções artesanais da família, como o tradicional licor de jabuticaba preparado a partir de receita herdada dos avós.
Despedida
O velório será realizado na Capela Velório de Ouro Preto, próxima à rodoviária e à Igreja de São Francisco de Paula, no dia 8 de fevereiro de 2026, das 11h às 16h, e no dia 9 de fevereiro, das 8h às 10h.
O sepultamento está marcado para 9 de fevereiro, às 10h, na Igreja de São José, em Ouro Preto.







