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Prestes a iniciar cobrança de água, manifestantes vão às ruas de Ouro Preto pedir a saída da Saneouro

Protesto teve início às 15h, partindo da Praça da Estação, e finalizado em frente ao prédio da Prefeitura de Ouro Preto.
Rômulo Soares 3 de dezembro de 2021 às 14:44
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5 min
Foto: Comitê Sanitário de Defesa Popular de Ouro Preto, Mariana e região
Foto: Comitê Sanitário de Defesa Popular de Ouro Preto, Mariana e região

Manifestantes foram às ruas de Ouro Preto na tarde dessa quinta-feira, 2 de dezembro, para protestar novamente contra a Saneouro, empresa responsável pelos serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto da cidade. Além de pedir a saída da concessionária devido aos altos valores cobrados nas tarifas, os ouro-pretanos que foram protestar disseram que não vão pagar as contas de água, que começam a ser cobradas definitivamente neste mês de dezembro.

O protesto teve início às 15h, partindo da Praça da Estação, e finalizado em frente a Prefeitura de Ouro Preto. Um dos gritos dos manifestantes foram contra o prefeito Angelo Oswaldo (PV), dizendo que o chefe do poder Executivo municipal “traiu o povo depois da eleição”. Isso porque, em campanha eleitoral, por diversas vezes ele disse que tiraria a Saneouro da cidade.


Em uma transmissão ao vivo feita pelo O Decolonial, foi possível ver algumas falas dos manifestantes durante o protesto. Sérgio Neves, morador do bairro São Cristóvão, disse que o povo de Ouro Preto é roubado desde o início de sua história tricentenária, com os recursos minerais e o ouro.

“Fomos mostrar a nossa indignação com a situação que Ouro Preto vive. A nossa história é de exploração e roubo, desde a nossa fundação. As riquezas minerais, o ouro, depois o minério de ferro, tudo levado embora e depois deixa o nosso povo desamparado. Nós vimos o que aconteceu em Bento Rodrigues, em Mariana. O nosso povo não fica com nada. Agora algo importantíssimo para a nossa vida que é a água é vendida para uma empresa coreana. Isso é um absurdo, o povo de Ouro Preto tem que se rebelar, se levantar contra isso, nós não podemos aceitar. Temos que sair dos morros, das comunidades das nossas casas e partir para a luta”, disse o manifestante.

Sérgio também chamou a atenção dos vereadores de Ouro Preto, pedindo aos membros do poder Legislativo para que se mude a lei que permite a concessão do recurso hídrico municipal. Além disso, ele criticou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) feita para investigar o contrato firmado entre o Município e a Saneouro, dizendo que não houve nenhum efeito a entrega do relatório da CPI.

“Essa lei que permite a privatização da água, basta eles se unirem lá e mudá-la. Por que até hoje nenhum vereador apresentou um projeto que muda essa lei de privatização? Estão esperando o que? Essa CPI que fizeram foi um papelão, uma palhaçada, não deu em nada. Mostrou que tem problema no contrato com a Saneouro, aí tira a Saneouro, entra outra empresa para continuar nos roubando”, continuou Sérgio.

O morador do bairro São Cristóvão finalizou sua fala criticando também o prefeito e a vice Regina Braga (Republicanos) por ainda não terem cumprido a promessa de campanha de retirar a Saneouro da cidade.

“Queremos que seja retomado o SEMAE e que o povo de Ouro Preto seja dono da água, que não seja de empresa nenhuma, que seja nossa, principalmente do povo pobre e trabalhador que precisa de uma assistência da prefeitura. O prefeito e a vice precisam honrar com o que prometeram durante a campanha”, finalizou.

Outro morador, Geraldo de Paula, de Rodrigo Silva, destacou as diversas falhas que a empresa vem tendo na prestação de serviço, relatando, inclusive, falta de água. No início de novembro, a comunidade do distrito barrou a hidrometração e o episódio se tornou caso de polícia.

“Qualquer carro da Saneouro que aparece lá a gente segue até o final do caminho dele para ver o que vão fazer. Eles fizeram tanta coisa errada lá, deixou a gente sem água e a gente está trabalhando mesmo, fizemos coisas que a Saneouro não fez. Para vocês terem ideia, a Saneouro não sabe nem onde é a nascente de água de lá. Ficamos sem água lá, porque a nascente entupiu com essa chuva e nós que fomos lá para resolver o problema”, disse.

A Saneouro informou à reportagem do Mais Minas que no sistema de atendimento ao cliente da empresa, do dia 1º de novembro até a última sexta-feira, 3 de dezembro, não há nenhum registro de reclamação de falta d’água no distrito de Rodrigo Silva. A concessionária ressaltou que toda solicitação ou reclamação deve ser realizada no atendimento presencial ou pelo call center (que funciona 24h por dia, sete dias da semana). É por meio desse contato que a empresa registra a solicitação e a ordem de serviço é gerada para que o reparo seja executado.

No dia 6 de maio, representantes da concessionária estiveram reunidos com os moradores para apresentarem o planejamento e as obras de melhorias destinadas à localidade, assim como a hidrometração, que é parte do plano de investimentos da empresa. Porém, a Saneouro alega que ao tentar realizar as obras no distrito, os moradores impediram as equipes de executarem os trabalhos.

Segundo a Saneouro, as obras de melhorias como a implantação e substituição de redes de abastecimento, a reforma dos reservatórios e a hidrometração são ações que, associadas, irão sanar os problemas de falta d’água em Rodrigo Silva.

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Última atualização em 4 de dezembro de 2021 às 10:47