Gigantes, dóceis e ainda cercadas de mistérios, as raias-manta podem ter sua distribuição pelos oceanos afetada pelas mudanças climáticas. Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), em Ilhéus, analisou como diferentes condições ambientais estão relacionadas aos locais onde esses animais são encontrados.

O trabalho é da oceanógrafa Letícia Schabiuk Cruz, que utilizou registros de ciência cidadã e bancos internacionais de biodiversidade para estudar cinco espécies de mantas. Em vez de se limitar aos locais de avistamento, a pesquisadora cruzou esses registros com informações sobre temperatura da água, profundidade, correntes oceânicas, distância da costa e outras características do ambiente marinho.
Os resultados indicam que condições como qualidade da água, correntes e disponibilidade de alimento ajudam a determinar onde as mantas conseguem viver. A temperatura dos oceanos também entra nessa equação e, com as mudanças climáticas, alterações nesse cenário podem modificar a distribuição das espécies nos próximos anos.
A pesquisa chama atenção ainda por outro aspecto: parte do conhecimento utilizado pelos cientistas começa longe dos laboratórios. Fotografias e registros feitos por mergulhadores, turistas e observadores da vida marinha podem se transformar em dados científicos e contribuir para identificar onde determinadas espécies estão presentes.
Hoje coordenadora executiva do Projeto Mantas do Brasil, Letícia também relata os desafios de sua trajetória na pesquisa, explica por que esses animais de grande porte não devem ser vistos como uma ameaça às pessoas e aborda os riscos enfrentados pelas espécies.
A reportagem completa, publicada pela Ansuba, detalha os resultados do estudo, conta a trajetória da pesquisadora e mostra como qualquer pessoa pode contribuir para pesquisas sobre a biodiversidade marinha.






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