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Um projeto de lei que pretende limitar o uso de dinheiro público na contratação de shows, rodeios e eventos culturais recebeu apoio unânime durante audiência pública realizada na terça-feira (12), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

A discussão ocorreu na Comissão de Cultura da ALMG e envolveu parlamentares, produtores de eventos e representantes de municípios mineiros. O texto em debate é o Projeto de Lei 5.656/26, de autoria conjunta dos deputados Antonio Carlos Arantes e Professor Cleiton.

Segundo os autores, a proposta surgiu após reclamações de produtores culturais sobre o aumento dos cachês de artistas e o impacto dos custos na realização de festas públicas em Minas Gerais.

O que prevê o projeto?

De acordo com o texto apresentado na audiência, o projeto estabelece limite de R$ 500 mil por apresentação artística custeada com recursos públicos, ou o equivalente a 1% da receita corrente líquida do município responsável pelo evento.

O valor inclui:

  • cachê artístico;
  • transporte;
  • alimentação;
  • custos da produção;
  • despesas diretamente ligadas à apresentação.

Despesas com hospedagem e translado ficariam fora desse limite principal, mas teriam teto adicional correspondente a até 10% do valor total contratado. Para eventos de Carnaval e Réveillon, o limite previsto seria dobrado.

O projeto também determina que pelo menos 5% do valor gasto com a atração mais cara seja destinado à contratação de artistas mineiros. Municípios com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) terão regras específicas previstas no texto.

Produtores reclamam de aumento dos cachês

Durante a audiência, produtores de eventos afirmaram que o mercado tem enfrentado dificuldades devido à alta nos cachês de artistas nacionais após a pandemia.

O produtor João Wellington Esteves declarou que representa um grupo de 173 produtores favoráveis à regulamentação dos gastos públicos no setor. Segundo ele, o desequilíbrio financeiro vem comprometendo a estrutura dos eventos.

“Nosso mercado está colapsando”, afirmou. “O artista leva o dinheiro todo da festa e sobra pouco para a estrutura. A coisa está desequilibrada.”

Ainda segundo o produtor, artistas que cobravam cerca de R$ 200 mil em 2023 passaram a exigir valores entre R$ 600 mil e R$ 700 mil atualmente.

Deputados defendem limite para gastos públicos

O deputado Antonio Carlos Arantes afirmou que a proposta também foi motivada pelo crescimento dos custos de festas financiadas pelo poder público.

Durante a audiência, o parlamentar criticou pagamentos milionários para apresentações artísticas em municípios com dificuldades estruturais.

“Tudo na vida tem que ter limite”, declarou o deputado.

Já o deputado Professor Cleiton afirmou que o projeto busca estabelecer regras claras para utilização de recursos públicos em eventos culturais e rodeios realizados em Minas Gerais.

AMM aponta possível debate jurídico

Representando a Associação Mineira de Municípios, o consultor jurídico Wederson Siqueira afirmou que a entidade participou da construção do projeto, mas alertou para possíveis questionamentos jurídicos.

Segundo ele, a Lei Federal 14.133/2021 estabelece que municípios possuem competência para definir regras próprias sobre contratações públicas, o que poderia limitar o alcance de uma legislação estadual sobre gastos municipais.

O consultor sugeriu que o debate também seja conduzido em conjunto com o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado.

Projeto recebeu apoio de outros parlamentares

Outros deputados presentes na audiência também manifestaram apoio à proposta.

O deputado Mauro Tramonte afirmou que a medida pode servir de referência nacional. Já o deputado Bim da Ambulância sugeriu elevar de 5% para 10% a reserva mínima para contratação de artistas mineiros.

O deputado Ricardo Campos destacou o caráter suprapartidário da proposta e afirmou que projetos considerados positivos para a população devem receber apoio independentemente de posicionamentos políticos.

Rodolpho Bohrer

Sócio-proprietário e fundador do Mais Minas e jornalista em formação pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Redator de cidades, tecnologia e política, além de link builder na Agência MaisPost. Em 2026, foi um dos repórteres vencedores do prêmio estadual "Tributação e Justiça Social", promovido pelo Sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (SINJORBA).