Filmes que abordam identidade, desigualdade e resistência serão utilizados como ponto de partida para uma série de conversas sobre relações raciais em Belo Horizonte. A primeira edição da mostra “Luz, Câmera e Resistência” acontece de 19 a 21 de agosto, no Centro Cultural Venda Nova, com entrada gratuita.

A iniciativa propõe uma programação que vai além da exibição das obras. Depois das sessões, o público poderá participar de debates conduzidos por profissionais que pesquisam ou atuam em áreas relacionadas às questões apresentadas nos filmes. Saúde, educação, gênero e estética estão entre os assuntos que serão discutidos durante o evento.
Quatro curtas-metragens fazem parte da programação. “Kbela”, de Yasmin Thayná, apresenta questões relacionadas à experiência de mulheres negras diante do racismo. Já “Ó do Pupa, Lugar de Resistência”, dirigido por Carine Fiúza, aborda temas ligados à diáspora africana, à violência racial e às formas de resistência.
Também será exibido “Vista a Minha Pele”, de Joel Zito Araújo, que apresenta uma realidade social invertida para provocar uma reflexão sobre privilégios e desigualdade racial. Completa a seleção “Corpo Preto”, de Nany Oliveira, produção de 2025 que discute os efeitos do racismo no atendimento em saúde e as diferenças enfrentadas por pacientes negros.
Os debates terão a participação de Karina Cristina Rouwe de Souza, enfermeira obstétrica, mestre em Saúde das Populações pela UFMG e doutoranda em Saúde Coletiva pela Fiocruz Minas; Maryhn Benedita, designer, cerimonialista e professora de moda; Carla Rosário, doutoranda em Ciência Política pela UFMG e cofundadora do Instituto GENI – Gênero e Interseccionalidades; e Aline Cerqueira, historiadora, professora e doutoranda em História pela UFMG.
A organização pretende reunir estudantes do 9º ano, alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e moradores da região. A ideia é criar um espaço de troca entre diferentes gerações e levar a discussão sobre racismo para além dos espaços tradicionalmente ocupados por eventos culturais.
A mostra começou a ser construída em 2024 e, antes da primeira edição com apoio institucional, realizou atividades de forma independente. O projeto foi contemplado pelo Edital BH nas Telas 2025 e pelo Fundo Estadual de Cultura (FEC 2025), na categoria Mostras e Festivais.
Para a idealizadora Elizabeth Rouwe, o audiovisual pode facilitar discussões sobre situações de racismo que muitas vezes são difíceis de abordar diretamente. A expectativa é que as sessões estimulem a participação do público e fortaleçam o projeto como um espaço de encontro e formação.
As atividades serão realizadas no Centro Cultural Venda Nova, na rua José Ferreira dos Santos, 184, no bairro Jardim dos Comerciários. No dia 19 de agosto, haverá sessões das 8h às 9h30 e das 15h30 às 17h. No dia 20, a programação ocorre das 19h30 às 21h. No dia 21, a atividade será realizada das 8h às 9h30.
A entrada é gratuita e a classificação indicativa é de 14 anos. Informações sobre a programação também podem ser consultadas no perfil do projeto no Instagram, @luzcamera.resistencia.











