As reportagens publicadas pelo portal Mais Minas sobre o aumento do vale-alimentação da Câmara Municipal de Ouro Preto e a revogação da lei que proibia a compra de bebidas alcoólicas com recursos públicos dominaram parte significativa da reunião ordinária realizada nesta quinta-feira (7).
Durante mais de 40 minutos da sessão, vereadores utilizaram o plenário para comentar as repercussões das matérias e defender decisões adotadas pela mesa diretora da Casa.
O presidente da Câmara, Vantuir Silva, abriu o pronunciamento tratando de uma correção relacionada à votação do projeto que revogou a proibição da compra de bebidas alcoólicas em eventos oficiais.
Segundo ele, houve um “erro material” no registro do voto da vereadora Lílian França, que inicialmente apareceu como favorável ao projeto, apesar de ter votado contra. A correção, segundo Vantuir, já havia sido republicada pela Câmara.
O que disse Vantuir sobre a compra de bebidas alcoólicas?
Ao comentar a repercussão da matéria sobre a revogação da Lei nº 1.065/2017, Vantuir afirmou que o debate teria criado uma interpretação distorcida sobre os gastos da Câmara.
Segundo ele, a mudança legislativa não autorizaria despesas “astronômicas” com bebidas alcoólicas, mas apenas permitiria o fornecimento controlado de vinho em solenidades oficiais e homenagens institucionais.
O vereador argumentou que a utilização ocorreria em eventos formais voltados ao reconhecimento de autoridades, cidadãos e instituições homenageadas pela Câmara.
“Espero que nenhum outro vereador tenha arrependido do voto que deu para a gente ter o uso da bebida alcoólica com limitação, com consciência, dentro dos nossos eventos”, afirmou o presidente da Câmara.
Vantuir também questionou a diferença de percepção entre gastos públicos com bebidas alcoólicas e outros itens servidos em eventos institucionais.
“É moral gastar dinheiro público com suco de uva, mas gastar dinheiro público para comprar um vinho é imoral?”, declarou.
Como Vantuir respondeu às críticas sobre o vale-alimentação?
Grande parte do pronunciamento foi direcionada à repercussão da reportagem publicada pelo Mais Minas sobre o auxílio-alimentação de R$ 1.750 aprovado para vereadores, assessores e servidores da Câmara de Ouro Preto.
A lei, sancionada em 2026, também prevê reajuste salarial para servidores efetivos, aposentados, pensionistas e cargos comissionados.
Durante a sessão, Vantuir afirmou que a reportagem teria gerado uma interpretação equivocada sobre o reajuste.
Segundo ele, o valor do benefício não foi criado pela atual gestão da Câmara, mas existe desde 2005 e vinha sendo reajustado ao longo dos anos.
“O vereador Vantuir não criou um cartão de R$ 1.750. O cartão foi criado em 2005”, declarou.
O presidente também afirmou que o reajuste aprovado em 2026 foi de R$ 150 sobre o valor anterior do auxílio.
Em outro momento, Vantuir afirmou que considera legítima a valorização dos servidores públicos do Legislativo municipal.
“Se valorizar os servidores for crime, eu quero ser criminalizado por isso”, afirmou.
Ele também rebateu comparações feitas entre o valor do auxílio-alimentação da Câmara e os benefícios pagos a professores da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).
Segundo Vantuir, sua atuação estaria restrita à estrutura administrativa da Câmara.
“Eu não sou o reitor e eu não sou o presidente da República”, declarou ao justificar que só pode atuar diretamente sobre os servidores do Legislativo municipal.
O que Vantuir disse sobre motivação política nas críticas?
Ao longo do discurso, o presidente da Câmara Municipal de Ouro Preto, Vantuir Silva, afirmou diversas vezes acreditar que parte das críticas e da repercussão das reportagens teria motivação política.
Segundo ele, as publicações estariam sendo utilizadas para desgastar sua gestão e a mesa diretora da Câmara.
“Eu sei de onde cada um desses ataques está vindo”, afirmou durante a reunião.
O vereador também declarou que, com o tempo, “a verdade vai vir à tona” sobre os responsáveis pelas movimentações políticas que, segundo ele, estariam por trás das críticas.
Além da defesa das medidas aprovadas pelo Legislativo, Vantuir utilizou o plenário para destacar ações da atual gestão da Câmara, como devolução de recursos ao Executivo, ampliação da emissão de carteiras de identidade, reforma de patrimônio histórico e implantação de rastreamento nos veículos oficiais.
Como os demais vereadores se posicionaram?
Após o pronunciamento do presidente, diversos vereadores se manifestaram em apoio à mesa diretora e comentaram a repercussão das reportagens.
O vereador Naércio afirmou acreditar que parte das críticas teria motivação política e disse que algumas manifestações buscariam “apagar a luz e o trabalho” da presidência da Câmara.
A vereadora Lília França voltou a afirmar que é contra o uso de recursos públicos para compra de bebidas alcoólicas e explicou que divulgou nota pública após o erro no registro do seu voto. Segundo ela, muitas pessoas passaram a questioná-la após a publicação inicial da ata.
“Eu sou definitivamente, sempre serei contra usar dinheiro público para a compra de bebida alcoólica”, declarou.
O vereador Mercinho afirmou que os questionamentos estariam relacionados ao cenário político local e saiu em defesa do reajuste do auxílio-alimentação.
Já o vereador Luciano Barbosa declarou apoio ao presidente da Câmara e afirmou que as críticas acabariam fortalecendo politicamente Vantuir.
O vereador Alex Brito também relacionou a repercussão ao ambiente político da cidade e destacou que a Câmara devolveu cerca de R$ 8 milhões à Prefeitura no último ano.
O vereador Titão afirmou que as críticas estariam concentradas na figura do presidente da Casa e disse que “a árvore que dá fruto é a que leva pedrada”.
O vereador Luiz Gonzaga também manifestou solidariedade a Vantuir e elogiou a condução da mesa diretora.
O vereador Renato Zoroastro defendeu os eventos institucionais realizados pela Câmara e afirmou que as homenagens promovidas pelo Legislativo não podem ser tratadas como “micareta” ou evento sem controle.
Já o vereador Kuruzu manifestou “total e irrestrita solidariedade” ao presidente da Câmara. Segundo ele, Vantuir tem conduzido as relações institucionais “com diálogo”.
Kuruzu também afirmou ter “profundo respeito” pela liberdade de imprensa, mas declarou que profissionais do jornalismo precisam “tomar cuidado para não serem induzidos ao erro” durante a produção das reportagens.
Quais foram as reportagens debatidas?
As discussões ocorreram após a publicação de duas reportagens do Mais Minas.
Uma delas abordou a aprovação da lei que revogou a proibição da compra de bebidas alcoólicas com recursos públicos em eventos institucionais da Câmara e da Prefeitura.
A outra tratou do reajuste do vale-alimentação para vereadores, assessores e servidores da Câmara, fixado em R$ 1.750, valor superior ao auxílio-alimentação pago atualmente a professores doutores da Universidade Federal de Ouro Preto.
O Mais Minas reitera que as reportagens foram produzidas sem qualquer vínculo partidário ou interesse político-eleitoral, diferentemente das interpretações mencionadas por alguns vereadores durante a sessão.
O portal afirma ainda que não há qualquer “grupo político oculto” por trás das publicações e que o conteúdo é resultado de trabalho jornalístico independente, voltado à divulgação de informações de interesse público relacionadas aos atos dos agentes políticos e da administração pública.
A reunião está disponível, na íntegra, no canal da Câmara no Youtube. O debate sobre as reportagens acontece a partir das 02:20 de reprodução do vídeo e dura mais de 40 minutos.







