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Brumadinho: maior operação de busca da história completa mil dias

A operação de buscas chegou ao seu milésimo dia nesta quinta-feira, 21 de outubro, e 262 vítimas já foram identificadas e confirmadas pela perícia da Polícia Civil.

Rômulo Soares 21 de outubro de 2021 às 15:18
Tempo de leitura
5 min
Foto: Mais Minas
Foto: Mais Minas

Após exatos mil dias do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, equipes do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMMG) continuam trabalhando diariamente nas áreas atingidas pela lama para encontrar as oito vítimas que permanecem desaparecidas.

A operação de buscas chegou ao seu milésimo dia nesta quinta-feira, 21 de outubro, e 262 vítimas já foram identificadas e confirmadas pela perícia da Polícia Civil. O último corpo encontrado foi no dia 2 deste mês de outubro. Ele foi enviado ao IML (Instituto Médico-Legal), para confirmar que se trata de uma vítima desaparecida.

No dia 6 de outubro deste ano foi quando houve a última confirmação. Se trata de Angelita Cristiane Freitas de Assis, que tinha 37 anos, e era técnica de enfermagem do trabalho. O corpo dela foi encontrado em agosto e identificado no início deste mês.


A operação em Brumadinho é considerada uma das maiores ações de busca e salvamento das Américas e é a maior do país. Desde o rompimento, em 25 de janeiro de 2019, 4.142 bombeiros de Minas Gerais atuaram na missão. Agentes de outros 16 estados cooperaram nos trabalhos, além da Força Nacional, Forças Armadas e Exército de Israel.

Houve duas interrupções nas buscas durante este tempo de pandemia, a primeira entre os dias 21 de março e 26 de agosto de 2020 e a segunda entre março e maio deste ano. O Corpo de Bombeiros explicou que, para não prejudicar o andamento dos trabalhos durante o período pandêmico, houve a otimização dos Sistemas de Informações Geográficas (GIS) e o aumento do controle dos rejeitos nos Depósitos Temporários de Rejeito (DTR), com o uso de tecnologias que permitiram a quantificação do volume de rejeito vistoriado ou pendente de vistoria.

Ainda estão desaparecidos:

Cristiane Antunes Campos — trabalhava na mina Córrego do Feijão quando a barragem 1 da mineradora Vale estourou.

Lecilda de Oliveira — trabalhava no departamento de Recursos Humanos da Vale e deixou dois filhos.

Luis Felipe Alves — era Engenheiro de Produção e trabalhava na Vale há três meses quando a barragem se rompeu. Em novembro de 2015, ele ajudou os bombeiros na operação envolvendo o rompimento da barragem da Samarco, em Mariana.

Maria de Lurdes da Costa Bueno — ela não trabalhava no loca, apenas passava férias com a família na Pousada Nova Estância, que foi soterrada pela lama de rejeitos. Ela é a única pessoa que estava no local e ainda não foi encontrada.

Nathalia de Oliveira Porto Araújo — era estagiária na Vale há oito meses. Ela tinha duas filhas, de 3 e 4 anos.

Olímpio Gomes Pinto — era funcionário de uma empresa terceirizada da Vale e trabalhava na barragem b1 no momento do rompimento.

Tiago Tadeu Mendes da Silva — havia acabado de se formar e trabalhava como mecânico industrial na Vale. Ele deixou dois filhos pequenos.

Uberlândio Antônio da Silva — era mecânico de empilhadeira e prestava serviço para a Vale. No momento do rompimento, ele estava no refeitório da empresa.

Ao todo, 4 milhões m³ de rejeitos já foram vistoriados pelo Corpo de Bombeiros. Sendo 10,5 milhões de m³ o total de lama derramada com o rompimento da barragem, ainda faltam 6,5 milhões a serem revisados. A previsão é que as estações de busca concluam essa vistoria em aproximadamente dois anos.

Veja o vídeo do Corpo dos Bombeiros:

Sem culpados

A tragédia em Brumadinho matou 270 pessoas, mas ainda não houve pessoas responsabilizadas pelo crime. O ex-presidente da Vale, Fabio Schvartsman, e outras 15 funcionários da mineradora e da empresa de consultoria TÜV SÜD deixaram de ser réus por homicídio qualificado, por crimes contra fauna e flora, além de crime de poluição.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nessa terça-feira, 19 de outubro, pela extinção do processo criminal que corria no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O órgão havia aceitado a denúncia do Ministério Público do estado (MP) em 2020, o que tornava 16 pessoas réus, incluindo o ex-presidente da Vale.

No entanto, o MP recorrerá da decisão do STJ, que aceitou o argumento da defesa de Schvartsman que alegou que a tragédia afetou sítios arqueológicos, que são de responsabilidade da União.

A acusação do MP é que há irregularidades em documentos enviados pela Agência Nacional de Mineração (ANM), que também é de âmbito federal. Agora, o caso será julgado apenas pela 9ª Vara Federal de Belo Horizonte.

Já a Justiça Federal não analisou toda a questão, pois o Ministério Público Federal (MPF) ainda não ofereceu denúncia e aguarda a conclusão do inquérito por parte da Polícia Federal.

A Universitat Politécnica de Catalunya, na Espanha, apresentou um estudo a pedido do MPF que confirmou que a ruptura da barragem de Córrego do Feijão foi causada pela liquefação e que uma perfuração teria sido o gatilho para o rompimento.

Enquanto isso, a Vale diz que sempre norteou as suas atividades por premissas de segurança e que nunca foi encontrado nenhum cenário de risco iminente de ruptura da estrutura, o que, inclusive, é confirmado em todos os laudos já expedidos.

Quanto à TÜV SÜD, empresa que atestou a segurança da barragem da Vale que se rompeu em Brumadinho, aguarda uma decisão judicial no processo que tramita na Alemanha, que deve sair em fevereiro de 2022.

ATENÇÃO: Ao copiar uma matéria do Mais Minas, ou parte dela, não se esqueça de incluir o link para a notícia original.