Um dos capítulos mais improváveis da Copa do Brasil 2026 aconteceu na última quarta-feira (18), em Porto Seguro. Com dez jogadores desde os 3 minutos, depois reduzido a nove em campo, o Porto Sport Clube virou o jogo sobre o Serra Branca, da Paraíba, e garantiu a classificação de forma heroica.
O roteiro de dificuldades começou cedo. O lateral-esquerdo Caio foi expulso ainda no início do jogo, deixando o time da casa em desvantagem numérica quase que imediatamente. Com um a menos, o Porto ainda viu o adversário abrir o placar aos 31 minutos, em gol de Igor Nunes.
O pior, porém, ainda estava por vir. Durante a parada para hidratação, um desentendimento interno abalou ainda mais o time liderado pelo ex-cruzeirense Sandro Duarte: o zagueiro Everton Dias, inconformado com algum lance, desferiu uma cabeçada no próprio goleiro Matheus Cabral. O árbitro não teve dúvidas e expulsou o defensor, deixando o Porto com apenas nove jogadores em campo.
Foi nesse cenário surreal que o time baiano encontrou sua maior força. Sem recuar, o Porto buscou o empate aos 44 minutos com Bruno Liborge e guardou o melhor para os acréscimos: aos 52 minutos, Cesinha estufou as redes, decretou a virada e carimbou a classificação do Porto Sport na Copa do Brasil 2026.
O DNA moldado para vencer
Sandro Duarte sabe o que é vencer sob pressão. Ídolo no Cruzeiro, onde conquistou o Brasileiro, a Copa do Brasil e o Mineiro em 2003, o ex-jogador transferiu sua qualidade técnica para a estratégia tática na Bahia. Sua influência no futebol vai além do campo; sócio de uma agência de atletas ao lado de Ehler Pessoa, ele ajuda a moldar carreiras de estrelas da Seleção Brasileira, como Richarlison e Vitor Roque.
Em entrevista exclusiva para o Mais Minas, Sandro Duarte destacou que a calma para buscar o resultado, mesmo com dois a menos, vem de uma vida inteira acostumado a grandes decisões:
Então eu acho que no intervalo eu corrigi o posicionamento dos meninos ali, fizemos duas linhas de quatro, e eu tinha falado com eles, cara, vamos encaixar uma bola, encaixar uma bola, e nessa bola nós vamos empatar o jogo.
Sandro Duarte, treinador do Porto – Crédito: Felipe Aguiar
O treinador destacou o poder de união do elenco, os dois gols marcados foram de jogadores que vieram do banco de reservas:
Graças a Deus, os que vieram da suplência, entraram bem, mudaram a história do jogo, e mostrou que o corpo não são só 11 que iniciam o jogo, é um grupo, realmente que a gente trata todo mundo da mesma maneira, como família, e eu falo pra eles que quando entrar, dê o seu melhor sempre. E assim tem sido feito, completou Sandro.
Um pai
Mas o impacto de Sandro Duarte no Porto vai muito além das quatro linhas ou da estratégia montada para superar as expulsões. O treinador tem sido um pilar emocional para um elenco que vê nele não apenas um comandante vencedor, mas um mentor que abdica do conforto de sua história vitoriosa para lutar diariamente pelos seus comandados.
A força desse vínculo ficou clara no desabafo emocionado do atacante Breno, que revelou como a persistência do técnico foi fundamental para sua volta por cima no clube:
Só a gente sabe o que ele passa, né? E, realmente, ele não precisava ser um treinador. Só que ele luta pela gente, ele fala pra nós todo dia se dedicar.
Ainda mais pra mim, que eu não tava pegando relação, não tava sendo convocado. E aí eu fui perguntar pra ele porque eu precisava melhorar e ele falou, mano, só se dedica. Se dedica que sua hora vai chegar (…) No meio do jogo mesmo eu ficava orando, Deus, prepara um momento pra mim, pra que o Seu nome seja glorificado e o nome dele seja glorificado na minha vida através de mim, desabafou Breno.
Breno Liborge, autor do gol de empate do Porto – Crédito: Felipe Aguiar