A Universidade Federal de Ouro Preto, estudantes das repúblicas federais e o Ministério Público Federal homologaram, na última quinta-feira (7), um acordo que estabelece novas diretrizes para o funcionamento das moradias estudantis federais de Ouro Preto.
O entendimento foi firmado durante audiência realizada na Unidade Avançada da Justiça Federal, localizada na Rua São José, no Centro histórico da cidade. A decisão é considerada a primeira grande homologação da recém-instalada estrutura da Justiça Federal no município.
O acordo encerra uma ação judicial em tramitação desde 2019 e reorganiza o modelo de gestão compartilhada das repúblicas federais ligadas à universidade.
O que prevê o acordo?
Segundo as instituições envolvidas, o entendimento estabelece novas regras para os processos de entrada de moradores, regulamentação do uso dos imóveis públicos pertencentes à União e mecanismos de fiscalização e acompanhamento das repúblicas estudantis.
O texto também prevê medidas relacionadas à proteção dos estudantes, respeito à dignidade dos moradores e reorganização administrativa das casas federais.
A audiência reuniu representantes da universidade, estudantes, integrantes do Ministério Público Federal, Justiça Federal e autoridades municipais.
O que os estudantes consideram uma conquista?
De acordo com informações divulgadas pelo jornal Geraes, uma das principais reivindicações dos estudantes durante as negociações envolvia a preservação das fontes de receita utilizadas pelas repúblicas para manutenção dos imóveis.
Segundo representantes estudantis, o acordo garantiu mecanismos que permitem a continuidade financeira das moradias universitárias e a realização de reparos estruturais nas casas.
Representando a Associação das Repúblicas Federais de Ouro Preto, o estudante João Vitor Nunes afirmou que a participação direta dos moradores foi decisiva para a construção do entendimento final.
“Hoje aconteceu uma coisa histórica. A gente foi convidado para estar na sala de audiência e renegociar os termos do acordo para fazer com que ele fosse mais favorável. Nós conseguimos uma vitória fundamental relacionada às nossas fontes de receita para que a gente possa manter os imóveis e fazer a manutenção deles”, declarou.
O que disse o prefeito Angelo Oswaldo?
O prefeito Angelo Oswaldo afirmou que o acordo preserva uma das principais tradições universitárias e culturais da cidade.
Segundo ele, o entendimento representa uma reorganização do sistema republicano estudantil construída por meio do diálogo entre universidade, estudantes, Ministério Público Federal e Justiça Federal.
“As repúblicas renascem, restauram o republicanismo de uma maneira nova, inovadora, com o apoio da Universidade, a supervisão do Ministério Público Federal e essa decisão da Justiça”, afirmou.
Em publicação nas redes sociais, Angelo Oswaldo também destacou que as repúblicas fazem parte da identidade histórica e urbana de Ouro Preto.
“As repúblicas fazem parte da paisagem de Ouro Preto, da vida de Ouro Preto. É importante que elas estejam aqui em harmonia com a vida urbana, com a cidade e com a Universidade Federal de Ouro Preto”, declarou.
O prefeito ainda ressaltou a atuação do reitor Luciano Campos nas negociações com os estudantes e classificou o momento como histórico para a comunidade universitária.
Por que as repúblicas estavam sendo discutidas judicialmente?
Nos últimos anos, o sistema das repúblicas federais passou a ser alvo de questionamentos relacionados aos processos de seleção de moradores, denúncias de constrangimentos e debates sobre a gestão dos imóveis públicos pertencentes à União.
A ação judicial que resultou no acordo vinha sendo discutida desde 2019 e envolvia discussões sobre fiscalização, funcionamento interno das moradias e participação estudantil na administração das casas.
O modelo das repúblicas federais é uma das marcas históricas da vida universitária de Ouro Preto e integra parte da tradição acadêmica e cultural da cidade.







