A Vale e a startup Biosolvit inauguraram, em Itabira, na Região Central de Minas Gerais, a segunda unidade industrial voltada à produção de um supressor de poeira desenvolvido a partir de plástico PET reciclado. Segundo as empresas, a fábrica tem área de 960 m² e capacidade para produzir até 1 milhão de litros por mês de uma resina biodegradável que será aplicada em operações da mineradora no estado.
A proposta do produto é reduzir a propagação de poeira em pontos como pilhas de minério, vias não pavimentadas e carregamentos ferroviários. De acordo com a descrição divulgada, o material forma uma película protetora e contribui para diminuir a dispersão de partículas no ambiente.
A nova planta em Itabira passa a operar em conjunto com uma fábrica já existente em Cariacica, no Espírito Santo, onde a Biosolvit mantém produção do mesmo insumo. A startup informou que o investimento total no projeto foi de R$ 30 milhões.
Em publicação sobre a inauguração, o diretor de Operações da Vale em Itabira, Diogo Monteiro, afirmou que a implantação da unidade está alinhada ao plano estratégico “Itabira Sustentável” e que a fábrica representa uma nova atividade econômica no município. “Estamos transformando desafios ambientais em oportunidades para melhorar a vida das pessoas e garantir um futuro mais seguro e saudável”, disse.
Já o CEO da Biosolvit, Guilhermo Queiroz, declarou que a operação conjunta das duas unidades pode retirar do meio ambiente mais de 70 milhões de garrafas PET por ano. Ele também apontou que a iniciativa tem foco em sustentabilidade e redução de poeira nas áreas atendidas.
Como funciona o produto feito com PET reciclado
Segundo as informações apresentadas pelas empresas, o plástico utilizado na fabricação passa por um processo de reciclagem química e é convertido em uma resina biodegradável e não tóxica. O material é aplicado em diferentes superfícies ligadas à mineração e ao transporte do minério, formando uma camada que ajuda a reduzir a emissão de poeira.
A Vale informou que o supressor foi desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e que a fabricação será executada pela Biosolvit.
Catadores da região devem fornecer parte do material
Além da aplicação industrial, a iniciativa também envolve o fornecimento de plástico por associações de catadores de materiais recicláveis. A previsão divulgada é que, inicialmente, cerca de 560 trabalhadores ligados a 12 associações participem do abastecimento de PET para a unidade.
Essas associações estão localizadas em Itabira e em municípios como Santa Bárbara, Barão de Cocais, João Monlevade, Rio Piracicaba, Ouro Preto, Mariana, Itabirito e Sabará.
A expectativa anunciada é de aumento de até 30% na receita dos catadores com a venda do PET para a Biosolvit, a depender da disponibilidade de material e da regularidade do fornecimento.
A Vale relaciona a ação ao Projeto Reciclo Agora, criado para apoiar associações por meio de melhorias em gestão, infraestrutura e capacitação. De acordo com a empresa, o programa atende atualmente 21 associações em Minas Gerais.
A diretora de Sustentabilidade da Vale, Camila Lott, afirmou que a iniciativa busca ampliar “valor compartilhado” e melhorar as condições de trabalho nas cooperativas. “O Reciclo Agora oferece consultoria especializada e financia estrutura adequada para que as associações atuem de forma mais eficiente e sustentável”, declarou.
No último ano, segundo a mineradora, foram investidos R$ 700 mil no projeto, incluindo consultoria e a construção de um galpão em Itabira para a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Itabira (Ascarmarita), que deve fornecer insumos à nova unidade.
Pesquisa e patente envolvem parceria com universidade
A Vale informou que a resina biodegradável é resultado de dez anos de pesquisa e recebeu investimentos de R$ 12 milhões durante o desenvolvimento. O produto, segundo a empresa, é inédito e foi patenteado pela Vale e pela Ufes.
Para a Universidade Federal do Espírito Santo, a ampliação da produção reforça o papel da cooperação com o setor privado. A superintendente de Projetos e Inovação da instituição, Miriam de Magdala, disse que o projeto demonstra como o conhecimento acadêmico pode ser aplicado em soluções com efeitos práticos em diferentes áreas.
Ela também afirmou que a iniciativa pode beneficiar empresas, trabalhadores que atuam com reciclagem e o meio ambiente ao dar destino ao PET que não seria reaproveitado.
Investimentos em inovação e aplicação em Minas Gerais
A Vale destacou que vem ampliando investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) e informou que, em 2024, aplicou US$ 790 milhões nessa área. A empresa também mencionou que mantém mais de 250 parcerias externas nos últimos 15 anos com universidades, institutos e órgãos de fomento.
O gerente-geral de Inovação da Vale, Leandro Viana Teixeira, afirmou que o modelo de inovação aberta busca conectar demandas operacionais a soluções consideradas viáveis para uso em campo. Ele apontou o supressor como um exemplo dessa estratégia.
A aplicação do material deve ocorrer em operações da empresa em Minas Gerais, com foco em redução de poeira em áreas de movimentação e estocagem de minério.

















