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Desde a redemocratização, em 1985, Ouro Preto foi governado diretamente por Angelo Oswaldo ou Zé Leandro em 67% desse tempo (24 de 36 anos). Se for considerar os 3 anos que ainda restam e outros dois de Zé, de 83 a 85, são mais de 70%.

Há quase 40 anos o povo opta pelas mesmas pessoas, elegem os mesmos grupos políticos e depois quer ficar reclamando em rede social e esperar “algo novo” na cidade. Difícil entender!

A cidade optou de novo por um “museu de grandes novidades”.

Contribuição do sistema eleitoral

Nesse cenário, há de se considerar, por exemplo, que menos de 30% do eleitorado optou por Angelo Oswaldo na prefeitura, na última eleição. Foram 18 mil votos de um eleitorado de 61 mil pessoas. Ou seja, parte do povo tem eleito às mesmas pessoas, mas essa não é a maioria da população.

O nosso sistema eleitoral pouco evoluiu nesse sentido, permitindo bizarrices como essa. O cara já entra pra governar com uma rejeição de mais de 70% da população. Isso é democracia?

Um bairro ou distrito mais populoso é capaz de decidir a eleição de toda uma cidade. Muito mais importante do que Fundão Eleitoral e discussão sobre voto de papel ou impresso, é preciso combater essa falta de representatividade política. Independente da forma, o povo segue sem estar afim de ir votar nessas pessoas que estão aí como opção.

Foi escolhida a pessoa que tinha uma “extrema menor rejeição pra governar”.

Rodolpho Bohrer

Sócio-proprietário e fundador do Mais Minas e jornalista em formação pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Redator de cidades, tecnologia e política, além de link builder na Agência MaisPost. Em 2026, foi um dos repórteres vencedores do prêmio estadual "Tributação e Justiça Social", promovido pelo Sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (SINJORBA).