A Julifest sempre foi um dos eventos mais aguardados do calendário da região dos Inconfidentes. É a época em que moradores de Itabirito e milhares de visitantes ocupam a Praça dos Inconfidentes para prestigiar os shows, reencontrar amigos, provar da gastronomia local e, principalmente, fortalecer o trabalho das associações que fazem da festa uma importante fonte de renda.
Neste ano, porém, parte desse clima acabou sendo ofuscada por uma medida inédita. Por exigência do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), uma barreira com gradis de grande extensão para passagem de emergência passou a isolar a área do evento, criando uma barreira entre o público e algumas barracas das associações. A preocupação com a segurança é legítima e indispensável em qualquer grande evento, mas, na Julifest, a solução adotada acabou produzindo consequências que tiram o brilho da festa, limitam a circulação do público e prejudicam justamente as associações que contam com o evento para arrecadar recursos e fortalecer seu trabalho.
Em conversa com representantes das barracas instaladas dentro da área isolada, a reclamação foi praticamente unânime. “Investi R$ 25 mil e essa grade não me deixa vender”, relatou um deles. Outro resumiu o sentimento de quem está trabalhando na festa. “Estamos aqui isolados do público.” Para entidades que dependem da Julifest para reforçar o caixa ao longo do ano, cada venda faz diferença.
Chama atenção o fato de que essa divisão física não existia nas mais de 30 edições anteriores da festa, o que naturalmente desperta dúvidas sobre o planejamento adotado neste ano e sobre a possibilidade de alternativas capazes de garantir a mesma segurança sem comprometer tanto a circulação de pessoas e o acesso às barracas.
Segurança nunca deve ser tratada como detalhe, mas também é preciso encontrar equilíbrio. A Julifest só é completa quando os shows, o público e as associações conseguem ocupar o mesmo espaço de forma integrada. Afinal, a festa não vive apenas do palco.







