A Agência Nacional de Mineração (ANM) determinou o embargo da barragem Maravilhas II, da Vale, localizada na Mina do Pico, em Itabirito. A medida foi publicada na sexta-feira (28) e impede o depósito de rejeitos na estrutura até que a mineradora regularize documentos relacionados à segurança da barragem.

O embargo ocorre cerca de oito meses depois de a Maravilhas II deixar o nível 1 de emergência. Segundo as informações divulgadas pela ANM, a decisão atual não decorre da identificação de uma nova anomalia ou de uma mudança nas condições físicas da barragem. O problema está na documentação apresentada pela Vale, que não incorporava a situação da estrutura depois das obras realizadas no local.
Com as intervenções, precisavam ser atualizados o estudo que simula uma eventual ruptura e o Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração (PAEBM). Esses documentos são utilizados no planejamento das medidas que devem ser adotadas em uma situação de emergência.
A irregularidade levou a Maravilhas II ao nível de alerta, classificação diferente dos níveis de emergência. Segundo a ANM, nesse caso, o alerta decorre da pendência documental e não significa que tenha sido identificado comprometimento imediato da estabilidade. Na última fiscalização presencial mencionada pela agência, realizada em 13 de julho, não foram constatados problemas que apontassem risco imediato à segurança da estrutura.
Com o embargo, a Vale fica impedida de depositar novos rejeitos na Maravilhas II. A mineradora, porém, poderá executar atividades necessárias à manutenção, à segurança e à regularização da barragem. A empresa informou ainda que a estrutura já se encontrava inoperante por planejamento operacional quando a medida foi determinada.
Para que a restrição seja retirada, a Vale terá de apresentar a documentação atualizada. Depois disso, será necessária uma nova avaliação para verificar a adequação dos estudos e do plano de emergência.
Vale diz que barragem permanece estável
Em nota, a Vale afirmou que o embargo não decorre de alteração nas condições de segurança da Maravilhas II. Segundo a mineradora, a documentação está sendo revisada para incorporar as modificações feitas na estrutura.
A empresa informou ainda que a barragem permanece sem nível de emergência e é monitorada durante 24 horas pelos seus centros de monitoramento geotécnico.
A Maravilhas II havia deixado o nível 1 de emergência em janeiro de 2026, após receber uma Declaração de Condição de Estabilidade (DCE) positiva. Antes disso, a Vale realizou obras de reforço concluídas em outubro de 2025.
Outra barragem da Vale teve nível reduzido em Ouro Preto

A decisão sobre Maravilhas II ocorre dez dias depois de outra mudança envolvendo uma estrutura da Vale na região. Em 18 de agosto, a barragem Forquilha I, na Mina de Fábrica, em Ouro Preto, teve a classificação reduzida do nível 2 para o nível 1 de emergência.
Segundo a Vale, a mudança ocorreu após investigações geotécnicas, estudos e melhorias na instrumentação que permitiram obter novos fatores de segurança. Forquilha I estava no nível 2 desde 2020 e integra o programa de descaracterização de barragens a montante da mineradora.
As barragens Forquilha II e Forquilha III, também na Mina de Fábrica, permanecem no nível 2. A Forquilha III deixou o nível máximo, o 3, em 2025. Com isso, segundo a empresa, atualmente nenhuma estrutura da Vale permanece classificada no nível 3 de emergência.
A legislação e as regras aplicáveis às barragens de mineração são fiscalizadas pela ANM, que mantém sistemas específicos para acompanhamento das estruturas. A Resolução ANM nº 95/2022 reúne atualmente normas relacionadas à segurança de barragens de mineração.









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