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A Gerdau encerrou o segundo trimestre de 2026 com resultados positivos e voltou a destacar a expansão da mina de Miguel Burnier, em Ouro Preto, como um dos principais projetos estratégicos da companhia para os próximos anos. Segundo a empresa, a nova estrutura, que deve começar a operar ainda neste trimestre, será fundamental para reduzir custos, aumentar a produção de minério de ferro e fortalecer a operação brasileira.

Entre abril e junho deste ano, a siderúrgica registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,5 bilhão, além de uma receita líquida de R$ 17,9 bilhões e vendas de 2,9 milhões de toneladas de aço.

Outro indicador acompanhado pelo mercado financeiro é o Ebitda ajustado, que atingiu R$ 3,4 bilhões no período.

O que é Ebitda?

O Ebitda é uma sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Na prática, ele mostra quanto a empresa gera de resultado apenas com sua atividade principal, antes de considerar despesas financeiras e contábeis.

Por isso, o indicador é amplamente utilizado para medir a capacidade operacional de uma empresa e comparar seu desempenho ao longo do tempo.

A Gerdau também informou uma margem Ebitda de 19,2%, o que significa que, de cada R$ 100 obtidos com vendas, aproximadamente R$ 19,20 permaneceram como resultado operacional.

América do Norte sustentou os resultados

Segundo o presidente da companhia, Gustavo Werneck, o desempenho foi impulsionado principalmente pelas operações na América do Norte.

Ao mesmo tempo, a empresa afirma que a operação brasileira começou a apresentar sinais de recuperação.

Segundo Werneck, esse avanço ocorre em meio a um processo de reorganização das unidades industriais, com foco em produtividade e rentabilidade.

O executivo voltou a afirmar que o mercado brasileiro continua enfrentando forte concorrência do chamado aço importado de forma desleal.

Segundo a empresa, trata-se de produtos vendidos no Brasil a preços considerados artificialmente baixos, muitas vezes beneficiados por subsídios concedidos pelos países de origem, dificultando a competição das siderúrgicas nacionais.

Empresa investiu R$ 1 bilhão em apenas três meses

Entre abril e junho, a Gerdau investiu R$ 1 bilhão em suas operações.

Desse total:

  • 44% foram destinados à manutenção das unidades já existentes;
  • 56% financiaram projetos de expansão e modernização.

Esse tipo de investimento recebe o nome de CAPEX, sigla em inglês para Capital Expenditure.

Na prática, o CAPEX representa os recursos utilizados para construir novas unidades, ampliar fábricas, adquirir equipamentos e modernizar estruturas produtivas.

Para todo o ano de 2026, a previsão é investir R$ 4,7 bilhões.

Miguel Burnier aparece como prioridade

Durante a apresentação dos resultados, o diretor financeiro da companhia, Rafael Japur, voltou a destacar a expansão da mina de Miguel Burnier entre as principais entregas previstas para o segundo semestre.

Segundo ele, o empreendimento ajudará a tornar a operação brasileira mais eficiente e competitiva.

“Teremos ao longo do segundo semestre importantes entregas da nossa carteira de investimentos. A expansão da produção de minério de ferro em Miguel Burnier será uma importante alavanca para a recuperação dos resultados da operação brasileira”, afirmou.

Projeto de R$ 3,2 bilhões entra na reta final

A divulgação dos resultados ocorre um dia após a própria Gerdau confirmar que a expansão da mina de Miguel Burnier entrou na fase final de implantação.

Conforme divulgado pelo Mais Minas nesta quinta-feira (6), o projeto recebeu R$ 3,2 bilhões em investimentos e deverá iniciar a produção comercial de minério de ferro ainda durante o terceiro trimestre de 2026.

A expectativa é que a nova estrutura acrescente 5,5 milhões de toneladas por ano à produção da empresa.

Desse volume, aproximadamente 3,5 milhões de toneladas serão destinadas ao abastecimento da usina da Gerdau em Ouro Branco. O restante poderá ser vendido no mercado nacional ou internacional.

Quando atingir sua capacidade máxima, a nova plataforma permitirá que a companhia se torne praticamente autossuficiente no fornecimento de minério para suas siderúrgicas.

Ouro Preto acompanha expectativa de aumento da arrecadação

Além do impacto para a empresa, o início das operações também é acompanhado com expectativa em Ouro Preto.

Como mostrou o Mais Minas, a entrada em funcionamento da mina poderá aumentar a arrecadação municipal, principalmente por meio da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), conhecida como royalty da mineração.

A expectativa ganha importância após julho registrar a primeira queda nas receitas correntes do município em relação ao mesmo mês de 2025.

Além da arrecadação, a empresa também aposta na redução dos custos de produção.

O minério de Miguel Burnier possui teor de ferro mais elevado que o atualmente adquirido pela companhia, permitindo diminuir o consumo de coque e carvão nos altos-fornos, reduzir emissões de dióxido de carbono e aumentar a eficiência da produção de aço.

Outro diferencial do projeto será o mineroduto que ligará diretamente a mina à usina de Ouro Branco, eliminando a circulação de aproximadamente 200 caminhões por dia nas rodovias da região.

Dividendos serão pagos em setembro

A companhia também anunciou a distribuição de dividendos aos acionistas.

A Gerdau S.A. pagará R$ 0,23 por ação, totalizando aproximadamente R$ 451,3 milhões.

Já a Metalúrgica Gerdau S.A. distribuirá R$ 0,11 por ação, equivalente a R$ 145,5 milhões.

Terão direito ao pagamento os investidores que possuírem ações das empresas até 19 de agosto de 2026. Os pagamentos ocorrerão nos dias 11 e 14 de setembro, respectivamente.

Rodolpho Bohrer

Sócio-proprietário e fundador do Mais Minas e jornalista em formação pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Redator de cidades, tecnologia e política, além de link builder na Agência MaisPost. Em 2026, foi um dos repórteres vencedores do prêmio estadual "Tributação e Justiça Social", promovido pelo Sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (SINJORBA).