A Vale decidiu manter uma forte remuneração aos acionistas mesmo após registrar uma queda expressiva em seus resultados financeiros. A mineradora anunciou a distribuição de R$ 8,6 bilhões em dividendos e um novo programa de recompra de ações, embora o lucro líquido do segundo trimestre tenha recuado 43% em comparação com o mesmo período do ano passado, encerrando o período em R$ 6,8 bilhões.

Segundo a companhia, o desempenho foi afetado principalmente pelo aumento dos custos operacionais e pelos efeitos negativos da variação cambial, em um cenário internacional marcado pela alta do petróleo e pelas incertezas provocadas pela guerra no Irã.
Apesar da redução no lucro, a empresa destacou que os indicadores operacionais permaneceram sólidos, com crescimento da produção e da receita ao longo do trimestre.
Produção cresce e receita aumenta
A Vale registrou 84,3 milhões de toneladas de minério de ferro produzidas entre abril e junho, o maior volume para um segundo trimestre desde 2018. O desempenho foi impulsionado, sobretudo, pelo projeto S11D, localizado em Canaã dos Carajás, no Pará, que alcançou recorde de produção.
Também houve avanço na produção de metais estratégicos. O volume de cobre aumentou 6%, chegando a 98,4 mil toneladas, o melhor resultado para um segundo trimestre desde 2017. Já a produção de níquel cresceu 4%, alcançando 42 mil toneladas.
Com maior produção e preços relativamente estáveis para o minério de ferro, a receita líquida da companhia avançou 6%, totalizando R$ 53 bilhões no trimestre.
Custos mais altos reduziram o lucro da Vale
Embora tenha vendido mais e faturado mais, a Vale viu sua rentabilidade diminuir.
A empresa atribui o resultado ao aumento das despesas logísticas e operacionais. O custo de entrega do minério de ferro subiu 18% na comparação anual, principalmente devido ao encarecimento do frete marítimo, pressionado pela valorização internacional do petróleo.
Em comunicado ao mercado, a mineradora afirmou que o ambiente global continua desafiador, com combustíveis mais caros e maior volatilidade cambial, fatores que também levaram a companhia a revisar para cima sua projeção de custos para este ano.
O Ebitda, indicador que mede a geração operacional de caixa, ficou em R$ 18,5 bilhões, retração de 3% em relação ao mesmo período de 2025. Desconsiderando efeitos extraordinários, o indicador teria alcançado R$ 20,5 bilhões, alta de 6%.
Companhia amplia remuneração aos acionistas
Mesmo diante da queda do lucro, a Vale confirmou o pagamento de R$ 8,6 bilhões em dividendos aos acionistas.
A empresa também anunciou um novo programa de recompra de ações, que poderá abranger até 2,3% do capital social, estratégia normalmente utilizada para remunerar investidores e reforçar a confiança da administração no valor da companhia.
Mudanças no comando da Vale seguem repercutindo
O resultado financeiro foi divulgado em meio a um período de instabilidade na governança da mineradora.
Em julho, renunciaram o presidente do Conselho de Administração, Daniel Stieler, e o vice-presidente, Marcelo Gasparino. Os dois casos são alvo de apuração da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
No caso de Stieler, a investigação envolve a concessão de um pacote financeiro após sua saída da empresa. A Vale afirma que o benefício foi concedido em razão da dedicação exclusiva ao cargo e da necessidade de garantir confidencialidade, não concorrência e preservação de informações estratégicas.
Já Gasparino deixou o cargo após ser acusado de vazamento de informações. Ele nega qualquer irregularidade e havia criticado publicamente a condução do processo de sucessão no conselho.
Também nesta quinta-feira (30), a companhia anunciou a eleição de Reinaldo Duarte Castanheira Filho para a vice-presidência do Conselho de Administração. Para a função de conselheiro independente líder foi escolhido Wilfred Theodoor Bruijn.






