A Gerdau está na reta final para colocar em operação a expansão da mina de Miguel Burnier, distrito de Ouro Preto. O empreendimento, considerado um dos maiores investimentos já realizados pela companhia no Brasil, recebeu R$ 3,2 bilhões e deve iniciar a produção comercial de minério de ferro ainda neste terceiro trimestre de 2026.
A informação foi confirmada nesta semana pelo diretor financeiro (CFO) da empresa, Rafael Japur, que afirmou que o projeto já está na fase de testes dos equipamentos e das áreas operacionais. A expectativa é que o minério comece a abastecer a usina da Gerdau em Ouro Branco ainda nos próximos meses.
Para Ouro Preto, a entrada em operação da mina também é acompanhada com expectativa. Além da geração de empregos e do aumento da atividade econômica, o empreendimento pode contribuir para o crescimento da arrecadação municipal, especialmente da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), conhecida como royalty da mineração.
Projeto foi adiado, mas agora entra na fase decisiva
A previsão inicial era que a nova estrutura começasse a operar no fim de 2025. Em outubro do ano passado, a própria Gerdau informou que as obras já estavam cerca de 90% concluídas e que a produção seria iniciada ainda naquele ano.
O cronograma, no entanto, sofreu um atraso de aproximadamente seis meses.
Agora, segundo a companhia, a implantação entrou na etapa final e a produção comercial deve começar ainda neste trimestre. O aumento gradual da produção continuará ao longo de 2027, até que a mina alcance sua capacidade máxima.
Produção vai mais que dobrar
Com a expansão, a Gerdau acrescentará 5,5 milhões de toneladas por ano à produção de pellet feed, tipo de minério utilizado na fabricação do aço.
Desse volume:
- 3,5 milhões de toneladas serão destinadas à usina da empresa em Ouro Branco;
- Entre 2 milhões e 2,5 milhões de toneladas poderão ser comercializadas no mercado nacional ou internacional.
Hoje, a empresa produz entre 1,5 milhão e 2,5 milhões de toneladas de minério por ano em suas operações próprias. Com Miguel Burnier em pleno funcionamento, a expectativa é alcançar autossuficiência no abastecimento de minério para suas siderúrgicas.
Investimento pode refletir na economia de Ouro Preto
Embora a Gerdau ainda não tenha divulgado estimativas de impacto na arrecadação municipal, o início da operação é visto com expectativa em Ouro Preto.
A cidade registrou, em julho, a primeira queda na arrecadação de receitas correntes em relação ao mesmo mês de 2025. Segundo os balancetes publicados pela Prefeitura, o município arrecadou R$ 72,6 milhões em julho deste ano, contra R$ 85 milhões no mesmo período do ano passado, redução de 14,63%.
Apesar desse recuo, o acumulado entre janeiro e julho permanece positivo. No período, as receitas correntes chegaram a R$ 562,4 milhões, crescimento de 11,3% em relação aos sete primeiros meses de 2025.
A entrada em operação da mina reforça a expectativa de que a atividade mineral continue contribuindo para as finanças municipais, principalmente por meio da CFEM, uma das principais fontes de receita de Ouro Preto.
Empresa quer reduzir custos e ganhar eficiência
Segundo o CFO da Gerdau, aproximadamente 60% do retorno financeiro esperado com o investimento virá da redução dos custos de produção. Os outros 40% deverão ser obtidos com a venda do minério excedente.
A economia ocorrerá principalmente porque a empresa deixará de comprar parte do minério utilizado atualmente na usina de Ouro Branco.
Além disso, o minério extraído em Miguel Burnier possui teor de ferro de aproximadamente 65,5%, superior ao material atualmente adquirido pela companhia, que varia entre 61,5% e 62%.
Esse ganho de qualidade permitirá reduzir o consumo de coque e carvão mineral nos altos-fornos, diminuindo os custos de produção do aço e também as emissões de dióxido de carbono.
Mineroduto reduzirá circulação de caminhões
Outro diferencial do projeto é a logística. A Gerdau implantou um sistema de minerodutos que ligará diretamente a mina de Miguel Burnier à usina de Ouro Branco.
Segundo a empresa, a estrutura eliminará a circulação de aproximadamente 200 caminhões por dia nas rodovias da região, reduzindo custos logísticos e impactos ambientais.
O empreendimento também inclui um rejeitoduto de cerca de 10 quilômetros.
Gerdau reforça aposta no Brasil
Para o presidente da companhia, Gustavo Werneck, o projeto demonstra a confiança da empresa na indústria brasileira.
Segundo ele, a estratégia não é ampliar a mineração por si só, mas tornar as operações siderúrgicas mais eficientes e competitivas.
“O investimento em Miguel Burnier é um dos maiores que a Gerdau já realizou no Brasil e reforça nossa estratégia de aumentar a competitividade das operações por meio da redução de custos e do ganho de eficiência”, afirmou o executivo.
A expectativa da empresa é que a nova plataforma de mineração gere um ganho potencial anual de aproximadamente R$ 1,1 bilhão em Ebitda a partir de 2027.











