A Samarco completou 49 anos nesta segunda-feira (24) em meio ao maior ciclo de investimentos de sua história. A mineradora prevê aplicar R$ 13,8 bilhões na ampliação das operações para voltar a trabalhar com 100% da capacidade instalada a partir de 2028.

Hoje, a empresa opera com cerca de 60% da capacidade. Em 2025, foram comercializadas 15,9 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro. A expansão envolve estruturas em Minas Gerais e no Espírito Santo, estados ligados pelo sistema produtivo da Samarco.
Em Minas, a operação está concentrada no Complexo de Germano, entre Mariana e Ouro Preto. O minério beneficiado segue por minerodutos até Anchieta, no Espírito Santo, onde ficam as usinas de pelotização e o Terminal Marítimo de Ponta Ubu.
Entre as intervenções previstas para a retomada integral estão a revitalização do Concentrador 1, a implantação de um terceiro sistema de filtragem de rejeitos e a reativação de estruturas de pelotização. A Samarco reúne informações sobre as obras e o avanço da produção em sua página dedicada à retomada operacional.
Investimento acompanha aumento da produção

A Samarco retomou as atividades em dezembro de 2020, cinco anos depois do rompimento da barragem de Fundão. Naquele momento, voltou produzindo com aproximadamente 26% da capacidade.
O segundo concentrador foi reativado no fim de 2024, permitindo que a empresa chegasse ao patamar atual de 60%. Agora, os R$ 13,8 bilhões estão ligados à próxima etapa.
A expectativa é chegar a uma capacidade próxima de 26 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério por ano quando todas as estruturas estiverem novamente disponíveis.
| Samarco atualmente | Meta |
|---|---|
| 60% da capacidade | 100% a partir de 2028 |
| 15,9 milhões de toneladas comercializadas em 2025 | Capacidade próxima de 26 milhões de toneladas por ano |
| Operações retomadas gradualmente desde 2020 | Reativação e modernização de estruturas |
| R$ 13,8 bilhões em investimentos | Maior ciclo de investimentos da empresa |
A ampliação também deverá aumentar a demanda por trabalhadores durante as obras. A Samarco estima que o ciclo possa envolver até 12,9 mil postos de trabalho até 2031, entre empregados próprios e contratados.
Para Mariana e Ouro Preto, o movimento interessa também pelo efeito sobre fornecedores, contratação de serviços e arrecadação relacionada à atividade mineral.
Os 49 anos também carregam a marca de Fundão
A história da Samarco mudou completamente em 5 de novembro de 2015, quando a barragem de Fundão se rompeu em Mariana. Dezenove pessoas morreram, comunidades foram destruídas e os rejeitos atingiram a Bacia do Rio Doce até o Espírito Santo.
A empresa ficou cinco anos sem operar.
Desde a retomada, a Samarco passou a utilizar filtragem para parte dos rejeitos, com empilhamento a seco, além da disposição em cava confinada. A expansão prevista para os próximos anos inclui um novo sistema de filtragem.
Ao mesmo tempo, continuam as obrigações de reparação relacionadas ao desastre.
O Novo Acordo do Rio Doce, homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu R$ 170 bilhões como valor global da reparação, considerando valores já executados e novas obrigações. O BNDES detalha a composição dos recursos e o funcionamento do Fundo Rio Doce.
Esse dinheiro não faz parte dos R$ 13,8 bilhões anunciados para a expansão das operações. São compromissos diferentes: um está relacionado à atividade industrial da empresa; o outro, à reparação dos danos provocados pelo rompimento de Fundão.
De 1977 aos 50 anos
A data de 24 de agosto é considerada pela Samarco um marco de sua história porque foi nesse dia, em 1977, que ocorreu o primeiro embarque de minério de ferro pelo Terminal Marítimo de Ponta Ubu.
A empresa havia sido criada a partir da associação entre a brasileira Samitri e a norte-americana Marcona Mining Company. O projeto chamou atenção à época pela construção de um mineroduto com aproximadamente 400 quilômetros entre Minas Gerais e o litoral capixaba, solução que permitiu transportar o minério até as unidades de pelotização.
Quase cinco décadas depois, a ligação entre os dois estados continua sendo a base da operação.
A Samarco chega aos 49 anos controlada por Vale e BHP, produzindo com 60% da capacidade e preparando a próxima expansão. O cinquentenário, em agosto de 2027, deverá ocorrer ainda durante a execução das obras necessárias para alcançar os 100% previstos para 2028.
A data também coincide com a Exposibram 2026, que começou nesta segunda-feira (24), em Belo Horizonte. A empresa participa do evento até quinta-feira (27), com debates sobre inovação, inteligência artificial, economia circular e descarbonização.










