Dois estudantes de 13 anos da Escola Estadual Monsenhor Morais, no distrito de Furquim, em Mariana, vêm acumulando resultados em competições de xadrez ao longo de 2026. Lígia Colen Lôbo Silame chegou ao vice-campeonato estadual dos Jogos Escolares de Minas Gerais (JEMG) e conquistou uma vaga nos Jogos Escolares Brasileiros (JEB). Michel Júnior dos Anjos da Silva também avançou até a etapa estadual.

Os dois são orientados pelo professor de Educação Física Miguel Magalhães Neto e passaram pelas fases microrregional e regional antes de chegarem à disputa estadual.
Na primeira etapa, que reúne estudantes de Mariana, Acaiaca, Diogo de Vasconcelos, Itabirito e Ouro Preto, Lígia e Michel terminaram em primeiro lugar em suas respectivas categorias e avançaram para a fase regional.
Segundo Miguel, o desempenho também se estendeu aos demais representantes da Escola Estadual Monsenhor Morais. Das 12 vagas disponíveis para a etapa seguinte nos diferentes módulos e categorias da microrregional, seis foram conquistadas por estudantes da instituição.
“Os melhores alunos das cinco cidades disputam quatro vagas para a regional. Isso acontece em cada módulo: masculino e feminino, módulos I e II. Ou seja, na nossa microrregional, havia 12 vagas possíveis. Dessas 12, a nossa escola conquistou seis”, explicou.
Lígia venceu todas as partidas na etapa regional
Na fase regional, cada atleta disputou seis partidas. Lígia terminou a competição invicta, com seis vitórias em seis jogos, e ficou com o título. Michel venceu cinco das seis partidas e terminou na terceira colocação.
Os resultados classificaram os dois para a etapa estadual do JEMG.
Uma das mudanças entre as competições está no tempo disponível para cada jogador. Enquanto na fase microrregional eram dez minutos de reflexão, na regional esse período passou para 20 minutos. Segundo Michel, a diferença exige mudanças na preparação e na estratégia adotada durante as partidas.
A etapa estadual apresentou o maior desafio da temporada para os dois estudantes. Michel conseguiu três vitórias em seis partidas e encerrou sua participação na 17ª colocação.
Lígia venceu cinco dos seis confrontos e terminou como vice-campeã estadual, resultado que lhe garantiu a classificação para os Jogos Escolares Brasileiros.
Apesar da vaga nacional, a estudante conta que inicialmente ficou frustrada com o segundo lugar. O motivo era a impossibilidade de ter o professor que a acompanha viajando com ela para a próxima competição.
“Foi bom, mas na hora eu fiquei triste, porque só o professor da pessoa que ficou em primeiro lugar iria para o nacional. No caso, o Miguel não iria comigo. Aí fiquei triste por isso. Preferia ter ficado em primeiro lugar”, contou Lígia.
Para a disputa nacional, a jovem estabeleceu inicialmente como objetivo terminar entre as 20 melhores colocadas. Miguel acredita que a aluna pode alcançar um resultado ainda melhor.
Treinos acontecem até durante os intervalos da escola
A relação de Lígia e Michel com o xadrez começou antes das competições escolares. Os dois aprenderam os primeiros movimentos das peças ainda na infância.
Lígia começou a jogar com os pais e posteriormente passou a receber orientação de Miguel na escola. Depois de um período afastada, retomou os treinos e passou a se dedicar às competições.
“Meu pai e minha mãe me ensinaram a mexer as peças. Depois eu vim para a escola e o Miguel começou a me ensinar também”, relembra.
Michel, por sua vez, aprendeu com os irmãos. O interesse pela modalidade aumentou conforme começou a praticar com maior frequência.
“Meus irmãos já jogavam e me ensinavam. No começo eu não tinha tanto interesse, mas depois que comecei a treinar percebi que era divertido”, afirma.
A escola não possui uma disciplina específica de xadrez. Por isso, parte da preparação ocorre durante intervalos e horários de almoço do ensino integral, quando os estudantes aproveitam para jogar partidas online e testar estratégias. O treinamento orientado por Miguel ocorre há aproximadamente dois anos.
O professor também começou a jogar ainda na infância e retomou a modalidade depois da faculdade, quando passou a estudar o xadrez com o objetivo de utilizá-lo no trabalho com os alunos.
Para os estudantes e o professor, a prática também contribui para habilidades que ultrapassam o ambiente das competições, como concentração, raciocínio lógico, interpretação e tomada de decisões.
Próximo objetivo é disputar o título nacional
A classificação para os Jogos Escolares Brasileiros coloca Lígia diante da primeira competição nacional citada pelos integrantes do projeto. Para Miguel, alcançar essa fase já representa um resultado importante diante do nível de dificuldade da etapa estadual.
“Para mim, chegar ao nacional já é algo extraordinário. Passar da estadual é muito difícil”, afirma.
Lígia, porém, já projeta objetivos maiores.
“Quero ser campeã nacional e participar de outras competições.”
Os jovens também demonstram interesse em buscar, no futuro, títulos reconhecidos dentro do xadrez, como Mestre Nacional e Grande Mestre, embora reconheçam que uma trajetória nesse nível exigiria uma dedicação muito maior à modalidade.
Miguel defende que a ampliação de políticas públicas de incentivo ao xadrez poderia criar melhores condições para a formação de atletas e aumentar o alcance do esporte.
Antes dos próximos desafios fora do município, Lígia, Michel e outros estudantes ainda devem representar suas escolas nos Jogos Escolares de Mariana, que incluem o xadrez entre as modalidades disputadas.
Com informações de Luiz Carlos Diniz.







Comentários
Contribua com informações, contexto e opiniões sobre a notícia. Mantenha o respeito aos demais leitores.
Comentar como visitanteSem criar uma conta⌄