O governo de Minas Gerais negou nesta quarta-feira, 25 de fevereiro, que tenha reduzido investimentos em prevenção contra desastres climáticos. A nota veio em resposta a uma reportagem do G1 e do jornal O Globo que apontou queda de cerca de 96% nos gastos de um programa estadual voltado ao combate aos impactos das chuvas entre 2023 e 2025.
O que diz a reportagem
Com base em dados do Portal da Transparência do estado de Minas Gerais, o G1 identificou que o programa “Suporte às ações de combate e resposta aos danos causados pelas chuvas” registrou queda expressiva nos valores pagos ao longo de três anos consecutivos.
Em 2023, o programa movimentou R$ 134,8 milhões. No ano seguinte, o valor caiu para R$ 41,1 milhões. Em 2025, os desembolsos somaram R$ 5,8 milhões, uma redução de 96% em relação ao início do período analisado.
O que diz o governo
Em nota, o governo do estado classificou as informações como “não verdadeiras” e afirmou que os investimentos, na realidade, cresceram. Segundo o executivo estadual, os recursos aplicados em prevenção contra desastres em 2025 somaram R$ 1,9 bilhão, o segundo maior valor registrado nos dois mandatos do governador Romeu Zema, perdendo apenas para o período da pandemia de Covid-19. O governo afirma ainda que, na média anual, os investimentos aumentaram 170% em relação ao último ano do governo anterior.
A discrepância entre os números do G1 e os do governo está na forma como os dados foram lidos. O executivo estadual argumenta que, com o tempo, despesas podem ser reclassificadas e agrupadas sob outras categorias contábeis para facilitar o gerenciamento dos recursos. Segundo o governo, a análise feita pelo G1 teria se restringido a um único programa orçamentário, sem considerar o conjunto de ações distribuídas por outras rubricas do orçamento.
O contexto político e humano
A disputa sobre os números acontece em meio a uma crise humanitária grave. Juiz de Fora e Ubá registraram mortes, desaparecimentos e destruição provocados pelas chuvas recentes, e equipes de bombeiros seguem nas buscas por vítimas.
O governo aproveitou a nota para lembrar que, por lei, a responsabilidade por fiscalizar construções irregulares e realizar obras de contenção é dos municípios, com base na Lei Federal 12.608 de 2012, que institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil.
O que ainda não está claro
A versão do governo não foi acompanhada de detalhamento sobre como os R$ 1,9 bilhão em 2025 foram distribuídos entre as diferentes ações de prevenção, nem de quais rubricas orçamentárias comporiam esse total. Sem esse detalhamento, não é possível confirmar ou refutar, de forma independente, qual das duas leituras dos dados reflete com mais precisão a realidade dos investimentos estaduais em proteção contra desastres climáticos.
Os dados do Portal da Transparência são públicos e podem ser consultados por qualquer cidadão em transparencia.mg.gov.br.







