A Praça Tiradentes será novamente palco de um grande evento cultural neste fim de semana. Ouro Preto recebe, nesta sexta-feira (24) e no sábado (25), a sexta edição do MARTE Festival, com shows gratuitos, performances, projeções e debates sobre música, arte e tecnologia.
Além da praça, a programação ocupará o Museu da Inconfidência e a Casa Câmara. Entre as atrações estão Metá Metá, Assucena, Djuena Tikuna, Félix Robatto, o paraguaio Purahéi Soul, o argentino Otros Aires e o ugandense Faizal Mostrixx.
Com o tema “O Futuro é Ancestral — e vem do Sul Global”, o festival reúne artistas, pesquisadores e criadores do Brasil, Paraguai, Argentina e Uganda. A proposta é colocar em diálogo diferentes tradições culturais, linguagens contemporâneas e formas de pensar a tecnologia.
A programação será dividida entre os shows na Praça Tiradentes e o MARTE Lab, que promoverá conferências e encontros na Casa Câmara. Todas as atividades têm entrada gratuita.
Cortejo abre a programação na sexta-feira
O MARTE Festival começa na sexta-feira com um cortejo da Guarda de Congo de Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia do Alto da Cruz. O grupo seguirá da Casa Câmara até a Praça Tiradentes.
A primeira noite terá a cantora indígena Djuena Tikuna, natural da Terra Indígena Umariaçu, no Alto Solimões. A artista desenvolve um trabalho ligado à música indígena contemporânea e já se apresentou em eventos nacionais e internacionais.
Em seguida, o duo paraguaio Purahéi Soul levará ao palco uma mistura de guarani, jazz, blues, folk e música latino-americana. O grupo é formado por Jennifer Hicks e Miguel Narváez.
Assucena apresentará o espetáculo “Coração Americano”, dedicado a canções brasileiras e latino-americanas. A artista estará acompanhada por Rafael Acerbi e Vitória Faria.
A primeira noite será encerrada pelo grupo argentino Otros Aires, com o espetáculo “Tango Mundi”. O projeto combina tango, música eletrônica, instrumentos acústicos, projeções e artes visuais.
O público também acompanhará performances da Cia Base Vertical e um espetáculo de laser mapping do Homem Gaiola. As projeções utilizarão a fachada do Museu da Inconfidência como parte da apresentação.
Metá Metá e artista de Uganda se apresentam no sábado
A programação de sábado começará com a cantora, compositora e pesquisadora Estela Ceregatti, cujo trabalho reúne culturas populares brasileiras e experimentações sonoras.
Depois, a argentina Catalina Telerman apresentará músicas autorais que transitam entre a música popular, a composição contemporânea e experiências vocais.
Um dos destaques da noite será o Metá Metá, trio formado por Juçara Marçal, Thiago França e Kiko Dinucci. O grupo mistura música afro-brasileira, jazz, rock, improvisação e experimentação.
Também se apresenta a dupla Craca & Sandra X, que trabalha com música eletrônica experimental, performance e manipulação sonora ao vivo.
Diretamente de Uganda, o DJ, produtor, dançarino e performer Faizal Mostrixx apresentará um trabalho que reúne música eletrônica, afrofuturismo e referências espirituais africanas.
O encerramento ficará por conta do paraense Félix Robatto. O músico e produtor levará ao palco ritmos como guitarrada, lambada, carimbó e outras influências da música amazônica e latino-americana.
Debates sobre inteligência artificial e racismo algorítmico
Além dos shows, o MARTE Lab reunirá pesquisadores, artistas e especialistas na Casa Câmara para discutir temas ligados à tecnologia, cultura digital, memória, direitos autorais e produção musical.
Na sexta-feira, às 14h, o painel “Hackear o Futuro” terá Sérgio Amadeu, Tarcízio Silva e Tatiana Nascimento, com mediação de Zaika dos Santos. O encontro abordará inteligência artificial, plataformas digitais, racismo algorítmico e colonialismo tecnológico.
Às 16h, Uýra Sodoma, Aline Motta e Giselle Beiguelman participam do painel “Arte, Tecnologia e Espiritualidade no Século XXI”, mediado por Alex Calheiros. A conversa tratará das relações entre corpo, memória, ancestralidade, imagem e conhecimentos tradicionais.
No sábado, a programação será voltada principalmente ao mercado musical. Às 10h, Carol de Amar, Cláudio Fraga e Marcelo Falcão discutirão criação, circulação de obras e direitos autorais, com mediação de Bernardo Fabris.
Às 11h30, Fernanda Takai, Geraldo Vianna e Tulipa Ruiz participam da mesa “Conexões Latinas”. O debate abordará a circulação internacional da música produzida na América Latina e os desafios enfrentados pelos artistas em um mercado conectado pelas plataformas digitais.

Festival chega à sexta edição
Criado em 2017, o MARTE Festival começou em Mariana e depois transferiu sua sede permanente para Ouro Preto. Durante a pandemia, o evento também teve uma edição realizada integralmente pela internet.
Nas cinco edições anteriores, o festival recebeu artistas como João Bosco, Tulipa Ruiz, Curumin, Russo Passapusso, Agnes Nunes, Tuyo, Juçara Marçal, Getúlio Abelha, Fausto Fawcett e Luiza Lian.
Segundo Carol Daves, uma das idealizadoras e curadoras, a edição deste ano busca mostrar como os países do Sul Global produzem conhecimento e novas formas de criação artística.
“O futuro não está à frente, ele está nas raízes. Na nossa sexta edição, propomos que os territórios do Sul Global têm formas de criar, resistir e imaginar que o mundo precisa conhecer”, afirmou.
O MARTE Festival é produzido pela Ultra Music, em coautoria com a Casa 29 Produtora e a Atma Music. O evento tem patrocínio da Claro e apoio da Prefeitura de Ouro Preto, da União Brasileira de Compositores, do Museu da Inconfidência e da Fundação de Arte de Ouro Preto.
Serviço
MARTE Festival 2026
Datas: sexta-feira (24) e sábado (25)
Locais: Praça Tiradentes, Museu da Inconfidência e Casa Câmara
Entrada: gratuita







