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Meus Amigos, meus inimigos, salvemos o Cerrado

Encerrou-se neste último domingo mais uma etapa da Expedição “Bacia Hidrográfica do Rio Pandeiros, Norte de Minas Gerais”, que busca estudar a vegetação, solo e o entorno do corpo hídrico de mesmo nome e que também é afluente de um dos maiores rios do país, o São Francisco.

Apesar dos recursos cada vez mais reduzidos, especialmente devido aos cortes de verba do governo golpista de Michel Temer (o ilegítimo), os pesquisadores envolvidos (alunos de doutorado da UFOP) conseguiram cumprir com louvor os objetivos de coleta e observação previstos, ainda mais se levar em conta os mais de 800 km rodados em menos de uma semana por toda a região.

Além das belas cenas como o poente do Rio São Francisco (imagem 1), o que mais chamou a atenção, infelizmente, foram os perigos que o cerrado brasileiro corre. Bioma único, de espécies endêmicas incomparáveis e uma biodiversidade ainda pouco estudada, esta fitofisionomia vegetal parece não ter muita importância para a preservação ambiental quando comparada com a Floresta Amazônica ou ainda a Mata Atlântica. Prova disso é que até mesmo no nosso Código Florestal, a porcentagem de Mata Ciliar de cerrado a ser preservada nas propriedades rurais é menor que as demais.

Pôr do Sol no Rio São Francisco (Crédito da imagem: Pedro Peixe).

O maior parque brasileiro que se propõe a preservar o Cerrado se chama Grande Sertão Veredas, sendo gerido pelo IBAMA e localizado na fronteira entre Minas Gerais e Bahia (imagem 2), sua sede mineira se situa no município de Chapada Gaúcha, no extremo norte do estado. A nomenclatura do parque é uma homenagem ao escritor brasileiro João Guimarães Rosa, cuja obra de mesmo nome, além de muito famosa, retratava a vida sofrida dos sertanejos.

Parque Nacional grande Sertão veredas visto de cima. As montanhas da esquerda estão em Goiás, as da direita na Bahia, o local da foto ainda Minas Gerais (Crédito da imagem: Pedro Peixe).

Infelizmente, tanta beleza parece ser insuficiente para convencer as autoridades e grandes empresários sobre como o uso sustentável deste bioma é importante para a sobrevivência de tanta gente do Brasil central.

Chega a ser surpreendente, para não dizer algo pior, as situações presenciadas na região, a mais curiosa, a meu ver é a indicação de um ex-prefeito derrotado nas eleições municipais de Chapada Gaúcha para gerir o referido parque! O ministro Sarneyzinho (PV-Maranhão e filho do ex-presidente de mesmo nome) simplesmente demitiu o antigo gestor e nomeou da noite para o dia um aliado político, que, curiosamente, é um dos reis do agronegócio no extremo norte do estado.

Mais uma vez mostrando ao que veio o desgoverno Temer e seus aliados verdes de motosserra colocam em risco uma área de 231.668 hectares de cerrado intocado, animais raros, plantas únicas, simplesmente para favorecer (como sempre) os grandes empresários, neste caso, ao contrário de muitos não é um rei da Soja, mas do capim (!!). Chapada Gaúcha é a cidade que mais produz capim para consumo animal do planeta!

Será que iremos presenciar no cerrado mineiro o mesmo que a família Sarney e seus bajuladores fizeram com o Maranhão? Já não basta não ter nenhum servidor de carreira do IBAMA na região do maior parque nacional do centro do país (todos os servidores são terceirizados)?

Até quando iremos aguentar estes golpistas destruindo tudo, até mesmo nosso meio ambiente? É preciso reagir, é preciso uma grande unidade de oposição a tudo que está sendo feito em nosso país, ou nos unimos ou não sobrará pedra sobre pedra, no caso do cerrado, árvore sobre árvore…

Resistir é preciso! Sigamos!

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